Paraná aumenta vigilância contra arboviroses em meio a alerta de El Niño

🕓 Última atualização em: 03/08/2026 às 17:22

O Paraná eleva o nível de seu sistema de vigilância em saúde diante da iminente intensificação do fenômeno El Niño, um evento climático com histórico de agravar a proliferação de arboviroses como dengue, zika e chikungunya. As projeções indicam um cenário que exige ação imediata, com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) já mobilizando a população e reforçando protocolos de prevenção.

O aumento da incidência dessas doenças em períodos de El Niño não é novidade. Registros de anos epidêmicos anteriores no estado, como 2016, 2019, 2020 e o mais recente 2024, demonstram uma correlação direta e preocupante entre as condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti e o número de óbitos.

Em 2016, o Paraná contabilizou 62 mortes por dengue. O número apresentou uma leve queda em 2019, com 34 óbitos, mas disparou em 2020 para 194. O ano de 2024 atingiu um pico alarmante, com 738 vidas perdidas para a doença, evidenciando a necessidade contínua de estratégias de controle e conscientização.

A influência do El Niño, no entanto, ultrapassa o escopo das arboviroses transmitidas pelo mosquito. As chuvas intensas e prolongadas associadas ao fenômeno elevam o risco de infecções causadas pela contaminação da água. Doenças como a leptospirose e a hepatite A tornam-se preocupações adicionais, demandando cuidados redobrados por parte da população.

Adicionalmente, as enchentes e condições climáticas extremas favorecem a presença de animais peçonhentos, com especial atenção para as serpentes. Em situações de alagamentos e ventanias, equipes de resposta rápida são acionadas para garantir o socorro e a contenção sanitária. A orientação primordial é a busca imediata por atendimento médico ao surgirem os primeiros sintomas de qualquer uma destas enfermidades.

Estratégias de Combate e Inovação

A luta contra as arboviroses no Paraná adota uma abordagem multifacetada e contínua, que se intensifica em períodos de risco. O monitoramento por ovitrampas, por exemplo, é uma ferramenta estratégica empregada por cerca de 90% dos municípios.

Com 32.614 armadilhas instaladas em áreas urbanas, a cada 300 a 400 metros, o sistema permite mapear a presença do mosquito vetor, identificar focos de alta incidência e antecipar possíveis surtos, garantindo que as ações de controle sejam direcionadas e eficazes.

Em consonância com as diretrizes do Ministério da Saúde, o estado tem investido na introdução do mosquito Aedes aegypti portador da bactéria Wolbachia. Esta tecnologia biológica impede o desenvolvimento do vírus da dengue no inseto, reduzindo significativamente o potencial de transmissão.

A estratégia, inspirada no sucesso do projeto-piloto em Niterói (RJ), que resultou em uma queda de 89% nos casos de dengue, está sendo implementada em importantes centros urbanos paranaenses, como Curitiba, Londrina, Cascavel, Ponta Grossa, Maringá e Foz do Iguaçu. A expectativa é replicar esse modelo de sucesso e oferecer maior proteção à população.

Impacto do El Niño e Responsabilidade Coletiva

A iminente onda de calor e as chuvas intensas associadas ao El Niño criam um ambiente ideal para a reprodução do mosquito Aedes aegypti. A capacidade do mosquito de se proliferar em recipientes com água parada, mesmo em pequenas quantidades, intensifica a urgência das ações preventivas.

A conscientização da população sobre a importância de eliminar focos do mosquito em suas residências e locais de trabalho é fundamental. A remoção de água parada em vasos de plantas, pneus, calhas e outros objetos é uma medida simples, mas de impacto comprovado na redução da infestação.

Além disso, a vigilância sanitária estadual e municipal trabalha na orientação sobre a prevenção de doenças transmitidas pela água contaminada e pelo contato com animais peçonhentos, especialmente em áreas que podem sofrer com alagamentos. A colaboração da comunidade em reportar focos de proliferação e buscar atendimento médico ao primeiro sintoma é um pilar essencial para o controle e a mitigação de epidemias.

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