Festa do Fandango Caiçara impulsiona economia e gera empregos no Litoral do Paraná

🕓 Última atualização em: 10/10/2026 às 12:39

A cidade de Paranaguá, no litoral paranaense, se prepara para sediar a 17ª Festa Nacional do Fandango Caiçara, um evento de grande porte que reunirá mais de 20 grupos de fandango de quatro estados brasileiros: Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. O festival, com entrada gratuita, ocorrerá entre os dias 29 de outubro e 1º de novembro, oferecendo uma programação diversificada que inclui apresentações musicais, debates aprofundados sobre a cultura caiçara, mostra de cinema, peças de teatro infantil e uma rica feira de culinária regional. A organização, a cargo da Associação de Cultura Popular Mandicuera, projeta um impacto econômico significativo para a região, com a geração de centenas de empregos diretos e milhares de postos de trabalho indiretos em setores como hospedagem, alimentação e comércio.

A programação acadêmica e cultural do evento busca fomentar a reflexão sobre a identidade caiçara. No dia 29 de outubro, haverá dois importantes ciclos de diálogo: o primeiro, intitulado “Comunidades Tradicionais Caiçaras no Território”, será realizado no Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR. No mesmo dia, à tarde, a Associação Mandicuera sediará o debate sobre “Escola Caiçara e Educação Quilombola”, abordando a importância da preservação cultural no ambiente educacional.

O dia 30 de outubro promete ser marcado por discussões inovadoras. Pela manhã, ocorrerá o “Xiloteca Caiçara”, um encontro dedicado ao estudo do material que dá forma e som ao fandango, explorando as madeiras utilizadas na construção de instrumentos. Após este encontro, o músico carioca Marcelo Portela apresentará um show. A tarde será dedicada ao debate “Diálogo Musical Caiçara: Fronteiras, Hibridismos e Aproximações do Fandango com Outras Cenas Sonoras”, promovendo um intercâmbio entre diferentes manifestações musicais.

O dia 31 de outubro reservou o “Café Intiruma: Roda de Conversa com Mestres Construtores”. O termo caiçara “intiruma” refere-se à primeira refeição do dia, simbolizando um momento de partilha e sabedoria entre os mestres que perpetuam o saber fazer do fandango. O encontro acontecerá no Ateliê Rodrigo Domingues, localizado na sede da Associação Mandicuera, fomentando a transmissão de conhecimento entre gerações.

A Preservação e Difusão do Fandango

A preservação do fandango, uma dança e canto de grande importância cultural para o litoral brasileiro, é um dos pilares centrais desta edição do festival. A festa não se limita a apresentações, mas busca através de oficinas e debates, garantir a continuidade dessa tradição. A recente iniciativa de oficinas gratuitas de fandango, realizadas em escolas públicas entre agosto e outubro deste ano, é um exemplo concreto desse esforço, visando formar novos adeptos e perpetuar o legado artístico.

A organização do evento, liderada pela Associação de Cultura Popular Mandicuera, tem ampliado o alcance das ações culturais. Para além das atividades concentradas nos dias do festival, diversas iniciativas foram promovidas ao longo do ano de 2026, incluindo bailes na Ilha do Mel e apresentações em escolas municipais da Ilha dos Valadares, demonstrando um compromisso contínuo com a difusão e o fortalecimento da cultura caiçara em diferentes esferas e públicos.

A abertura oficial do evento, marcada para 30 de outubro, contará com a performance da Orquestra Rabecônica do Brasil, seguida por apresentações de alunos das escolas municipais e estaduais de Paranaguá que participaram das oficinas de fandango. Este momento simboliza a transição do aprendizado para a performance pública, celebrando o talento emergente.

A presença de mais de 20 grupos fandangueiros de diferentes regiões é um testemunho da diversidade e riqueza do fandango. O retorno do grupo Fandango do Rocio, de Iguape (SP), após um hiato desde 2018, é um dos destaques, assim como a participação de formações tradicionais como Mestre Pedrinho (Ubatuba/SP), Violas de Ouro (Cananéia/SP) e Dona Mariquinha e as Fandangueiras, que representam a força feminina na manutenção desta arte. Outros grupos renomados, como Mestre Zé Pereira e os Fandangueiros do Ariri e Família Domingues e Pirão do Mesmo, demonstram a abrangência geográfica e a profundidade histórica do movimento fandangueiro.

Grupos como Caiçara Marola (Superagui/PR), Caiçara de Ubatuba (Ubatuba/SP) e Mestre Eugênio (Ilha dos Valadares/PR) contribuem para a riqueza de estilos e tradições apresentadas. A inclusão de nomes como Manema (Juréia/SP), Mandicuera (Ilha dos Valadares/PR) e Mucunã (Paranaguá/PR) ressalta a amplitude do festival, que abrange desde formações consolidadas até expressões mais recentes da cultura fandangueira.

A lista de participantes é complementada por Mestre Zeca e o Grupo Viola Afinada, Raízes Fandangueira, Mandipuva, Canto da Viola e Chamarrita do Pontal, abrangendo um mosaico sonoro e cultural que enriquece a experiência dos espectadores e contribui para a interconexão das diversas comunidades fandangueiras.

A Riqueza da Gastronomia Caiçara

Paralelamente às manifestações artísticas, a 17ª Festa Nacional do Fandango Caiçara oferecerá uma imersão na culinária regional, com a tradicional Feira da Ilha dos Paladares. Participantes do projeto Mulher Maré apresentarão delícias como bolinhos de aipim, caldos de mandioca com camarão ou carne, conservas e doces artesanais, refletindo a sabedoria e os ingredientes locais.

A lanchonete PiAçaí trará o renomado arroz lambe-lambe, pastéis variados, empadões e o tradicional açaí. O projeto Olha o Peixe, por sua vez, oferecerá opções frescas e inovadoras, como quiches de camarão ou siri, sanduíches com escabeche de sardinha e ceviche de peixe branco, destacando a riqueza do pescado local.

O Dicasa Bar e Petiscaria promete um cardápio variado, incluindo bolinhos de barreado e camarão, quibe de peixe, escondidinhos e sanduíches com o emblemático barreado. A Associação Mandicuera servirá o próprio barreado e bebidas típicas como Mãe Ca Filha e Cataia, enquanto a Associação Mestre Eugênio complementará a oferta com suas bebidas tradicionais. A inclusão desses pratos e bebidas não apenas agrada ao paladar, mas também celebra a identidade cultural através de sabores autênticos.

A declaração da coordenadora do evento, Mariana Zanette, enfatiza o papel da comunidade na valorização cultural. “Valorizar a cultura não é uma responsabilidade só do Estado ou da prefeitura. O povo tem que aprender a valorizar a sua cultura, e isso acontece quando prestigia e divulga os eventos. Todos estão convidados!”, ressalta, convocando a participação ativa do público.

Este evento é um marco na política cultural do estado, sendo realizado através do programa Paraná Festivais, com apoio da Hotmilk, Lei Aldir Blanc, Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, Governo do Estado do Paraná, Ministério da Cultura e Governo Federal, além de patrocínio do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) via Lei Rouanet. O apoio conjunto de órgãos públicos e privados é fundamental para a viabilidade e o sucesso de iniciativas que promovem a preservação do patrimônio cultural e o desenvolvimento socioeconômico das comunidades.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *