Uma operação policial deflagrada nesta quinta-feira (20) pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) visa desmantelar uma **organização criminosa estruturada**, com forte atuação no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, concentrada principalmente no bairro Cajuru, em Curitiba. A ação cumpre 24 ordens judiciais, incluindo prisões preventivas e buscas e apreensões domiciliares, em diversas cidades paranaenses e em Santa Catarina.
As investigações, iniciadas a partir de denúncias anônimas e requisições do Ministério Público, focaram em um intenso fluxo de atividades ilícitas em uma área específica do bairro. A PCPR apurou a existência de uma rede hierarquizada, mesmo com o líder principal operando à distância, demonstrando o alcance e a sofisticação do grupo.
O esquema incluía gerentes locais responsáveis pela distribuição de substâncias entorpecentes, como cocaína e derivados de maconha. Surpreendentemente, alguns desses indivíduos continuavam a gerenciar pontos de venda mesmo utilizando monitoramento eletrônico (tornozeleira).
A logística da operação criminosa era notavelmente complexa. O grupo utilizava intermediários, entregadores que disfarçavam a mercadoria em embalagens de presentes e empregavam residências de familiares para o armazenamento e fracionamento das drogas.
Um dos pilares da organização era o esquema de lavagem de dinheiro, que envolvia a constituição de empresas de fachada. Estas empresas, registradas em nome de terceiros e familiares, tinham como objetivo dissimular a origem dos vultosos lucros, estimados em dezenas de milhares de reais mensais. Operadores especializados eram dedicados à contabilidade e gestão das contas bancárias.
A Complexidade da Lavagem de Dinheiro
A apuração revelou um sistema minucioso para “limpar” o dinheiro proveniente do tráfico. A criação de empresas fictícias permitia que os lucros ilícitos fossem gradualmente integrados à economia legal, dificultando o rastreamento pelas autoridades.
Essas empresas de fachada funcionavam como fachadas para transações financeiras, movimentando quantias significativas e desviando a atenção da origem ilícita dos recursos. A atuação de operadores financeiros era crucial para manter a discrição e a eficiência deste esquema.
Os valores bloqueados e os veículos de luxo apreendidos durante a operação são apenas uma fração do patrimônio construído pela organização. A PCPR busca agora identificar e sequestrar outros bens que possam ter sido ocultados.
A ação policial visa não apenas cessar a reiteração criminosa, mas também descapitalizar financeiramente o grupo, atingindo suas bases de sustentação econômica. A análise do material apreendido promete revelar novos detalhes sobre a extensão das atividades e a identidade de outros envolvidos.
A Estratégia Operacional e Seus Objetivos
As 24 ordens judiciais expedidas — 9 de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão — refletem a abrangência da investigação. Os mandados foram cumpridos em Curitiba, Piraquara, São José dos Pinhais e até mesmo em Balneário Camboriú, evidenciando a mobilidade e a atuação intermunicipal do grupo.
O uso de cães de faro da PCPR demonstrou ser uma ferramenta eficaz na localização de entorpecentes e possíveis evidências durante as buscas domiciliares, otimizando o trabalho de campo e aumentando a probabilidade de apreensões relevantes.
O delegado Victor Loureiro Mattar Assad destacou que, mesmo à distância, o líder mantinha controle sobre o abastecimento, a logística e a movimentação financeira. Essa capacidade de gestão remota, combinada com a estrutura local, tornava a organização particularmente difícil de ser desarticulada.
A operação em andamento visa **impedir a continuidade das atividades ilícitas** e **remover os recursos financeiros** que sustentam a organização. A análise detalhada dos materiais apreendidos — documentos, eletrônicos e valores — será fundamental para identificar novas conexões, comparsas e bens que ainda possam estar sob o controle do grupo criminoso.





