Uma nova exposição no Museu de Arte da Universidade Federal do Paraná (MusA-UFPR) explora a arte têxtil como ferramenta de expressão e reflexão. Intitulada “Bordar o Mundo – política do fio e do tempo nas mãos de mulheres”, a mostra, que tem entrada gratuita, reúne obras criadas predominantemente por mulheres, evidenciando o potencial do bordado e da costura como linguagens artísticas contemporâneas.
A iniciativa parte de uma oficina ministrada pela artista visual Claudia Lara, que buscou desvendar as camadas de memória, ancestralidade e experiência contidas no gesto têxtil. O processo criativo incentivou as participantes a resgatarem peças de vestuário e materiais com histórias preexistentes, transformando-os em obras autorais.
A proposta pedagógica combinou momentos de criação manual com reflexões escritas e partilhas coletivas, fomentando um diálogo entre as trajetórias individuais e a experiência do grupo.
A exposição em si não se limita a apresentar os resultados da oficina, mas expande a discussão para temas universais. As obras expostas abordam o corpo, o território, o afeto e a memória sob diversas perspectivas, demonstrando a riqueza e a complexidade das narrativas tecidas em fio.
A diversidade de materiais, técnicas e suportes utilizados pelas artistas reflete a pluralidade de suas investigações. As peças transitam entre trabalhos suspensos, instalações em parede e composições modulares, culminando em uma instalação de fios que interliga e redefine o espaço expositivo.
A Arte Têxtil como Elo com o Passado e o Presente
O bordado e a costura, historicamente associados a práticas domésticas e laborais femininas, são aqui ressignificados como potentes ferramentas de expressão artística e discurso social. Ao trabalhar com o fio, as artistas estabelecem uma conexão tangível com o passado, resgatando técnicas e histórias de suas antepassadas, ao mesmo tempo em que se posicionam criticamente sobre as questões do presente.
Essa reinterpretação das práticas têxteis permite que temas como identidade, resistência e memória sejam abordados de maneira sensível e profunda. A delicadeza do fio contrasta com a força das mensagens transmitidas, criando uma dualidade que cativa e instiga o espectador.
A própria natureza do trabalho manual, que exige tempo, paciência e dedicação, confere às obras uma carga simbólica especial. Cada ponto bordado pode representar uma lembrança, uma emoção ou um ativismo silencioso.
Um Espaço para Reflexão e Diálogo
A exposição “Bordar o Mundo” não se encerra com a apreciação das obras; ela convida à participação e ao debate. Eventos como visitas mediadas, que contarão com intérprete de Libras, e rodas de conversa buscam democratizar o acesso à arte e promover a troca de experiências entre o público e os artistas.
Essas atividades são fundamentais para aprofundar a compreensão sobre o processo criativo e os temas explorados, além de fortalecer a comunidade em torno da arte têxtil. O apoio do edital Sementes da Ancestralidade, da Fundação Cultural Palmares, demonstra o reconhecimento da relevância cultural e social deste projeto.
Serviço:
Exposição: Bordar o Mundo – política do fio e do tempo nas mãos de mulheres
Abertura: 16 de abril de 2026, às 18h30
Visitação: De segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 18h (exceto feriados).
Local: Museu de Arte da UFPR (MusA-UFPR) – Rua XV de Novembro, 695, 1º andar, Centro.
Entrada: Gratuita.
Eventos adicionais: Visita mediada com intérprete de Libras em 23 de abril, às 18h; Roda de conversa com intérprete de Libras em 30 de abril, às 18h.






