Um termo de ajustamento de conduta firmado entre o Ministério Público do Paraná (MPPR) e o Hospital Angelina Caron, instituição filantrópica localizada em Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba, estabelece um compromisso de expansão significativa dos atendimentos e leitos oferecidos à população através do Sistema Único de Saúde (SUS). O acordo, com duração de 16 anos, prevê um investimento estimado em mais de R$ 100 milhões em serviços médico-hospitalares e ambulatoriais, além de uma dotação de R$ 51,1 milhões a ser restituída ao Estado.
A iniciativa visa garantir a oferta de aproximadamente 65,2 mil atendimentos gratuitos pelo SUS, o que se traduz em um acréscimo de 340 procedimentos mensais. Estes serviços englobam desde cirurgias de média e alta complexidade até tratamentos oncológicos, como quimioterapia e radioterapia.
O compromisso de longo prazo representa um marco na relação entre a instituição privada de caráter filantrópico e o sistema público de saúde, direcionando recursos e capacidade operacional para atender a uma demanda crescente.
A resolução consensual desses inquéritos civis e processos administrativos busca sanar pendências e garantir a continuidade e ampliação de serviços essenciais para a comunidade.
O acordo, homologado pelo Tribunal de Justiça, foi fruto de negociações envolvendo o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), e o MPPR, que conduziu as apurações.
Ampliação Estrutural e de Serviços
A contrapartida do Hospital Angelina Caron vai além da prestação de serviços, abrangendo a expansão de sua infraestrutura física. Atualmente, a instituição conta com 466 leitos SUS cadastrados. O termo de ajustamento prevê a adição de 74 novos leitos, distribuídos estrategicamente: 12 no Hospital-Dia, 22 na ala de enfermaria e mais 40 leitos SUS gerais.
Essa ampliação de capacidade é fundamental para absorver a demanda adicional estipulada no acordo, assegurando que os novos atendimentos não prejudiquem os contratos já vigentes com o SUS. A gestão hospitalar deverá manter uma capacidade operacional robusta durante toda a vigência do termo.
É crucial notar que o hospital se comprometeu a não firmar novos contratos que possam comprometer o atendimento às obrigações assumidas com o SUS. Essa cláusula visa garantir a prioridade e a suficiência dos serviços públicos.
A expansão física e a alocação de novos leitos representam um investimento direto na saúde pública, respondendo a uma necessidade de aumentar a oferta de serviços de saúde de qualidade para a população.
A meta é garantir que a população tenha acesso a tratamentos complexos sem a necessidade de longas filas de espera ou deslocamentos.
Contexto e Mecanismos de Fiscalização
A celebração deste termo de ajustamento de conduta é o resultado de um processo minucioso conduzido pelo Ministério Público do Paraná, através de seus grupos especializados na proteção do patrimônio público e combate à improbidade administrativa. O acordo visa reparar danos ao erário e à coletividade.
A resolução consensual busca otimizar a aplicação de recursos públicos e garantir que a atuação de instituições privadas com caráter filantrópico esteja alinhada às necessidades de saúde da população. A homologação judicial confere força legal e obrigatoriedade às cláusulas estabelecidas.
A fiscalização do cumprimento das obrigações pactuadas será uma responsabilidade compartilhada entre o MPPR e a Sesa. Essa supervisão conjunta garante que os termos do acordo sejam rigorosamente seguidos, assegurando a transparência e a efetividade das ações.
A metodologia de restituição financeira ao Estado, em parcelas mensais ao longo de 16 anos, demonstra um planejamento de longo prazo para a reparação e o investimento em serviços de saúde.
O foco na saúde como política pública essencial é o pilar central deste acordo, que visa fortalecer o acesso e a qualidade do atendimento pelo SUS.






