Um evento online reunirá especialistas e a sociedade civil para debater as projeções e os impactos do fenômeno El Niño no estado do Paraná. A iniciativa busca alertar a população para a iminência de eventos climáticos extremos, em especial após projeções científicas indicarem uma probabilidade acima de 80% para a ocorrência de um El Niño de forte a muito forte intensidade entre setembro de 2026 e janeiro de 2027.
O seminário, intitulado “O Super El Niño e seus impactos no Paraná”, será promovido pelo Instituto Ecoe em parceria com a Rede Curitiba Climática (RECC). A discussão visa aprofundar o entendimento sobre as consequências do fenômeno, que se alinha a um cenário global de mudanças climáticas, exigindo respostas coordenadas e proativas.
A necessidade de preparação e adaptação diante de um evento climático de tal magnitude é um ponto central na agenda de discussões. A articulação entre poder público, academia e sociedade civil é vista como crucial para mitigar os efeitos adversos que podem afetar diversas esferas da vida no estado.
Especialistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), como o Professor Doutor Wilson Flavio Feltriam Roseghini do Laboratório de Climatologia e o Professor Doutor Eduardo Vedor do Laboratório de Geoprocessamento e Estudos Ambientais, estarão presentes. Eles apresentarão análises sobre o comportamento do clima e as tendências observadas.
O debate também contará com a participação do Doutor Rogério Rossi Horochovski, do Observatório de Justiça e Conservação. Sua contribuição focará em aspectos jurídicos relacionados a desastres naturais, ressaltando os direitos da população em cenários de emergência climática.
O evento é direcionado a um público amplo, incluindo estudantes, pesquisadores, gestores públicos, representantes de organizações não governamentais (ONGs), coletivos ambientais e a comunidade em geral. A transmissão será realizada pelo canal do Instituto Ecoe no YouTube, garantindo acessibilidade às informações.
Quatro eixos temáticos principais serão abordados: as expectativas climáticas para o Paraná sob a influência do El Niño, as projeções de impactos socioambientais, as medidas de preparação necessárias e os direitos fundamentais em situações de desastre. Essa estrutura busca oferecer um panorama completo da situação.
A organização enfatiza a importância de encarar o El Niño não como um evento isolado, mas como um reflexo intensificado das mudanças climáticas globais. Essa perspectiva exige ações contínuas de adaptação e prevenção, que devem envolver as esferas federal, estadual e municipal.
A articulação da sociedade civil e a necessidade de políticas públicas robustas
A preparação para o El Niño não deve recair exclusivamente sobre os ombros do poder público. Ativistas e especialistas destacam que a participação ativa da sociedade civil organizada é um componente indispensável para a gestão de riscos e a prevenção de desastres eficazes. A formulação e implementação de políticas públicas devem contemplar essa colaboração.
A participação de diversos setores da sociedade, como ONGs, movimentos sociais e coletivos ambientais, é fundamental para disseminar informações, mobilizar comunidades e criar redes de apoio mútuo. Essa sinergia fortalece a capacidade de resposta local diante de eventos climáticos extremos.
A colaboração interinstitucional é evidenciada pelo apoio de mais de 20 entidades ao seminário, incluindo laboratórios universitários, observatórios especializados, movimentos sociais e organizações com foco em conservação e sustentabilidade. Essa ampla rede demonstra o engajamento coletivo na busca por soluções.
A Rede Curitiba Climática (RECC), um dos organizadores do evento, exemplifica essa articulação. O grupo reúne ativistas com o objetivo de engajar e conectar pessoas, promovendo debates inclusivos e apresentando soluções práticas. A meta é tornar a região de Curitiba mais resiliente e sustentável frente aos desafios climáticos.
Implicações e o futuro da gestão de riscos
O evento se insere em uma série de discussões programadas para o segundo semestre de 2026, com o objetivo de munir a sociedade de conhecimento e estratégias para lidar com eventos climáticos extremos. A compreensão dos riscos e a implementação de medidas preventivas são essenciais para a segurança e o bem-estar da população paranaense.
A antecipação de fenômenos como o El Niño, associada ao aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, demanda uma reavaliação contínua das estratégias de defesa civil. A capacidade de resposta e adaptação de comunidades e governos será cada vez mais testada.
O fortalecimento de políticas públicas que promovam a adaptação climática e a gestão de riscos é um imperativo. Isso inclui investimentos em infraestrutura resiliente, sistemas de alerta precoce mais eficazes e programas de educação ambiental contínuos. A sustentabilidade a longo prazo depende da nossa capacidade de agir agora.






