Inspetora “queridinha” do Colégio Estadual do Paraná cria bordão que embala entrada de alunos

🕓 Última atualização em: 26/06/2026 às 21:22

O afeto e a dedicação de uma inspetora no Colégio Estadual do Paraná (CEP), em Curitiba, transcenderam os muros da instituição e ecoaram em forma de música. Lidia Maria Ferreira, conhecida carinhosamente como tia Lidia, com 19 anos de atuação no colégio, viu seu famoso bordão “Meus amores” ser eternizado em um jingle que agora saúda os estudantes. A melodia, com batida de funk, é tocada nos momentos de entrada e retorno de intervalos, marcando a presença acolhedora da profissional.

A jornada de Lidia no CEP, um colégio com estrutura imponente, que abriga milhares de alunos e dezenas de salas, demandou um período de adaptação significativo. Vinda de centros de educação infantil, a mudança para um ambiente escolar de grande porte exigiu até o uso de anotações para que ela não se perdesse pelos corredores. Atualmente, essa dificuldade inicial se transformou em familiaridade e um profundo senso de pertencimento.

A inspetora, que completou 65 anos e deu entrada na aposentadoria por tempo de serviço, ressalta que a ideia de parar de trabalhar não lhe agrada. Lidia expressa que o colégio é seu local de trabalho e que ela se dedica integralmente a ele, oferecendo o melhor de si aos estudantes. Acreditando na capacidade transformadora de sua profissão, ela defende a importância do reconhecimento e da valorização de todos os profissionais da educação.

Para Lidia, o acolhimento a todos os alunos, independentemente da idade ou série, é fundamental. Ela lida com estudantes do ensino fundamental ao subsequente, e acredita que o bem-estar no ambiente escolar começa com um recebimento caloroso. Essa filosofia de trabalho gera uma reciprocidade positiva, com os alunos demonstrando carinho através de gestos simples, como cumprimentos, ofertas de doces e, acima de tudo, amor.

A Essência da Empatia e a Força do Carisma

A característica marcante de Lidia é a sua capacidade de tratar a todos com a mesma cordialidade, um traço que ela atribui à sua essência e à criação familiar. Originária de Lages, em Santa Catarina, Lidia se mudou para Curitiba e sempre manteve uma postura comunicativa e assertiva, herdada de seus pais. A valorização da dignidade e a empatia com o próximo são pilares que ela cultiva e transmite.

Mesmo em dias desafiadores, Lidia mantém a serenidade e o profissionalismo. Ela afirma que problemas pessoais são deixados do lado de fora do portão da escola, pois o ambiente de trabalho exige foco e dedicação. Essa postura demonstra um forte compromisso com os estudantes e a instituição, reforçando a ideia de que o trabalho é uma prioridade.

O reconhecimento de seu trabalho vai além do cotidiano. Lidia relembra com carinho de um ex-aluno, hoje jogador de futebol, que, mesmo após se mudar para buscar novas oportunidades profissionais, sempre retorna a Curitiba para visitá-la. Essa interação, que começou nos corredores do CEP, demonstra o impacto duradouro de sua atuação e a formação de vínculos genuínos que transcendem o tempo.

Um Legado Sonoro e a Luta por Valorização

A inserção da voz de Lidia no sistema de som do CEP representa um marco em sua trajetória profissional. A inspetora demonstra profunda emoção ao ver seu bordão eternizado, interpretando o gesto como uma validação de sua paixão pela educação e do seu trabalho. Para ela, este reconhecimento reforça a importância de cada indivíduo na comunidade escolar, reafirmando que ninguém é invisível.

A inspetora Lidia Maria Ferreira, com sua trajetória de quase duas décadas no Colégio Estadual do Paraná, personifica a importância do acolhimento e da empatia no ambiente educacional. Sua luta diária é por um maior reconhecimento para todos os profissionais que, assim como ela, desempenham um papel crucial na formação de jovens, muitas vezes com recursos limitados.

O desejo de Lidia é que todo o corpo funcional – da limpeza à inspetoria – seja devidamente valorizado. Ela enfatiza que a dedicação e o cuidado dispensados aos alunos merecem ser reconhecidos não apenas pelo afeto recíproco, mas também por melhores condições de trabalho e remuneração. A inspetora acredita firmemente que a valorização desses profissionais é essencial para a manutenção de um ambiente escolar saudável e produtivo, capaz de impactar positivamente a vida de milhares de estudantes.

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