Máfia italiana agindo no porto do Paraná é desmantelada em operação da PF

🕓 Última atualização em: 17/09/2026 às 08:38

Uma operação policial deflagrada nesta quinta-feira (17) visa desmantelar uma complexa rede criminosa transnacional suspeita de enviar grandes volumes de cocaína da América do Sul para a Europa, utilizando o Porto de Paranaguá como principal ponto de escoamento. A ação, denominada Operação Eredità, cumpre mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em diversos estados brasileiros, além de determinar o sequestro de bens e o bloqueio de contas bancárias e aplicações financeiras dos investigados.

A investigação revelou uma parceria estratégica entre organizações criminosas brasileiras e a máfia italiana, indicando um nível sofisticado de coordenação e operação em escala internacional. O grupo se utilizava de rotas, contatos e mecanismos financeiros já estabelecidos, demonstrando uma estrutura resiliente que se adaptou após ações anteriores das forças de segurança.

A articulação criminosa se dedicava à logística completa para a exportação de entorpecentes. Isso incluía desde a aquisição da droga em território sul-americano até seu transporte, armazenamento e embarque oculto em cargas lícitas destinadas ao continente europeu.

As apurações se aprofundaram a partir de investigações anteriores, como as operações Retis e Spiderweb. Essas ações prévias já apontavam para a conexão entre grupos brasileiros e a máfia italiana na movimentação de drogas.

Mesmo após prisões de membros da máfia italiana em 2019, a estrutura criminosa manteve-se ativa. Familiares e antigos associados teriam assumido o controle das operações ilícitas, garantindo a continuidade do fluxo de cocaína.

O Refinamento Tecnológico e Financeiro da Rede

A organização criminosa demonstrava um elevado grau de sofisticação, empregando plataformas de comunicação criptografadas para dificultar a interceptação de suas comunicações. Recursos tecnológicos de contrainteligência eram utilizados para mascarar suas atividades.

Além disso, operadores financeiros especializados em movimentações clandestinas internacionais eram fundamentais para o esquema. Mecanismos complexos de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro eram empregados para disfarçar a origem ilícita dos recursos provenientes do narcotráfico.

Uma estrutura financeira intrincada era responsável por movimentar, ocultar e dissimular grandes somas de dinheiro. Isso incluía remessas internacionais clandestinas e o uso de sistemas paralelos de compensação.

Empresas de fachada e a aquisição de bens de alto valor eram estratégias recorrentes para dificultar o rastreamento dos fundos. As movimentações financeiras ocorriam em múltiplos países, ampliando a complexidade da investigação.

Parte significativa dos lucros obtidos na Europa era reinvestida em novas operações, sustentando um ciclo contínuo de financiamento para o tráfico.

As evidências colhidas pela Polícia Federal conectam a rede a pelo menos 11 apreensões de cocaína entre 2019 e 2020. No total, mais de 4,6 toneladas da droga foram apreendidas, com destinos diversos na Europa, como Itália, Bélgica, Holanda, França e Portugal.

Um volume considerável, cerca de 2,2 toneladas de cocaína, encontrava-se armazenado no Brasil no momento das prisões de 2019 e foi posteriormente redirecionado pela organização reestruturada.

Cooperação Internacional e o Combate ao Crime Transnacional

A Operação Eredità é um fruto direto da cooperação jurídica e policial internacional entre Brasil e Itália. Essa colaboração permitiu um entendimento aprofundado de toda a cadeia criminosa, desde a origem da droga até sua distribuição.

A Equipe Conjunta de Investigação (ECI), formalizada entre 2020 e 2025, integrou a Polícia Federal e o Ministério Público Federal do Brasil com o Departamento Anticrime de Turim (ROS Carabinieri) e o Ministério Público de Turim (Diretoria Antimáfia) da Itália.

Essa colaboração foi essencial para o intercâmbio de informações e provas, detalhando a conexão entre a máfia italiana e grupos criminosos brasileiros. O apoio do ROS Carabinieri foi fundamental para reconstruir a dinâmica das atividades criminosas.

A análise de mensagens criptografadas, dados telemáticos, registros financeiros e imagens de carregamentos contribuiu significativamente para a investigação.

A cooperação permitiu superar barreiras territoriais e integrar provas de diferentes jurisdições, aumentando a efetividade na resposta estatal. A iniciativa é um desdobramento das operações Samba e Mafiusi, que ocorreram em dezembro de 2024.

A Europol desempenhou um papel crucial, fornecendo análises operacionais e financeiras para rastrear fluxos ilícitos. Especialistas da Europol acompanharam a deflagração da operação no Brasil, facilitando a colaboração.

A agência também organizou reuniões operacionais, assegurando uma comunicação fluida entre as autoridades. O apoio da rede @ON, financiada pela União Europeia e liderada pela DIA italiana, também foi relevante.

A Operação Eredità, cujo nome em italiano significa “herança”, alude à continuidade das atividades criminosas e ao processo de sucessão dentro da organização. Investigações apontam que familiares e associados assumiram posições estratégicas, garantindo a continuidade das remessas de cocaína para a Europa mesmo após ações repressivas anteriores.

Os investigados poderão responder por crimes como tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A ação reforça a importância da colaboração internacional para combater o crime organizado transnacional e a capacidade das instituições de agir de forma coordenada.

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