Obra no Paraná desenterra mais de 2,6 mil fósseis com até 390 milhões de anos

🕓 Última atualização em: 30/06/2026 às 21:51

Um total de 2.655 amostras de fósseis foram coletadas no estado do Paraná durante a implantação da Linha de Transmissão (LT) Ananaí 500 kV, um projeto da TAESA que atravessa 13 municípios entre Paraná e São Paulo. O acervo científico, que remonta a centenas de milhões de anos, antes mesmo da era dos dinossauros, é resultado de um programa de monitoramento e salvamento paleontológico planejado para minimizar o impacto em áreas de reconhecido potencial fossilífero. As formações geológicas consideradas, como Furnas, Ponta Grossa e Rio do Rasto, são de grande importância para o estudo da vida antiga.

A descoberta e salvaguarda desses vestígios são fundamentais, uma vez que os fósseis são considerados bens da União e patrimônio cultural brasileiro. A legislação exige um tratamento técnico rigoroso sempre que tais materiais são encontrados em obras de infraestrutura. O programa buscou garantir a preservação desse legado, assegurando que nenhuma descoberta fosse perdida durante o processo de construção da linha de transmissão de 275 quilômetros.

As atividades de campo, realizadas entre abril de 2025 e janeiro de 2026, concentraram-se nas áreas de intervenção direta para a instalação de 581 torres e outras estruturas. A metodologia adotada permitiu a recuperação de importantes evidências de ecossistemas marinhos e terrestres que existiram em períodos geológicos como o Devoniano e o Permiano, eras cruciais para a evolução da vida na Terra.

A riqueza paleontológica do subsolo

O material resgatado oferece um vislumbre da diversidade biológica de tempos remotos. Entre os achados, destacam-se macrofósseis como trilobitas, braquiópodes (organismos marinhos com conchas) e diferentes tipos de moluscos, além de evidências de peixes pré-históricos e conconstráceos. A coleta também abrangeu amostras de microfaleontologia, essenciais para detalhar as condições ambientais da época.

Além da fauna, a flora pré-histórica também deixou sua marca no subsolo. Fragmentos de plantas primitivas, como licófitas, e estruturas de bioturbação, que indicam a atividade de organismos escavadores no passado, foram cuidadosamente catalogados. Essa combinação de descobertas permite reconstruir paisagens e ecossistemas de milhões de anos atrás com maior precisão.

A destinação final de todo o material coletado é um ponto crucial do programa. Atualmente em fase de catalogação, os fósseis serão oficialmente entregues à Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Este processo culminará na emissão de um termo de recebimento, que será reportado à Agência Nacional de Mineração (ANM), garantindo a total rastreabilidade e a segurança jurídica das amostras.

Henrique Zimmermann Tomassi, paleontólogo responsável pelo projeto executado em parceria entre a TAESA e a NASOR Paleontologia e Geologia, enfatiza a importância da iniciativa. Ele destaca que a paleontologia preventiva transcende o mero cumprimento regulatório, configurando-se como um compromisso com a preservação do patrimônio científico e a democratização do conhecimento para a sociedade.

Ações de conscientização e educação ambiental

O sucesso do Programa de Monitoramento e Salvamento Paleontológico na LT Ananaí vai além da simples coleta de espécimes. A TAESA, em colaboração com a MRS Ambiental e a NASOR, implementou um abrangente programa de educação patrimonial e engajamento social. O objetivo foi disseminar a importância da paleontologia e da preservação ambiental entre diferentes públicos.

Foram realizados mais de seis eventos de educação patrimonial, direcionados a museus, escolas e prefeituras das cidades impactadas pela obra. Paralelamente, mais de 200 colaboradores envolvidos nos canteiros de obras passaram por um treinamento específico para identificar possíveis indícios de fósseis. Essa capacitação transformou a rotina de trabalho em uma oportunidade contínua de aprendizado coletivo e de conscientização.

Valéria Moreno, Coordenadora de Meio Ambiente na TAESA, ressalta que o projeto se estabeleceu como um caso de referência para o setor de transmissão de energia no Brasil. Ela afirma que o empreendimento demonstra a viabilidade de conciliar o desenvolvimento de infraestrutura com o respeito e a valorização da memória natural do planeta, reforçando o compromisso da empresa com a sustentabilidade e a responsabilidade socioambiental.

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