Megaoperação cumpre 215 mandados no Sul e Sudeste

🕓 Última atualização em: 14/10/2026 às 09:15

Uma vasta operação policial, coordenada pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) em colaboração com o Ministério Público do Paraná (MPPR), desarticulou nesta quarta-feira, 14 de outubro, uma complexa organização criminosa com ramificações em Paraná, Santa Catarina e São Paulo. A ação resultou no cumprimento de 215 mandados judiciais, incluindo 95 de prisão e 120 de busca e apreensão, visando desmantelar atividades ilícitas como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes violentos. Mais de 500 agentes policiais, com apoio de unidades de diferentes estados e recursos como cães farejadores, participaram das diligências.

As investigações detalhadas revelaram um esquema intrincado de lavagem de dinheiro, onde valores provenientes do tráfico de entorpecentes eram habilmente ocultados. Transações financeiras frequentemente ocorriam por meio de transferências via PIX para contas de terceiros, muitas vezes sem ligação direta com os detentos. Essa estratégia visava dificultar o rastreamento pelas autoridades, com depósitos fracionados e saques realizados de forma expedita.

Uma empresa de fachada foi identificada como parte central desse esquema financeiro, servindo para o recebimento de pagamentos relacionados à compra e venda de grandes carregamentos de drogas. A gestão de todas essas movimentações era meticulosamente registrada em planilhas de controle financeiro, demonstrando a sofisticação da organização.

O ponto de partida para a deflagração desta operação foi Clevelândia, no Sudoeste paranaense. Crimes violentos, como torturas e cárceres privados, atribuídos ao grupo contra indivíduos acusados de “traição”, além da cobrança de devedores do tráfico por meio de intimidação, impulsionaram o início das investigações.

A complexa estrutura de comando e controle

As apurações da PCPR desvendaram uma estrutura criminosa altamente organizada e transfronteiriça. As ordens para a execução de crimes chegavam às ruas de diversas cidades nos três estados, emanando de lideranças que operavam dentro do sistema prisional. O uso de celulares clandestinos apreendidos em penitenciárias paranaenses foi crucial para revelar essa rede de comando.

Dentro das unidades prisionais, a organização mantinha uma estrutura de poder paralela, com hierarquias e funções bem definidas. Havia um setor dedicado à fiscalização das regras da facção, com a aplicação de punições físicas contra presos considerados infratores. Esse controle interno demonstrava a capacidade do grupo de impor sua lei mesmo dentro do ambiente carcerário.

A logística de comunicação era mantida por meio de celulares e roteadores clandestinos, que eram escondidos, recarregados e circulados entre as celas. Essa infraestrutura garantia um contato constante com o exterior, permitindo a coordenação das atividades ilícitas e a manutenção da influência da organização.

Os membros externos da organização eram responsáveis por garantir o suprimento contínuo de entorpecentes, transportando-os e controlando pontos de venda. A colaboração de familiares e outros cúmplices, que muitas vezes escondiam drogas no corpo durante as visitas, era fundamental para o abastecimento e a expansão das operações.

As lideranças presas, conforme apurado, negociavam a aquisição e a distribuição de vultosas quantidades de cocaína, crack e maconha. O objetivo era a revenda dessas substâncias em diversas regiões, com preços predeterminados e um controle rigoroso do mercado ilegal de drogas.

O alcance geográfico e os alvos da operação

A abrangência desta organização criminosa é evidenciada pela lista de municípios onde foram cumpridos os mandados judiciais. No Paraná, as ações concentraram-se em cidades como Clevelândia, Pato Branco, Francisco Beltrão, Cascavel e Curitiba, entre outras.

A presença da organização se estendia para além das fronteiras paranaenses, com diligências também em Santa Catarina, em localidades como Abelardo Luz, e em São Paulo, incluindo cidades como São Carlos e Cotia. Essa dispersão geográfica reforça a necessidade de uma colaboração interinstitucional entre as forças de segurança pública dos diferentes estados para combater o crime organizado em sua totalidade.

A operação, que mobilizou um contingente expressivo de policiais e utilizou recursos tecnológicos avançados, incluindo a quebra de sigilo bancário e o acesso a dados de dispositivos eletrônicos apreendidos, representa um duro golpe contra o crime organizado. A Justiça autorizou o acesso a informações sigilosas para aprofundar as investigações e coletar provas robustas contra os envolvidos.

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