Um nome que evoca novelas e um cardápio repleto de referências a personagens icônicos transformaram um pequeno estabelecimento em Curitiba em um ponto de encontro popular. O “Cafézinho, Dona Helena?”, localizado na Rua Saldanha Marinho, 560, no Centro da capital paranaense, conquistou seu espaço em menos de um ano, misturando o afeto pela cultura televisiva com uma proposta gastronômica autoral.
A inspiração para o nome e para o conceito do café parte de um popular meme da internet, que homenageia o dramaturgista Manoel Carlos. Conhecido por ter diversas protagonistas chamadas Helena em suas novelas, o autor criou um elo cultural onde o café se tornou um elemento recorrente na vida dessas personagens. Essa conexão cultural ressoa com o público, que encontra no local uma homenagem à memória afetiva construída em torno das tramas.
O empreendimento familiar, tocado por Renata Gamboa Almeida, sua mãe Joana e a irmã Regina, tem como filosofia a produção artesanal. Quase todos os itens do menu, tanto salgados quanto doces e bebidas, são criados na própria cozinha do café. O cardápio é dividido em duas partes: uma fixa, com clássicos inspirados em personagens de Manoel Carlos, e uma sazonal, que a cada três meses celebra uma novela diferente, aproveitando datas comemorativas para novas criações.
Atualmente, o cardápio especial, que homenageia o Dia dos Namorados e as Festas Juninas, leva o nome de “Alma Gêmea”, referência à novela de Walcyr Carrasco. Pratos como o bolo de laranja “Serena” e a bebida “Rafael” (café com espuma de laranja) buscam capturar a essência dos personagens principais, associando características de suas personalidades a ingredientes e sabores.
Um refúgio para conversas e degustações
O “Cafézinho, Dona Helena?” foi concebido para ser mais do que um local de passagem; é um convite à permanência. A proposta é oferecer uma experiência gastronômica completa, que foge do modelo tradicional de cafeterias ou confeitarias. O objetivo é criar um ambiente onde os clientes se sintam à vontade para desacelerar, compartilhar momentos com amigos e familiares, e desfrutar de um menu diversificado.
Essa atmosfera acolhedora tem sido um fator chave para o sucesso do empreendimento. Muitos frequentadores relatam utilizar o espaço para trocar confidências e bater papos antes de iniciar o dia de trabalho ou em outros intervalos. Essa busca por locais que promovam a interação social e o relaxamento tem se mostrado uma tendência crescente no setor de serviços.
Entre os destaques do cardápio, o bolinho de canela, o bolo de chocolate com café e os folhados são opções clássicas. Para quem busca algo mais substancial, o bolo de linguiça com mate é uma pedida especial. Nas bebidas, além do “Helena” (café puro), o “Edu”, um café com caramelo salgado, feito com caramelo de verdade e não xarope, tem conquistado paladares.
O estabelecimento opera de terça-feira a sábado, das 12h às 19h, oferecendo um horário que contempla tanto o almoço quanto o lanche da tarde, e se estende até o início da noite, permitindo um encontro após o expediente.
Da moda à paixão pelo café: uma transição de carreira com sabor
Renata Gamboa Almeida, aos 35 anos, trilhou um caminho que a levou do universo da moda para o da gastronomia e, finalmente, para o café. Sua formação e experiência profissional como supervisora em shoppings proporcionaram uma base sólida em gestão de pessoas e operações comerciais, habilidades essenciais para o empreendedorismo.
A paixão por novelas, herdada de sua família, sempre esteve presente em sua vida, servindo de inspiração para a criação de um ambiente temático. Paralelamente, o talento culinário se manifestou cedo, inicialmente como um hobby e, posteriormente, como uma primeira incursão profissional através da venda de marmitas. Essa experiência, contudo, foi interrompida pela pandemia, levando-a a um período de reavaliação profissional.
A decisão de investir no ramo gastronômico novamente foi acompanhada por um processo de aprofundamento e aprendizado. Renata realizou diversos cursos em gastronomia, incluindo especializações como barista, e buscou experiência prática em diferentes estabelecimentos para compreender as nuances do setor.
Curiosamente, o café não era sua bebida preferida inicialmente. Sua apreciação pela bebida amarga se desenvolveu ao experimentar cafés especiais e, principalmente, durante o curso de barista. Foi nesse período que ela descobriu uma vocação e paixão pela arte de preparar e servir café, consolidando o conceito do “Cafézinho, Dona Helena?” como um espaço dedicado a essa bebida e à cultura que a rodeia.






