Curitiba se prepara para celebrar a arte da animação em sua 25ª edição do Festival Espetacular de Teatro de Bonecos, um evento que se estende por oito dias, apresentando 27 espetáculos de companhias brasileiras e internacionais. A programação, iniciada neste domingo, 12 de julho, e com duração até o dia 19, reúne diversas técnicas e linguagens do teatro de animação, com apresentações em locais icônicos da cidade.
Desde sua primeira edição em 1991, o festival, sob a produção do Centro Cultural Teatro Guaíra, tem se estabelecido como um ponto de encontro fundamental entre artistas de diferentes gerações e um público diversificado. A iniciativa não apenas fomenta a difusão e a preservação da arte bonequeira, mas também impulsiona intercâmbios culturais e apresenta ao público as inovações e tradições do gênero.
A cidade será palco de uma rica tapeçaria de performances, explorando desde os tradicionais mamulengos até as mais contemporâneas formas animadas e teatro de objetos. A diversidade é a marca registrada desta edição, prometendo experiências únicas para todas as idades.
Os espaços que receberão as apresentações incluem o Teatro José Maria Santos, o Miniauditório do Teatro Guaíra e o Guairinha. Além disso, o festival promove a acessibilidade e o alcance cultural com apresentações gratuitas em locais de grande circulação, como o vão-livre do Museu Oscar Niemeyer e o Pátio do Teatro Guaíra.
Os ingressos para os espetáculos pagos têm o valor de R$ 20 para a inteira e R$ 10 para a meia-entrada. A organização reforça o compromisso com a acessibilidade, oferecendo recursos como audiodescrição e tradução em Libras para garantir que o maior número de pessoas possa usufruir da programação.
A cerimônia de abertura contou com o espetáculo “Body Rhapsody”, do renomado grupo peruano Teatro Hugo & Inês, que se apresentou no Teatro José Maria Santos em sessões às 11h e às 16h. No mesmo domingo, o vão-livre do Museu Oscar Niemeyer sediou cinco apresentações gratuitas de teatro lambe-lambe, oferecendo ao público intervenções artísticas em miniatura.
Durante a semana, de segunda a sexta-feira, o Pátio do Teatro Guaíra também se transforma em palco para apresentações gratuitas, geralmente no período da tarde. Estas sessões, que não exigem retirada prévia de ingressos, são uma oportunidade para o público apreciar a arte bonequeira em um ambiente mais informal e acessível.
A Reinvenção da Arte e a Celebração da Cultura
O teatro de animação, em suas variadas manifestações como marionetes, teatro de sombras, mamulengo e formas animadas, demonstra uma capacidade ímpar de se reinventar. O festival deste ano celebra essa vitalidade, apresentando um repertório que abrange desde produções consagradas e premiadas até experimentações que desafiam os limites da performance.
Nomes internacionais como o argentino Sérgio Mercúrio e a companhia Alquimia Títeres enriquecem a programação, ao lado de produções brasileiras de diversas regiões. Companhias como Truks (SP), Cia Teatro Lumbra (RS) e Cia Mútua (SC) trazem suas montagens premiadas, enquanto grupos paranaenses como o Grupo Anamá Teatro de Bonecos e Formas Animadas e a Di Trento Produções também marcam presença.
A particularidade das apresentações de teatro lambe-lambe, que oferecem histórias intimistas e poéticas em pequenas caixas cênicas, exemplifica a criatividade intrínseca a esta forma de arte. Cada apresentação, para um espectador por vez, transforma objetos cotidianos em portais para universos de imaginação, reforçando a conexão entre o artista e o público em uma experiência singular.
Essa diversidade de técnicas e linguagens reflete a própria evolução do teatro de animação, que dialoga com o público de maneiras cada vez mais inovadoras e envolventes. A programação se estrutura para ser um reflexo dessa riqueza, cativando tanto os aficionados pelo gênero quanto aqueles que o descobrem pela primeira vez.
Legado e Inspiração: Homenagem a uma Mestra
Uma das homenagens mais significativas desta edição é dedicada à Mestra Efigênia Ramos Rolim, figura proeminente da cultura popular brasileira que nos deixou em março. Conhecida como a “Rainha do Papel”, Efigênia dedicou sua vida a transformar materiais descartados em obras de arte, influenciando gerações de artistas com sua inventividade e poesia.
Sua trajetória como contadora de histórias, poeta, escultora e bonequeira é um testemunho da capacidade de transmutar o ordinário em extraordinário. A relação especial que mantinha com o festival, através de oficinas e compartilhamento de sua metodologia única, solidificou seu legado como um símbolo de resiliência e criatividade.
A homenagem à Mestra Efigênia não é apenas um reconhecimento a uma artista individual, mas uma celebração da cultura popular e da força transformadora da arte. Sua obra continua a inspirar, demonstrando que a criatividade não conhece limites de material ou contexto, e que a poesia pode florescer nos lugares mais inesperados.
O festival, ao honrar sua memória, reforça seu compromisso em manter viva a chama da tradição, ao mesmo tempo em que abre espaço para as novas vozes e inovações. A arte bonequeira, assim, se perpetua como um elo entre passado, presente e futuro, enriquecendo o panorama cultural com sua magia e encanto.






