Um museu de cera em Rolândia, no Paraná, que começou sua trajetória de forma humilde, ganhou projeção nacional e internacional após suas esculturas viralizarem nas redes sociais. Inicialmente abrigado na torre de uma igreja, o espaço agora se estabeleceu em um prédio histórico, exibindo obras que retratam figuras icônicas da cultura pop e da história, atraindo um fluxo crescente de visitantes.
O acervo, que ultrapassa 40 esculturas e mais de 150 telas, é fruto do trabalho do artista plástico Arlindo Armacollo. A iniciativa, que leva o nome do pai do artista, Izidoro Armacollo, demonstra um esforço contínuo de renovação e ampliação, consolidando-se como um ponto de interesse cultural na região.
Personalidades como o piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna, o Papa Francisco, a apresentadora Hebe Camargo, a líder humanitária Madre Teresa de Calcutá, além de ícones como Marilyn Monroe e Michael Jackson, compõem o conjunto de obras que chamam a atenção pela sua representatividade.
A jornada da criação artística e a explosão viral
A concepção do museu não foi um caminho linear. Arlindo Armacollo, antes de se dedicar às esculturas de cera, transitava entre as áreas de artes plásticas e o mercado imobiliário. A inspiração para a técnica da cera surgiu da sua inquietação artística e da busca por um ofício pouco explorado localmente.
O processo de aprendizado foi marcado por experimentações e descobertas autônomas. O artista relata a necessidade de pesquisar materiais, testar diferentes composições e desenvolver sozinho as técnicas para conferir textura, durabilidade e realismo às peças, incluindo a complexa obtenção dos variados tons de pele.
Essa dedicação incansável e a superação dos desafios técnicos foram fundamentais para a materialização do museu, que hoje se destaca como um dos atrativos mais singulares do norte paranaense. A habilidade em replicar figuras conhecidas em cera é um testemunho de sua persistência.
A notoriedade nacional chegou de forma inesperada, em 2021, com a rápida disseminação de imagens das esculturas pela internet. As obras, produzidas de maneira artesanal, com traços que foram considerados por alguns internautas como “amadores”, rapidamente se transformaram em memes e conteúdos virais, gerando grande repercussão nas redes sociais.
Essa onda de compartilhamentos, que ressurgiu anos após uma publicação original de 2015, colocou o museu no centro das atenções digitais. A transformação de comentários e piadas em oportunidade foi uma postura adotada por Armacollo diante da fama repentina, que impulsionou o interesse do público.
Rolândia: um mosaico cultural e econômico
Rolândia, situada no Norte Central do Paraná, é uma cidade marcada pela forte influência de diversas correntes culturais, incluindo a alemã, a japonesa e a italiana. Seu nome é uma homenagem a Roland, figura lendária da Idade Média, associada à bravura e à luta por liberdade.
Historicamente, a economia de Rolândia esteve intrinsecamente ligada à cultura cafeeira, sendo conhecida como a “Rainha do Café”. Contudo, um evento climático em 1975, a “geada negra”, dizimou boa parte das plantações no Paraná, forçando o município a buscar novas vocações econômicas.
Essa reconfiguração econômica levou à diversificação da produção agrícola, com o desenvolvimento de culturas como soja, milho, trigo, cana-de-açúcar e laranja. Mais recentemente, Rolândia tem investido em turismo e gastronomia, integrando-se à Rota da Cerveja Artesanal do Paraná, ampliando seu leque de atrativos para visitantes.
Com uma população estimada em cerca de 65 mil habitantes, segundo o IBGE, Rolândia se localiza a aproximadamente 394 quilômetros de Curitiba. O acesso é facilitado pelas rodovias BR-369 e PR-170, e o aeroporto mais próximo é o de Londrina, a cerca de 27 quilômetros de distância, o que a torna acessível para turistas.
Informações para visitação
O Museu de Cera de Rolândia oferece uma experiência cultural acessível, com entrada franca. O espaço está localizado na Avenida Romário Martins, número 626.
O horário de funcionamento é de quarta a sexta-feira, das 14h às 20h, e aos domingos, das 14h às 18h. Essa programação permite que moradores e visitantes planejem suas visitas e aproveitem o acervo peculiar da cidade.





