Lago em Curitiba ajuda a conter alagamentos no maior bairro da capital

🕓 Última atualização em: 28/05/2026 às 21:02

Um importante reservatório de contenção de águas pluviais, localizado no Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), completa uma década de atuação eficaz no controle de inundações. A estrutura, projetada para gerenciar o fluxo do Rio Barigui, tem se mostrado fundamental para a segurança hídrica da região e para a qualidade ambiental.

Sua presença mitiga os impactos de chuvas intensas, prevenindo alagamentos que historicamente afetavam a comunidade e a infraestrutura urbana do maior bairro da capital paranaense. O reservatório não só cumpre um papel vital na infraestrutura de drenagem, mas também se tornou um elemento paisagístico e um símbolo do compromisso com o desenvolvimento sustentável.

A gestão hídrica, especialmente em centros urbanos densamente povoados, exige soluções inovadoras e de longo prazo. O lago do Tecpar exemplifica uma abordagem que integra planejamento urbano e responsabilidade ambiental, gerando benefícios diretos para a população e para o ecossistema local.

Este tipo de intervenção representa uma contribuição significativa para a resiliência urbana frente aos desafios climáticos. A capacidade do lago em absorver e regular o volume de água da chuva é crucial para a estabilidade do sistema hídrico da bacia do Barigui.

Soluções baseadas na natureza e cidades-esponja

A estrutura do Tecpar é um caso notório de aplicação de Soluções Baseadas na Natureza (SBNs). Este conceito engloba estratégias que protegem, restauram e gerenciam ecossistemas para enfrentar desafios sociais complexos, como a gestão de chuvas intensas agravadas pelas mudanças climáticas. As SBNs visam otimizar a conservação da biodiversidade, ao mesmo tempo em que geram benefícios ecológicos, econômicos e promovem o bem-estar humano.

Dentro deste paradigma, ganham destaque as Cidades-Esponja, um modelo de urbanismo sustentável idealizado pelo arquiteto chinês Kongjian Yu. O objetivo é utilizar a própria natureza para absorver, reter e reintegrar a água da chuva de forma controlada no ambiente urbano, transformando desafios em oportunidades.

O lago do Tecpar, antes mesmo da popularização do termo “cidade-esponja”, opera como um reservatório de detenção. Sua função primordial é absorver as flutuações de volume de água pluvial e liberá-la gradualmente, de maneira equilibrada e segura, prevenindo sobrecargas no sistema de drenagem e regulando o escoamento natural.

A intervenção teve um impacto positivo na conservação da biodiversidade e no equilíbrio ecológico do Rio Barigui. A redução dos picos de vazão causados pelo acúmulo de água de chuva e a diminuição dos processos erosivos nas margens do rio são resultados diretos, favorecendo a preservação da mata ciliar e os processos ecológicos no entorno, como ressalta a bióloga Leila Teresinha Maranho, doutora em Engenharia Florestal e atuante no Tecpar.

Um legado de dez anos e revitalização

A história do lago remonta à instalação do Tecpar na Cidade Industrial de Curitiba, ainda na década de 1980. Contudo, foi em 2016 que o reservatório passou por uma revitalização crucial. O objetivo era mitigar problemas ambientais preexistentes, como o assoreamento e a contaminação por ligações irregulares de esgoto, que comprometiam o ecossistema local.

Após uma intervenção significativa que incluiu a canalização adequada do esgoto e a preparação do espaço para o represamento de água, o novo lago foi batizado de “Espaço Futuro”. Esta ampliação mais que dobrou a capacidade de armazenamento, elevou a qualidade da água e transformou seu entorno em uma área de lazer e convivência, com a adição de uma pista de caminhada, paisagismo e o plantio de dezenas de árvores nativas, como Ipê-amarelo, Ipê-roxo, Araçá, Guabiroba e Jabuticaba.

Dez anos após essa reestruturação, o lago se tornou um refúgio para uma diversidade de vida selvagem. A presença de peixes, anfíbios, insetos, répteis e diversas aves aquáticas, como garças, socós, marrecas e biguás, atesta a recuperação e o sucesso do projeto em restaurar um ambiente propício à biodiversidade.

O Rio Barigui, por sua vez, é um curso d’água de grande importância na Região Metropolitana de Curitiba. Com aproximadamente 67 quilômetros de extensão, sua nascente está na Serra da Betara, em Almirante Tamandaré, e ele atravessa 18 bairros da capital, desaguando no Rio Iguaçu. Seu nome de origem indígena, que significa “rio do fruto espinhoso”, evoca a presença histórica das araucárias em sua bacia hidrográfica.

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