Um levantamento recente conduzido pela Sanepar, concessionária de saneamento do Paraná, revela que uma parcela significativa de residências e estabelecimentos comerciais no estado ainda não dispõe de caixas-d’água. Os dados indicam que 23% dos lares e 30% dos comércios não contam com reservatórios domésticos ou cisternas, o que pode comprometer a segurança hídrica em momentos de interrupção no fornecimento regular de água. Esta falta de infraestrutura interna expõe uma vulnerabilidade que contrasta com a necessidade de resiliência no abastecimento.
A pesquisa, que ouviu milhares de clientes em diversas regiões paranaenses, demonstra uma disparidade nos índices de posse de reservatórios. Enquanto a região Norte apresenta uma alta adesão, com 87,7% das residências equipadas com caixas-d’água, o Sudoeste registra os menores percentuais, com apenas 64,3% dos imóveis residenciais e 54,7% dos comerciais possuindo esta comodidade. Municípios como Telêmaco Borba e Foz do Iguaçu também aparecem com índices abaixo da média estadual.
A ausência de um reservatório doméstico significa que, em caso de manutenções na rede ou outros imprevistos que levem à suspensão temporária do abastecimento, os moradores e trabalhadores ficam sem acesso à água. Essa dependência direta do fluxo contínuo do sistema de distribuição evidencia a importância de um reservatório de emergência.
Segundo normas técnicas brasileiras, a caixa-d’água é um componente essencial em qualquer residência, funcionando como uma reserva estratégica. A Sanepar reforça que a posse deste equipamento é um fator determinante para a continuidade do acesso à água, mesmo quando o fornecimento regular é interrompido. Clientes que possuem reservatórios relatam, em sua maioria, não terem sofrido com a falta de água em períodos de até um ano.
A Infraestrutura Doméstica Como Pilar da Estabilidade Hídrica
Wilson Bley, diretor-presidente da Sanepar, compara a caixa-d’água à própria infraestrutura de reservação da companhia. Ele enfatiza que, assim como a concessionária investe em grandes reservatórios para garantir a estabilidade do sistema público, os reservatórios individuais desempenham um papel similar no âmbito doméstico. Permitem que os usuários mantenham o acesso à água mesmo diante de interrupções temporárias, sejam elas planejadas ou emergenciais.
Eduardo Arrosi, gerente de engenharia da Sanepar, detalha a capacidade de um reservatório de 500 litros, comum em residências com até quatro pessoas. Este volume é suficiente para suprir as necessidades básicas de uma família por até 24 horas. Esse período é crucial para cobrir imprevistos como manutenções na rede, consertos, ou até mesmo interrupções no fornecimento de energia elétrica, que impactam diretamente o bombeamento de água.
Arrosi também aborda a necessidade de cisternas em edificações de múltiplos andares. Para prédios com mais de dois pavimentos, a demanda de pressão para levar a água aos andares superiores exige sistemas de bombeamento complementares. A cisterna, neste contexto, não só armazena água, mas também alimenta o sistema de pressurização, assegurando que todos os pavimentos recebam água adequadamente, em conformidade com as normas de engenharia hidrossanitária.
A resiliência hídrica de uma comunidade está diretamente ligada à sua capacidade de adaptação a choques no sistema de abastecimento. A infraestrutura interna, como as caixas-d’água, funciona como uma linha de defesa contra essas eventualidades. A menor velocidade de propagação da água em comparação com a eletricidade, e a complexidade na retomada total do abastecimento após uma parada, reforçam o papel da reserva doméstica como uma garantia de continuidade para os usuários.
Políticas Públicas e Inclusão: Garantindo o Acesso Universal
Para além da infraestrutura individual, o poder público tem atuado para democratizar o acesso a essa tecnologia essencial. O programa “Caixa d’Água Boa”, uma iniciativa do Governo do Paraná em parceria com a Sanepar, visa atender famílias em situação de vulnerabilidade social que não possuem reservatórios. O programa oferece não apenas a caixa-d’água e o kit de instalação, mas também capacitação técnica e um subsídio financeiro.
Desde sua criação em 2017, o programa já destinou vultosos recursos e beneficiou milhares de famílias. Os critérios de elegibilidade são rigorosos e visam garantir que o auxílio chegue a quem realmente necessita, incluindo requisitos como residência em áreas atendidas pela Sanepar, inscrição no Cadastro Único e comprovação de baixa renda. Esta ação demonstra um compromisso com a saúde pública e a equidade no acesso a serviços básicos.
A metodologia da pesquisa, realizada pelo Instituto Radar Pesquisas, envolveu uma amostra representativa de clientes residenciais e comerciais em cidades-polo de todas as regiões do Paraná. Este levantamento detalhado fornece uma base sólida para a Sanepar e órgãos governamentais formularem políticas públicas mais eficazes e direcionadas, visando a universalização do acesso à água potável de forma segura e contínua para todos os cidadãos.





