Uma loja curitibana, que em setembro completou uma década de funcionamento, transcende a simples venda de produtos regionais para se tornar um ponto de encontro e de resgate de memórias afetivas para migrantes do Norte e Nordeste do Brasil. A Casa Nordestina, localizada no bairro Sítio Cercado, expandiu seu mix de mercadorias nos últimos anos, atendendo a uma demanda crescente por itens originários de ambas as regiões, consolidando-se como um elo cultural e gastronômico.
Inicialmente focada exclusivamente em especialidades nordestinas, a loja viu a necessidade de diversificar seu estoque. A percepção de uma crescente presença de nortistas no bairro motivou a inclusão de produtos como açaí, cupuaçu e farinhas amazônicas, que rapidamente se tornaram populares entre os clientes.
Essa adaptação estratégica resultou em um aumento significativo no movimento da loja. A atual gestão, que assumiu o empreendimento há quatro anos, notou uma dinâmica interessante: enquanto as vendas por delivery tendem a favorecer os produtos nordestinos, o fluxo físico na loja é impulsionado pela procura por itens do Norte.
A composição do público reflete essa dualidade. Estima-se que 80% dos frequentadores e clientes sejam originários do Norte e Nordeste, enquanto os 20% restantes compreendem curitibanos e pessoas de outras regiões. No entanto, a predominância de nortistas se acentua no bairro Sítio Cercado.
Expansão e Crescimento: A Casa Nordestina como Reflexo da Migração
A iniciativa de expandir o portfólio da Casa Nordestina não foi isolada. Ela se alinha a um cenário demográfico de crescimento da população nortista e nordestina em Curitiba e no Paraná. Dados recentes do Censo do IBGE revelam um aumento expressivo no número de migrantes dessas regiões nas últimas décadas.
Em Curitiba, o contingente de pessoas nascidas na região Norte mais do que triplicou entre 2010 e 2022, saltando de 6.791 para 24.689. Paralelamente, a população nordestina na capital paranaense registrou um aumento de 47,4% no mesmo período, passando de 28.935 para 42.636.
No estado do Paraná, o avanço é igualmente notável. O número de pessoas do Norte vivendo no estado cresceu 219,2%, enquanto a população do Nordeste expandiu-se em 21,5%. Esses números corroboram a visão empreendedora da loja em atender a uma comunidade em franca expansão.
Diante desse cenário, a Casa Nordestina planeja abrir uma segunda unidade na capital paranaense até o final do ano. A expansão visa alcançar um número maior de clientes em diferentes regiões, facilitando o acesso a produtos que evocam a identidade e a saudade.
O Sabor da Terra Natal: Produtos que Conectam e Acolhem
A força da Casa Nordestina reside na sua capacidade de oferecer produtos que vão além da alimentação, atuando como um portal para a cultura e as tradições de origem. A culinária, nesse contexto, desempenha um papel fundamental de reconexão com as raízes.
Entre os produtos mais procurados, destacam-se uma variedade de farinhas, como a Farinha da Bahia, de copioba, quebradinha, de Bragança e puba do Pará, além da farinha do Amazonas. Doces como o de Buriti também têm boa saída, assim como bebidas típicas como o Guaraná Jesus, o refrigerante São Geraldo e a Cajuína, todas originárias do Nordeste.
Do Norte, o charque e o Jabá do Norte figuram como ícones. A loja também oferece açaí, cupuaçu e camarão seco, alimentos que são parte integrante da dieta e da cultura de populações ribeirinhas e amazônicas.
A gestão da loja reconhece que a comida tem o poder de evocar memórias familiares e sentimentos de afeto. Ao facilitar o acesso a esses sabores, a Casa Nordestina se propõe a ser um ponto de apoio emocional e cultural para seus clientes, ajudando-os a matar a saudade e a manter viva a conexão com suas terras natais.






