A Prefeitura de Curitiba confirmou que realizará um leilão de 60 mil unidades de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepac) no dia 15 de outubro. Esta venda é um componente crucial da Operação Urbana Consorciada (OUC) da Linha Verde, um plano de desenvolvimento de longo prazo para a região. Cada certificado será ofertado a R$ 530, com a participação aberta ao mercado e a operação conduzida pela B3.
Esta transação marca a primeira oferta pública de Cepacs dentro da quinta distribuição autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 3 de setembro de 2026. O edital e o anúncio oficial foram publicados no Diário Oficial do Município, indicando um passo significativo para a reconfiguração urbana.
A presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Ana Zornig Jayme, destacou o compromisso da prefeitura em mobilizar recursos para os projetos em andamento. A aprovação da documentação pela CVM agiliza o processo, permitindo uma resposta mais rápida às demandas do mercado e aos ciclos de desenvolvimento da cidade.
Investidores interessados em adquirir os Cepacs podem contatar o BB – Banco de Investimento S.A., responsável pela coordenação dos leilões, ou buscar corretoras credenciadas na B3. Informações detalhadas sobre a OUC da Linha Verde e as corretoras autorizadas estão disponíveis online.
Desde o início da OUC Linha Verde, há 14 anos, a cidade já promoveu 12 leilões, totalizando uma arrecadação de R$ 76,9 milhões através da venda de 270.676 certificados. Este histórico demonstra a sustentabilidade e a importância dessas operações para o financiamento do desenvolvimento urbano.
A Estratégia por Trás do Potencial Construtivo
A aquisição de um Cepac concede aos investidores o direito de construir áreas adicionais dentro da zona de influência da OUC Linha Verde. Esse mecanismo permite a verticalização planejada e o adensamento em áreas estratégicas da cidade, promovendo um desenvolvimento mais equilibrado.
A Linha Verde foi dividida em três setores – Norte, Central e Sul – cada um com um potencial adicional de construção específico. Ao todo, estima-se um acréscimo de 4,47 milhões de metros quadrados de área edificável, distribuída entre usos residenciais, comerciais e de serviços.
O setor Norte dispõe de 1,28 milhão de metros quadrados adicionais, com predominância para residências (75%), e o restante para não residenciais. O setor Central oferece 1,27 milhão de m², com um equilíbrio maior entre usos residenciais (60%) e não residenciais (40%).
Já o setor Sul, com o maior potencial de 1,92 milhão de m², prioriza o desenvolvimento residencial (80%), reservando 20% para o comércio e serviços. Essa segmentação visa atender às diferentes vocações e necessidades de cada região da cidade.
A distribuição total aponta para 73% de área adicional destinada a habitações e 27% para empreendimentos comerciais e de serviços. Essa política de zoneamento contribui para a diversificação econômica e a oferta de moradias dentro de eixos de mobilidade urbana.
Impacto e Perspectivas Futuras do Desenvolvimento Urbano
As Operações Urbanas Consorciadas, como a da Linha Verde, representam um modelo de gestão territorial que alinha os interesses públicos com os privados. Elas permitem a mobilização de recursos financeiros para a execução de projetos de infraestrutura e melhorias urbanas, ao mesmo tempo em que oferecem oportunidades de investimento no mercado imobiliário.
A continuidade desses leilões é fundamental para a concretização dos planos de desenvolvimento da cidade. A oferta de Cepacs viabiliza a construção de novos empreendimentos, impulsionando a economia local, gerando empregos e promovendo a revitalização de áreas urbanas.
A expectativa é que a demanda por certificados se mantenha aquecida, refletindo o interesse do mercado na dinâmica de crescimento de Curitiba. A transparência no processo de leilão e a clareza nas regulamentações são essenciais para atrair e garantir a confiança dos investidores.
O sucesso da OUC Linha Verde pode servir de modelo para outras iniciativas de desenvolvimento urbano no país. Ao combinar planejamento estratégico, participação do mercado e gestão eficiente, a cidade demonstra um caminho promissor para a urbanização sustentável e o aprimoramento da qualidade de vida de seus cidadãos.






