Grito dos Excluídos e Excluídas toma as ruas de Curitiba em manifestação histórica; veja fotos

🕓 Última atualização em: 07/09/2026 às 19:01

A cidade de Curitiba foi palco, nesta segunda-feira (7), da 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas. Apesar das condições climáticas adversas, com chuva e frio, centenas de pessoas se reuniram para dar voz a diversas pautas sociais. O evento, que tem como tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!”, este ano focalizou a importância da soberania feminina e a defesa do planeta, sob o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”.

A mobilização teve início na Praça Tiradentes, reunindo uma gama diversificada de participantes. Movimentos populares, sindicatos, pastorais, entidades religiosas e grupos engajados em lutas sociais marcaram presença no ato. A manifestação é um evento nacional, tradicionalmente realizado no Dia da Independência, servindo como plataforma para expor demandas urgentes.

Entre as principais reivindicações levantadas pelos manifestantes, destacaram-se a proteção contra ameaças de despejo que afetam famílias em ocupações urbanas. A luta pela interrupção do modelo cívico-militar em escolas no estado do Paraná também esteve em pauta.

A crescente onda de feminicídio e a busca por segurança para as mulheres foram temas centrais. Adicionalmente, a reivindicação pelo fim da jornada de trabalho 6×1, que impacta diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores, foi fortemente defendida.

O Grito dos Excluídos se consolida como um espaço fundamental para a articulação de diferentes setores da sociedade civil. A participação de entidades sindicais, como a CUT, busca amplificar a pressão política e reforçar o diálogo social sobre questões cruciais.

Milton Rezende, conhecido como Miltinho e secretário nacional de Mobilização da CUT, ressaltou a importância da união das entidades. “Precisamos fazer das ruas e das redes espaços permanentes de pressão e diálogo com a sociedade, em defesa de mais tempo para viver, descansar, cuidar, conviver e promover a inclusão social”, declarou.

Análise da Mobilização e suas Repercussões

A realização do Grito dos Excluídos em um dia de feriado nacional, como o Dia da Independência, confere um peso simbólico à mobilização. Ao ocupar o espaço público e levantar bandeiras sociais em paralelo às celebrações cívicas, os participantes questionam o conceito de independência quando direitos básicos não são garantidos a todos os cidadãos. A escolha do tema este ano, com foco em mulheres vivas e soberania, reflete uma profunda análise sobre a intersecção entre a violência de gênero, a exploração do trabalho e a necessidade de autodeterminação em diferentes âmbitos.

A demanda pela reforma na jornada de trabalho, especificamente o fim do modelo 6×1, é um exemplo claro de como o Grito busca trazer para o debate público questões que afetam diretamente o bem-estar e a saúde mental dos trabalhadores. A busca por mais tempo para descanso, convivência e cuidado pessoal é apresentada não como um luxo, mas como um direito fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa. A Pressão política exercida por meio de manifestações como essa visa influenciar a agenda legislativa e promover mudanças concretas nas leis e políticas públicas.

A persistência do tema “Vida em Primeiro Lugar!” ao longo das décadas sinaliza uma preocupação constante com a dignidade humana e a proteção contra violências em suas diversas formas. A presença de famílias em ocupações urbanas, por exemplo, expõe a crise habitacional e a vulnerabilidade de parcelas significativas da população, demandando políticas públicas mais eficazes para garantir o direito à moradia digna.

O Impacto das Pautas Sociais na Agenda Pública

O Grito dos Excluídos transcende a mera manifestação. Ele atua como um termômetro social, indicando as principais preocupações e insatisfações da população que se sente marginalizada ou cujos direitos são constantemente ameaçados. A articulação entre diferentes movimentos e entidades confere força e legitimidade às pautas apresentadas, aumentando a capacidade de influência na tomada de decisões governamentais.

A ênfase nas mulheres vivas, por exemplo, não se limita a denunciar o feminicídio, mas abrange também a luta por autonomia financeira, respeito e igualdade de oportunidades. Ao vincular essa pauta à defesa da Terra e à paz, o movimento reconhece que a violência contra as mulheres está intrinsecamente ligada a estruturas sociais e ambientais de opressão. A exigência de moradia, por sua vez, dialoga com a necessidade de segurança e estabilidade para famílias, combatendo a precariedade e a exclusão.

A pressão exercida pelas ruas, aliada à atuação das entidades civis, pode catalisar debates legislativos e influenciar a formulação de políticas públicas mais inclusivas. O Grito dos Excluídos, portanto, é um componente vital no processo democrático, assegurando que as vozes daqueles que frequentemente são silenciados na arena política tenham espaço para serem ouvidas e consideradas. A continuidade do evento demonstra a relevância e a urgência das questões que ele representa.

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