Delegação da UFPR debate participação nos Jogos Universitários Brasileiros de 2026

🕓 Última atualização em: 23/09/2026 às 11:30

Delegação da UFPR destaca-se em competição universitária nacional

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) marcou presença nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) Goiás 2026, o maior evento esportivo universitário da América Latina. Um contingente de 13 estudantes da instituição competiu em diversas modalidades, tanto esportivas quanto acadêmicas, representando a UFPR em âmbito nacional e vivenciando uma experiência enriquecedora que vai além dos resultados.

A participação da UFPR foi dividida em duas etapas, alinhadas à programação das diferentes modalidades. Na primeira fase, oito estudantes demonstraram suas habilidades em badminton, karatê, natação e xadrez. A segunda etapa contou com a participação de cinco estudantes, que competiram nas modalidades de atletismo e nos JUBs Acadêmico.

A importância da participação transcende a conquista de medalhas, focando na formação integral dos estudantes. A convivência, o intercâmbio de experiências e a representação institucional são pilares fundamentais da participação em eventos dessa magnitude.

A exigência de treinamento para as competições esportivas, como o heptatlo, impõe desafios significativos à rotina acadêmica. Júlia Serigato Meneghelli, estudante de Medicina, exemplifica essa dualidade. Ela precisa conciliar um curso de período integral com sessões de treinamento intensivas.

“É uma loucura, porque eu escolho a minha grade já pensando no horário que eu vou conseguir treinar”, relata Júlia, evidenciando a complexidade de ajustar horários. “O meu curso é integral, então eu tenho que pegar uma grade que eu consiga ter terça ou quinta livre. Mas eu vou a hora que eu acho um tempo livre. Eu vou encaixando na agenda, se eu tenho prova, acabou faltando treino, ou se tenho competição, tem que faltar prova, também acontece, mas eu vou tentando manejar ali, a hora que vai surgindo, vou tentando. Enquanto eu conseguir levar os dois, eu vou levar”, desabafa.

Na natação, Matheus Menel Stahelin, cursando Engenharia Civil, alcançou o segundo lugar nas provas de 100 e 200 metros peito. Sua preparação envolve três treinos semanais na piscina e quatro sessões de academia, uma rotina mantida desde a infância, quando começou a nadar.

Para Matheus, representar a universidade em competições de alto nível carrega um peso emocional especial. “Para mim, representar a federal é muito bom. Sempre foi um sonho estudar aqui, sempre. Quando eu passei no vestibular foi uma realização muito grande na minha vida e agora poder estar aqui representando as pessoas da universidade, representando até mesmo o estado, para mim é muito gratificante. É uma realização muito grande”, expressa.

O Legado da Competição Universitária

Além das competições esportivas tradicionais, os JUBs também oferecem uma plataforma para o desenvolvimento intelectual e acadêmico. Gabriela Ferreira de Melo, estudante de Educação Física, obteve o quarto lugar na categoria JUBs Acadêmico, demonstrando que o mérito universitário também é celebrado em competições nacionais.

A preparação para a modalidade acadêmica difere significativamente da esportiva. Em vez de treinamento físico, o foco recai sobre a produção científica, a capacidade de apresentação oral e o domínio do conteúdo para eventual arguição. Gabriela destaca a importância de superar a insegurança inicial.

“Eu já tenho um pouquinho de experiência com apresentação em congresso, apresentação de trabalhos, escrita científica, então, não foi um desafio tão grande, mas acho que a parte mais difícil foi realmente me acostumar com o público, com o número de pessoas. Foi a primeira vez que eu falei no microfone na minha vida”, relata, revelando o aprendizado em lidar com a exposição.

O projeto acadêmico de Gabriela, que resultou em sua classificação, demandou aproximadamente oito meses de dedicação, desde a concepção e elaboração até a apresentação e revisão estatística, passando por uma fase estadual prévia.

A intersecção entre esporte e formação acadêmica é um tema recorrente. Alinne Batista, estudante de Relações Públicas e praticante de karatê, alcançou o sétimo lugar na categoria Kumite -68 kg. Ela busca integrar seu campo de estudo com o universo esportivo, especialmente no que tange à comunicação.

“O meu TCC não é sobre o karatê, mas é sobre futebol feminino, então realmente de pensar como mostrar o esporte, como fazer ele ficar maior e de uma forma mais certeira”, explica Alinne, enfatizando a necessidade de maior visibilidade e apoio ao esporte. “Infelizmente o esporte ainda é meio abandonado em algumas características, mas eu realmente passei a graduação inteira falando sobre isso, até em trabalhos de artes eu unia o esporte com a comunicação.”

A Visão Institucional e a Formação Integral

Sérgio Gregório, professor e chefe do Centro de Educação Física e Desportos (CED), ressalta o valor estratégico da participação da UFPR nos JUBs. A iniciativa, segundo ele, fortalece a identidade institucional e valoriza o protagonismo estudantil.

“A participação da UFPR nos JUBs é estratégica para a valorização de seus estudantes e para o fortalecimento da identidade institucional, permitindo que a UFPR esteja representada nacionalmente tanto nas competições esportivas quanto nas acadêmicas”, afirma Gregório. “A iniciativa reconhece o esporte e o conhecimento como dimensões complementares da formação universitária, promove o protagonismo estudantil, amplia a visibilidade da Universidade e reafirma seu compromisso com uma formação integral, baseada na excelência acadêmica, esportiva e cidadã.”

Os estudantes que participam dos JUBs integram o projeto de extensão Esporte Ação, do CED. Luiz Sávio Monteiro de Almeida, técnico desportivo e coordenador do projeto, explica que os treinamentos são realizados regularmente desde o início da década de 2010, tendo sido oficializados como projeto de extensão em 2019.

Atualmente, modalidades como atletismo, basquete, futsal, handebol e vôlei possuem sessões de treinamento semanais. O atletismo conta com três encontros por semana, enquanto as demais modalidades têm duas. Alinne Batista, por exemplo, representa a UFPR no karatê, mesmo que a modalidade não esteja na lista de treinamentos regulares do projeto de extensão, demonstrando que outros atletas podem ser convocados.

Para Luiz Sávio, os benefícios da prática esportiva vão além do desempenho em competições. O esporte é visto como um componente essencial para o desenvolvimento de habilidades sociais e comportamentais.

“Eles aprendem muita coisa no esporte. A questão de disciplina, a questão de respeito, a questão de obedecer as regras, de convívio com outros atletas, de saber se portar em relação um ao outro, honrando o nome que eles estão levando”, conclui Sávio, reforçando a importância do esporte como ferramenta de formação cidadã.

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