Padre do Balão 18 anos relembre a aventura trágica que marcou o país

🕓 Última atualização em: 20/04/2026 às 18:05

O que se iniciou como uma ousada empreitada para arrecadar fundos para a Pastoral Rodoviária culminou em um desfecho trágico há 18 anos. Em 20 de abril de 2008, o pároco Adelir de Carli, então com 41 anos e já conhecido como “Padre do Balão”, alçou voo de uma cadeira de plástico suspensa por cerca de mil balões de gás hélio. A meta era percorrer 20 horas de voo até Dourados, Mato Grosso do Sul, em um evento que visava atrair atenção e doações.

O lançamento ocorreu em um domingo nublado, por volta das 13 horas, após uma missa celebrada pelo religioso para os presentes. Em um curto período, Adelir atingiu uma altitude impressionante de 5.800 metros. Para a aventura, estava equipado com instrumentos de segurança como paraquedas, GPS e celular, além de provisões de comida e bebida.

A comunicação com o religioso cessou por volta das 21 horas do mesmo dia. Em seu último contato com o Grupo de Radiopatrulhamento Aéreo (Graer) de Joinville, Santa Catarina, Adelir informou que estaria pousando no mar. Ventos fortes e condições climáticas adversas o teriam desviado da rota original, empurrando-o em direção ao oceano.

O plano era superar o recorde de voos dessa natureza, que na época era de 19 horas. A inspiração para o feito do Padre do Balão veio da história de Larry Walters, um americano que em 1982 utilizou 42 balões para ascender em uma poltrona, atingindo 16 mil pés de altitude.

Buscas intensas e desaparecimento prolongado

As buscas pelo pároco mobilizaram diversas instituições, incluindo a Marinha, Polícia Militar e Força Aérea Brasileira (FAB). Apesar do empenho inicial, o desaparecimento se prolongou por meses. O avistamento de balões em cidades litorâneas de Santa Catarina, como Porto Belo e São Francisco do Sul, chegou a concentrar parte dos esforços de resgate.

Adelir já havia realizado um voo de teste com 500 balões, que o levou até San Antonio, na Argentina, onde permaneceu no ar por aproximadamente quatro horas. Relatos de um instrutor, que o acompanhou em aulas de esportes aéreos três anos antes, indicavam que o religioso apresentava um comportamento indisciplinado e tendia a desobedecer orientações, um ponto que, retrospectivamente, lança uma luz sobre a complexidade da empreitada.

O objetivo principal do voo, além da busca por recordes, era a arrecadação de fundos para a Pastoral Rodoviária. A iniciativa visava auxiliar caminhoneiros que frequentavam o porto de Paranaguá, um dos mais importantes do Brasil. A atuação do padre na região era marcada pela criação da Casa de Acolhida do Caminhoneiro, que também servia como sede paroquial.

A motivação financeira estava intrinsecamente ligada ao seu histórico como administrador de postos de gasolina da família, o que lhe conferia uma compreensão das necessidades da comunidade rodoviária.

O sombrio desfecho e a confirmação final

O corpo do pároco foi encontrado apenas três meses após o voo, em julho de 2008. Um rebocador a serviço da Petrobras localizou os restos mortais na costa do município de Maricá, no Rio de Janeiro. As vestimentas e a mochila que Adelir usava no dia de sua partida foram identificadas, confirmando a trágica identidade.

A confirmação definitiva da identidade foi realizada através de um exame de DNA conduzido pelo Instituto de Pesquisa Genética Forense. O sepultamento ocorreu em sua cidade natal, Ampére, no Paraná, com a presença de cerca de 500 pessoas, marcando o fim de uma jornada que gerou comoção e levantou debates sobre segurança e responsabilidade em aventuras de alto risco.

O caso do “Padre do Balão” permanece como um lembrete sombrio dos perigos inerentes a desafios que extrapolam os limites da prudência e da segurança, destacando a importância de regulamentações e avaliações de risco rigorosas em quaisquer atividades que envolvam a exposição a perigos extremos, especialmente quando motivadas por fins de arrecadação ou busca por notoriedade.

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