O aumento nas solicitações de controle de roedores em Curitiba durante o primeiro semestre de 2026 acende um alerta sobre a saúde pública e a gestão urbana. A cidade registrou 1.885 chamados à Central 156 para lidar com infestações, uma média de 10 por dia, conforme dados oficiais divulgados pela Prefeitura em resposta a questionamentos legislativos. Este número já se equipara ao total de atendimentos realizados pela Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) até junho do mesmo ano.
A persistência do problema é evidenciada pela comparação com o ano anterior, 2025, quando foram contabilizadas 2.783 solicitações. A Prefeitura detalha que a UVZ realiza, semestralmente, avaliações e ações de controle em onze praças centrais, com ações preventivas adicionais em áreas que sediam feiras populares. O foco é identificar sinais como tocas, fezes e trilhas de passagem para direcionar as intervenções.
A aplicação de métodos de controle, como o bloco parafinado em bueiros e o pó de contato em tocas, é precedida por uma avaliação técnica. O objetivo é minimizar riscos de contaminação ambiental e proteger espécies não-alvo, como animais domésticos e fauna silvestre. Essa abordagem ressalta a complexidade do manejo de populações de roedores em centros urbanos.
A importância da higiene urbana e a visão integrada no controle de pragas
A simples aplicação de rodenticidas não é considerada suficiente para uma redução efetiva da população de ratos. Especialistas em saúde pública e gestão ambiental enfatizam que o controle eficaz de roedores exige uma abordagem multifacetada. A disponibilidade de fontes de alimento e abrigo, bem como o acesso irrestrito dos animais ao ambiente urbano, são fatores cruciais diretamente influenciados pelas ações humanas.
Nesse contexto, a atuação do Departamento de Limpeza Pública torna-se um componente indispensável. Com um contingente de 435 garis dedicados à varrição manual, a frequência desse serviço varia de duas a três vezes semanais em muitas áreas, intensificando-se em locais como o Jardim Botânico. Paralelamente, equipes especializadas atuam diariamente na coleta de entulhos e resíduos depositados irregularmente, especialmente em bairros como o Parolin.
A Prefeitura também adota medidas de responsabilização, notificando ou autuando indivíduos flagrados em descarte irregular. Quando a identificação do infrator não é possível, o município assume a responsabilidade pela coleta e destinação adequada dos resíduos. Esses dados revelam a interconexão entre a gestão de resíduos sólidos e o controle de vetores de doenças.
A participação cidadã e a demanda contínua por soluções em saúde pública
A responsabilidade pelo controle de roedores não recai exclusivamente sobre os órgãos públicos. Qualquer cidadão pode e deve acionar a Central 156 ao identificar a presença de infestações em bueiros ou áreas adjacentes à sua residência. O atendimento é direcionado para os bueiros próximos ao endereço informado pelo solicitante.
Além da intervenção química, as equipes da vigilância sanitária também oferecem orientações valiosas sobre medidas preventivas que os moradores podem adotar. Estas dicas visam reduzir a proliferação e o acesso dos roedores aos imóveis e seus arredores, promovendo um ambiente mais seguro e salubre para todos. A colaboração entre poder público e população é fundamental para a manutenção da saúde coletiva.
As iniciativas de fiscalização e levantamento de dados foram impulsionadas por requerimentos de vereadores da Câmara Municipal de Curitiba. Tais ações legislativas demonstram o interesse em monitorar e aprimorar as políticas públicas voltadas para a saúde ambiental e a qualidade de vida urbana. O engajamento na identificação de problemas e na busca por soluções é um pilar essencial da governança democrática.






