Curitiba se consolida como capital nacional do comércio de produtos usados

🕓 Última atualização em: 06/10/2026 às 21:07

O estado do Paraná e sua capital, Curitiba, emergem como líderes nacionais no comércio de produtos usados, conforme indicam dados recentes do Mapa de Empresas. O Paraná se destaca como a unidade federativa com a maior proporção de estabelecimentos desse setor por habitante, enquanto Curitiba ostenta o título de capital com o maior número de negócios de artigos de segunda mão em relação à sua população.

Essa análise baseia-se na categorização de empresas dedicadas ao “comércio varejista de outros artigos usados” (CNAE 4785-7/99), que abrange uma gama diversificada de negócios. Incluem-se nessa classificação desde lojas de móveis e eletrodomésticos usados até o comércio de materiais de demolição, artigos de coleção, utensílios domésticos e, notavelmente, brechós e sebos. A metodologia cruzou o número de estabelecimentos ativos com as estimativas populacionais mais recentes do IBGE.

No cenário nacional, o levantamento apontou a existência de 23.928 empresas ativas neste segmento até o final de julho de 2026. Em termos absolutos, São Paulo lidera com 8.014 estabelecimentos, seguido por Minas Gerais (2.751) e Rio de Janeiro (2.271). O Paraná figura em quarto lugar, com 2.145 empresas.

Contudo, a perspectiva muda drasticamente quando se avalia a densidade de negócios por habitante. O Paraná apresenta 17,95 estabelecimentos de usados para cada 100 mil habitantes, o que se traduz em aproximadamente um negócio a cada 5.572 moradores. Este índice supera significativamente a média nacional de 11,17 estabelecimentos por 100 mil habitantes.

O protagonismo curitibano no mercado de segunda mão

As capitais brasileiras concentram uma parcela expressiva, 31,25%, dos estabelecimentos de comércio de artigos usados no país, totalizando 7.478 empresas. A taxa média entre as capitais é de 15,13 lojas por 100 mil habitantes.

Em número absoluto de estabelecimentos, Curitiba ocupa a quarta posição com 529 negócios, ficando atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. No entanto, ao se considerar a proporção de estabelecimentos por habitante, a capital paranaense assume a liderança entre as capitais.

Curitiba ostenta uma impressionante taxa de 28,87 estabelecimentos de produtos usados para cada 100 mil habitantes, o que equivale a uma loja a cada 3.463 moradores. Este índice é notavelmente superior ao de outras capitais importantes, como Florianópolis e Porto Alegre. A taxa curitibana demonstra um alcance quase dobrado em relação à média das capitais e mais que o dobro da média nacional.

A ascensão desse mercado reflete uma mudança comportamental no consumo, impulsionada por fatores econômicos e pela crescente conscientização sobre a sustentabilidade. A valorização de produtos que ainda possuem longa vida útil e a busca por alternativas mais acessíveis impulsionam a expansão de brechós e outros comércios de artigos usados.

Eventos impulsionam a economia circular em Curitiba

Em consonância com a força do mercado de segunda mão, eventos como a feira Garimpa Centro, que ocorrerá em breve na Galeria Green Center, no coração de Curitiba, demonstram a vitalidade deste segmento. A iniciativa reunirá 25 expositores, oferecendo uma vasta gama de peças femininas, masculinas e infantis, com preços acessíveis, a partir de R$ 10.

Um dos atrativos do evento será um estande coletivo com itens selecionados de todos os expositores, cada um precificado a R$ 10. Essa proposta visa democratizar o acesso a diferentes estilos e peças, incentivando a exploração e a descoberta por parte do público.

A idealizadora do Garimpa Centro, Kerolen Martins, destaca o objetivo de criar um espaço dinâmico que apresente o trabalho de diversos empreendedores e promova o consumo consciente. “É uma oportunidade para descobrir roupas, acessórios e outros produtos que ainda têm muito uso pela frente”, ressalta.

A realização de feiras e eventos como o Garimpa Centro não apenas fomenta a economia local e gera renda para pequenos empreendedores, mas também reforça a importância da economia circular. Ao prolongar a vida útil de produtos e incentivar a reutilização, esse mercado contribui ativamente para a redução do desperdício e para um modelo de consumo mais responsável.

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