Homem que matou a ex-esposa ao deixar filhos na escola vai a júri nesta terça

🕓 Última atualização em: 13/10/2026 às 09:10

Um julgamento aguarda Jaminus Quedaros de Aquino, de 59 anos, que enfrentará o Tribunal do Júri acusado de assassinar sua ex-esposa, Suellen Helena Rodrigues, em um ataque ocorrido em frente a uma escola no bairro Uberaba, em Curitiba. O trágico evento se desenrolou em 31 de outubro de 2022, precisamente no momento em que a vítima acompanhava seus filhos à instituição de ensino. A vítima, que havia recentemente se mudado para a capital paranaense, possuía uma medida protetiva de urgência contra o réu.

O Ministério Público do Paraná, em agosto de 2023, formalizou a denúncia contra Jaminus, imputando-lhe a acusação de homicídio triplamente qualificado. As qualificadoras apontam para feminicídio, motivo torpe e a utilização de um meio que resultou em perigo comum. Paralelamente, o réu responde a outras acusações, incluindo ameaça e descumprimento de medida protetiva, referentes a incidentes ocorridos em Prudentópolis, cidade de onde a vítima havia se originado.

A análise do caso ganha contornos ainda mais sombrios quando considerada uma condenação anterior do réu. No ano passado, Jaminus foi sentenciado a 35 anos de prisão em regime fechado por tortura praticada contra seus dois filhos, em um período em que ainda residia com a família. A decisão judicial, passível de recurso, também estabeleceu o pagamento de uma indenização de R$ 25 mil às vítimas e a perda do poder familiar, um reflexo da gravidade das agressões.

As investigações que levaram à condenação anterior revelaram um padrão de violência. Conforme detalhado na sentença, as crianças testemunharam e relataram pelo menos cinco episódios de agressões entre 2017 e 2022. Estes atos incluíam tapas, cintadas e castigos severos, como o confinamento em cadeirinhas no escuro, evidenciando um ambiente de constante medo e sofrimento.

Os depoimentos coletados durante a investigação da tortura também trouxeram à tona relatos de agressões contra animais de estimação da família. Um detalhe particularmente perturbador mencionado no processo é que Suellen, a vítima fatal, chegou a instruir um dos filhos a se refugiar no banheiro para escapar das agressões do pai. Essa informação sublinha a vulnerabilidade a que as crianças eram expostas.

Impacto psicológico e a importância do julgamento

O juiz responsável pela sentença de tortura ressaltou o profundo sofrimento psicológico imposto às crianças. A exposição constante a ameaças contra a mãe e os maus-tratos aos animais criaram um trauma duradouro. A violência doméstica, neste caso, extrapolou os limites físicos, afetando a saúde mental dos menores de forma significativa.

A sentença de tortura, com a perda do poder familiar, demonstrou a tentativa do sistema judiciário de proteger as crianças e mitigar os danos. No entanto, a tragédia que se seguiu levanta questões sobre a eficácia das medidas de proteção e a necessidade de uma abordagem mais abrangente na prevenção e no combate à violência de gênero e intrafamiliar. O julgamento iminente focará na responsabilidade de Jaminus pelo homicídio de Suellen.

O futuro e a justiça para Suellen

O julgamento de Jaminus Quedaros de Aquino no Tribunal do Júri é um passo crucial na busca por justiça para Suellen Helena Rodrigues. A decisão do júri terá implicações não apenas para o réu, mas também para a família e para a sociedade em geral, reforçando a necessidade de responsabilização em casos de violência extrema.

A análise dos detalhes do crime, incluindo o contexto de uma medida protetiva vigente, será fundamental para a definição da pena. Este caso ressalta a importância de um sistema de justiça eficaz e atento às complexidades da violência doméstica, buscando garantir que atos tão cruéis não fiquem impunes e que a memória de Suellen seja honrada.

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