Um lobo-marinho-sul-americano, jovem macho, foi reabilitado e solto no oceano na última quarta-feira (22), equipado com um transmissor satelital. O animal, com cerca de 1,20 metro de comprimento e 18 quilos, havia sido encontrado debilitado no balneário Shangri-lá, em Pontal do Paraná, durante o monitoramento de praias. A iniciativa visa aprofundar o conhecimento científico sobre os deslocamentos e o comportamento da espécie na costa.
Após avaliação e encaminhamento para o Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD), o animal recebeu cuidados intensivos. A equipe multidisciplinar dedicou-se ao tratamento veterinário, à nutrição adequada e ao monitoramento contínuo, assegurando que sua recuperação fosse completa antes do retorno ao ambiente natural.
O processo de reabilitação é fundamental para garantir que animais que chegam debilitados às praias tenham uma nova chance de sobrevivência. A soltura só ocorre após a confirmação de que o indivíduo recuperou plenamente suas condições físicas e comportamentais, apto a sustentar-se de forma independente no mar.
Coleta de amostras biológicas, microchipagem e marcação com brinco na nadadeira torácica foram procedimentos realizados. Essas ações não apenas contribuem para o acompanhamento do animal, mas também agregam dados valiosos para futuras pesquisas sobre a espécie.
Tecnologia para a Conservação
A colocação de um transmissor satelital no lobo-marinho representa um avanço significativo nos estudos de campo. Com peso aproximado de 140 gramas e dimensões de 8,3 x 5 cm, o dispositivo foi projetado para minimizar qualquer interferência na mobilidade e no comportamento natural do animal. Colado à pelagem, ele se desprende autonomamente após um período.
Este tipo de tecnologia, conhecido como telemetria, permite que pesquisadores acompanhem a trajetória do animal após sua reintegração ao ambiente marinho. As informações geradas são cruciais para entender as rotas de migração, as áreas de descanso preferenciais e os padrões de alimentação da espécie, especialmente durante sua passagem pela costa brasileira.
Embora o lobo-marinho-sul-americano seja relativamente comum no litoral paranaense, a compreensão de seus hábitos e deslocamentos ainda é limitada. O monitoramento satelital visa preencher essas lacunas, fornecendo dados essenciais para o desenvolvimento de estratégias de conservação mais eficazes e direcionadas.
Esta é a segunda soltura de pinípedes com monitoramento satelital realizada pela equipe em 2024, seguindo a reabilitação e soltura de um filhote de elefante-marinho-do-sul em janeiro, também acompanhado por meio de tecnologia similar.
A Importância do Conhecimento Científico
O lobo-marinho-sul-americano tem sua distribuição natural na América do Sul, com áreas reprodutivas concentradas em países como Argentina, Uruguai e Chile. Durante os meses mais frios, é comum observar indivíduos, particularmente os mais jovens, utilizando as costas do Sul e Sudeste do Brasil como pontos de parada temporária em suas jornadas em busca de alimento.
Mesmo após a soltura, o reencontro com o animal em praias locais é considerado um comportamento natural e esperado. Nesses casos, a orientação é manter uma distância segura, evitar qualquer tipo de contato físico ou alimentar o animal, e afastar animais domésticos. A comunicação imediata com as equipes de monitoramento é crucial nesses momentos.
A soltura de um animal reabilitado, com a devida marcação para monitoramento, simboliza não apenas o sucesso de um tratamento individual, mas também o fortalecimento de um conjunto de ações dedicadas à proteção da megafauna marinha e à preservação dos ecossistemas oceânicos.
O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), que viabiliza essas ações, é uma exigência do licenciamento ambiental federal para as operações de produção e escoamento de petróleo e gás na Bacia de Santos. No Paraná, a execução do projeto é coordenada pela equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná.






