A integração entre arte, tecnologia e robótica ganhou um novo espaço de aprendizado em uma escola pública de Curitiba. O Estúdio Engenhoka, iniciativa do Instituto Burburinho Cultural, iniciou suas atividades voltadas para 60 estudantes da Escola Municipal José Busnardo, localizada na Vila Fanny. O projeto oferece uma formação gratuita e imersiva, com duração prevista até dezembro, focada em despertar a criatividade e o pensamento crítico através de atividades práticas e multidisciplinares.
Este novo centro de criação tem como objetivo ir além do ensino tradicional, promovendo um ambiente onde linguagens artísticas se entrelaçam com conceitos de ciência e engenharia. O estúdio foi equipado com recursos modernos, como impressoras 3D e tablets, além de materiais pedagógicos especialmente desenvolvidos para as oficinas. A proposta é incentivar os alunos a deixarem o papel de meros espectadores para se tornarem protagonistas em seus próprios processos de criação.
A iniciativa visa democratizar o acesso a ferramentas tecnológicas e a abordagens educativas inovadoras. A CEO do Instituto Burburinho Cultural, Priscila Seixas, ressalta a importância de conectar áreas como artes, matemática e tecnologia. “Queremos estimular o pertencimento, o pensamento crítico e a colaboração, mostrando que arte e ciência podem caminhar juntas na formação de estudantes mais criativos e preparados para transformar ideias em projetos”, explicou Seixas.
As atividades propostas durante a formação são estruturadas para que os estudantes experimentem diferentes formas de expressão artística e conceitos de robótica. Eles serão desafiados a desenvolver quatro projetos específicos ao longo do semestre: uma peça manufaturada com impressão 3D, a construção de um robô, a criação de uma luminária interativa e, para culminar, uma escultura que reaja a estímulos. Ao final, os trabalhos desenvolvidos serão apresentados à comunidade escolar, e a equipe com o projeto mais destacado receberá uma premiação.
Fomentando a Inovação através de Projetos Tangíveis
Um dos elementos centrais da metodologia do Engenhoka é a transposição de ideias abstratas para soluções concretas. Durante a cerimônia de inauguração, os estudantes foram apresentados ao Fagulha, o novo mascote do projeto, concebido e materializado em uma impressora 3D. Este personagem simbólico representa a centelha criativa que acende novas ideias e tem o potencial de gerar transformações significativas no ambiente ao redor.
Os materiais pedagógicos, fornecidos pela PiCode Education, foram organizados em boxes maker, projetados para acompanhar cada fase do aprendizado. Segundo Luiz Henrik Martins de Oliveira Payao, da PiCode Education, essa abordagem prática é fundamental. “Os boxes foram pensados para que os alunos possam experimentar, construir e acompanhar de forma prática cada etapa dos projetos”, afirmou.
O diretor da Escola José Busnardo, Francisco Diogo Ximenes, expressou otimismo quanto ao impacto do estúdio. “A melhor forma de se aprender é brincando. Nós fazemos nossos esforços, mas são os nossos alunos que vão colocar a mão na massa e fazer acontecer”, declarou, vislumbrando a continuidade do projeto em anos vindouros.
A vice-diretora, Patrícia Fernandes, destacou a oportunidade única de os alunos terem contato direto com a tecnologia e a arte de forma integrada. “Eles terão a oportunidade de utilizar todo esse aparato, inclusive a impressora 3D. Tenho certeza de que esse projeto pode ajudar os alunos a traçarem novos horizontes”, pontuou.
A recepção por parte das famílias também tem sido entusiástica. Jeferson Faria da Silva, pai de um dos estudantes, ressaltou a importância de oferecer tais recursos em escolas públicas. “O projeto tira os estudantes do papel de apenas consumidores e dá a eles a possibilidade de serem criadores também”, observou.
Entre os alunos, a expectativa gira em torno das possibilidades de criação. Lívia Berlofa Mariotti, do 9º ano, vê no projeto uma chance de aprofundar seus conhecimentos em robótica de maneira inovadora. “Acho que vai ser uma oportunidade muito boa para aprender, trabalhar em equipe e descobrir novas possibilidades”, disse.
Monike Correr, do 8º ano, espera que o projeto vá além do escopo escolar. “Também vai ajudar a escola e trazer aprendizados que vamos levar para a vida”, comentou.
Parcerias Estratégicas para o Desenvolvimento de Novos Talentos
O sucesso e a abrangência do Estúdio Engenhoka também se devem a importantes parcerias empresariais, que reconhecem o valor da iniciativa na formação de futuros profissionais. A ExxonMobil, por exemplo, tem apoiado o projeto desde sua primeira edição, com foco em iniciativas ligadas à área de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática).
Jéssica Aline Choque, consultora de estratégia de TI da ExxonMobil, enfatiza o compromisso da empresa em atrair e desenvolver talentos. “Ficamos muito felizes em poder contribuir com uma estrutura que fomenta a criatividade. O projeto é muito interessante porque não se limita à robótica: estimula a criatividade em vários campos do conhecimento”, declarou.
Maria Eugênia Damonte, gerente de projetos do comitê de voluntariado da ExxonMobil, ressalta o impacto de levar esse tipo de estrutura para a rede pública de ensino. “É interessante ver esse espaço dentro de uma escola pública e acompanhar como os alunos se envolvem, se expressam e mostram seu potencial”, afirmou.
A Escola José Busnardo é a segunda instituição de ensino em Curitiba a sediar o Engenhoka, consolidando uma trajetória de colaboração entre o Instituto Burburinho Cultural e a capital paranaense. Projetos anteriores, como o Arco-Íris e o Arena Viva, já haviam fortalecido essa relação.
Em sua terceira edição, o Engenhoka prevê atender 420 estudantes em escolas públicas distribuídas por quatro estados brasileiros: Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Esta expansão demonstra o alcance e a relevância do programa em fomentar a educação maker em diversas regiões do país.
O programa é financiado através da Lei de Incentivo à Cultura e conta com o patrocínio de diversas empresas, além do apoio do Ministério da Cultura e da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura. A metodologia multidisciplinar do Engenhoka, dividida em cinco módulos e conduzida por instrutores qualificados, visa capacitar os alunos a serem os principais agentes de sua própria formação.






