Curitiba é a capital brasileira onde mais se fuma aponta estudo

🕓 Última atualização em: 29/05/2026 às 04:39

Curitiba figura como a capital brasileira com a maior incidência de tabagismo em sua população adulta, conforme revelam dados recentes da pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), divulgada anualmente pelo Ministério da Saúde. Quase um em cada cinco curitibanos fuma, abrangendo tanto o cigarro tradicional quanto dispositivos eletrônicos.

Este cenário representa um importante alerta para a saúde pública, especialmente em virtude do Dia Mundial Sem Tabaco, que anualmente destaca os riscos à saúde e a necessidade de políticas de controle eficazes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta o tabagismo como a principal causa de morte evitável em nível global, responsável por um óbito a cada dez adultos.

A proporção de fumantes na capital paranaense, estimada em 19,3% da população adulta, ultrapassa significativamente a média das capitais brasileiras, que se situa em 13,2%. Curitiba lidera o ranking, seguida de perto por Porto Alegre (19,2%), São Paulo (17,1%), Florianópolis (16,2%) e Cuiabá (15%).

Em contrapartida, as capitais com os menores índices de tabagismo são São Luís (6,5%), Belém (7%), Fortaleza (7%), Salvador (7,4%) e Aracaju (7,8%). A disparidade reforça a necessidade de estratégias de saúde pública personalizadas para cada contexto regional.

A Evolução do Consumo e a Ascensão dos Dispositivos Eletrônicos

Apesar da prevalência, dados históricos da Vigitel indicam uma tendência de queda no consumo de cigarros tradicionais em Curitiba. Em 2006, a proporção de fumantes era de 18,4%, com maior incidência entre homens. Atualmente, este número caiu para 16,4%, embora o tabagismo permaneça mais comum entre o público masculino.

Apesar dessa redução, o percentual de fumantes em Curitiba ainda se mantém acima da média nacional (11,6%). O Paraná se posiciona como o segundo estado com maior índice de fumantes entre as capitais, atrás apenas de Porto Alegre. São Luís, Fortaleza e Belém apresentam os menores percentuais no país.

Paralelamente à diminuição do uso de cigarros convencionais, observa-se um crescimento notável na experimentação e uso de dispositivos eletrônicos para fumar, como vapes e pods. Em Curitiba, 11,9% da população já experimentou tais produtos, taxa superior à média de outras capitais (8,5%).

O uso considerado habitual de dispositivos eletrônicos por curitibanos atinge 3,8%, colocando a cidade em quarto lugar entre as capitais, acima da média nacional de 2,4%. Este índice é inferior apenas a São Paulo e Florianópolis, que registram 4,3% cada, e Brasília, com 3,9%.

O aumento no consumo de cigarros eletrônicos é evidenciado pela comparação com dados de 2019, quando apenas 3,1% dos curitibanos declaravam uso habitual desses dispositivos. Naquele ano, 8,7% da população já havia consumido tabaco por meio de alguma alternativa eletrônica.

Propostas Legislativas para o Controle do Tabagismo

O cenário do tabagismo em Curitiba tem impulsionado debates e propostas no âmbito legislativo municipal. Uma iniciativa recente, inspirada em legislações de outros países, visa proibir a venda de produtos fumígenos para indivíduos nascidos a partir de 2009.

O vereador responsável pela proposta argumenta que a restrição de acesso a pessoas mais jovens é uma estratégia fundamental para prevenir o início do tabagismo e, consequentemente, reduzir a incidência de doenças relacionadas. O parlamentar ressalta o alto custo para o Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento de condições derivadas do uso do tabaco.

Estima-se que o custo anual do tratamento de doenças relacionadas ao fumo no Brasil alcance R$ 67,2 bilhões. Aplicando a proporção populacional do Paraná, o custo direto à saúde pública em Curitiba por vícios em produtos fumígenos pode ultrapassar R$ 578 milhões anualmente.

Essas iniciativas legislativas, somadas às campanhas de conscientização e políticas públicas de controle, buscam reverter o quadro atual e mitigar os impactos do tabagismo na saúde da população curitibana, promovendo um ambiente mais saudável e sustentável.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *