A cidade de Curitiba deu um passo importante na discussão para a modernização de sua infraestrutura urbana, com foco no enterramento de fiação elétrica e de telecomunicações. A iniciativa, apresentada recentemente em um evento na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), visa cobrir um extenso trecho da rede aérea, priorizando o anel central da capital.
O projeto ambicioso prevê a implantação subterrânea de até 120 quilômetros de cabos. A medida tem como objetivo primordial a redução significativa de riscos, como acidentes causados por fiação exposta, incêndios e furtos. Além disso, espera-se uma maior proteção contra os impactos de eventos climáticos, minimizando assim a ocorrência de apagões e interrupções nos serviços essenciais.
A requalificação da paisagem urbana e a melhoria da acessibilidade são benefícios adicionais esperados com a execução deste plano. A sobreposição de fios, um problema crônico em diversas metrópoles brasileiras, além de comprometer a estética das cidades, pode gerar dificuldades de locomoção e aumentar a sensação de desordem visual.
Um Investimento de Grande Escala com Potencial Transformador
O secretário municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento, Vitor Puppi, destacou que o projeto está em fase avançada de estruturação, com vistas a uma parceria público-privada. A captação de recursos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está sendo articulada para viabilizar a modelagem financeira complexa.
“Desde o início da gestão, temos nos dedicado a essa questão dos fios de cabos sobrepostos na rede elétrica”, afirmou Puppi. Ele ressaltou os desafios inerentes à modelagem, tanto do ponto de vista regulatório quanto econômico, reforçando a importância do debate público e da colaboração entre os diversos setores.
A proposta inicial foca em vias pavimentadas, com ênfase em áreas de maior adensamento populacional, centros turísticos e históricos, bem como regiões com histórico de fragilidade em sua infraestrutura. O custo total estimado para a empreitada ultrapassa a marca de R$ 1,2 bilhão, um valor considerável diante do orçamento anual municipal.
“É um investimento muito grande, uma conta pesada para o município, que tem orçamento de R$ 16 bilhões por ano, bancar sozinho”, ponderou o secretário. Contudo, ele salientou o alinhamento do projeto com a vocação de Curitiba em apresentar soluções urbanísticas e de sustentabilidade ambiental pioneiras. A iniciativa, embora desafiadora, demonstra o empenho da gestão em torná-la realidade.
Diálogo e Colaboração para Soluções Sustentáveis
A iniciativa da Oficina de Cabeamento Aéreo, promovida pelo Conselho Temático de Telecomunicações da Fiep, reuniu especialistas e representantes do setor produtivo e do poder público. O objetivo foi sistematizar prioridades e formular um plano de ação conjunto, envolvendo a prefeitura, operadoras e provedores de serviços.
Hélio Bampi, vice-presidente da Fiep e coordenador do conselho, ressaltou o cenário pós-privatização das telecomunicações, que impulsionou a competição por espaço aéreo para implantação de cabeamentos. Ele apontou a necessidade de resolver a atual situação de fios pendurados e em más condições, que representam riscos à segurança, poluição visual e à segurança do trabalho.
“Precisamos de uma solução do ponto de vista de meio ambiente, de estética, de segurança do trabalho e da população em geral”, defendeu Bampi. A colaboração entre os diferentes atores do mercado é vista como essencial para a construção de uma modelagem eficaz e para a implementação de soluções que beneficiem a cidade a longo prazo.
A criação da Pars, empresa municipal dedicada a concessões e parcerias público-privadas, foi mencionada por Puppi como um passo estratégico para facilitar a articulação e a gestão desses projetos de grande envergadura. A participação ativa de órgãos como o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e concessionárias como a Copel demonstra o caráter multissetorial e colaborativo desta iniciativa de planejamento urbano.






