Curitiba 129 dependentes químicos aceitam internação voluntária e planejam futuro

🕓 Última atualização em: 04/06/2026 às 12:15

Um centro intersetorial dedicado a oferecer suporte a pessoas em situação de rua, especialmente aquelas com dependência química, registrou o atendimento de 411 indivíduos entre janeiro e meados de maio. Deste universo, 129 pessoas, com idades entre 18 e 59 anos, decidiram por um recomeço através da internação voluntária em Comunidades Terapêuticas Acolhedoras (CTAs). Os dados, divulgados pelo Departamento de Políticas sobre Drogas, vinculado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH), sinalizam um esforço crescente na oferta de caminhos para a recuperação e reinserção social.

Um exemplo notório dessa jornada de superação é a de um jovem de 24 anos, ex-estudante de Engenharia da Computação. Ele relata ter “jogado tudo fora” em um momento de fragilidade, mas após quatro meses de abstinência, encontra nas CTAs um espaço para se reencontrar e retomar seus sonhos.

O Centro Intersetorial, localizado próximo à Rodoferroviária, funciona como uma porta de entrada crucial para o sistema de apoio público. O espaço concentra atendimentos da Fundação de Ação Social (FAS), Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e SMDH, facilitando o acesso a vagas de tratamento e outros serviços essenciais.

A estrutura do centro visa oferecer um atendimento multidisciplinar, integrando diferentes esferas do poder público para lidar com as complexidades da dependência química e da vulnerabilidade social. A oferta de um local para descanso, alimentação e orientação profissional é apenas o ponto de partida para muitos.

O processo de acolhimento nas CTAs, quando escolhido voluntariamente, envolve uma série de etapas. Antes da transferência para uma comunidade credenciada, os indivíduos passam por exames médicos e recebem as vacinas necessárias. Casos de doenças preexistentes são direcionados para tratamento na rede pública de saúde, garantindo que a aptidão clínica seja atestada antes do ingresso na comunidade terapêutica.

Redes de Apoio e Caminhos para a Recuperação

A jornada de cada indivíduo é única, e o sistema público de saúde e assistência social oferece uma gama diversificada de abordagens para atender a essa realidade. Além das CTAs, outras estratégias são empregadas para auxiliar quem busca se livrar da dependência química e reconstruir a vida.

A Unidade de Acolhimento Temporário, gerida pela SMDH, funciona como uma espécie de “hotel social”. Oferece um período de até seis meses de estadia gratuita, com direito a cama, roupas limpas e refeições, para aqueles em situação de dependência química e sem um local para morar. O objetivo é conceder o tempo necessário para que a pessoa possa se reorganizar, buscar qualificação profissional e se preparar para entrevistas de emprego.

Para alcançar aqueles que vivem nas ruas, a atuação de educadores sociais da FAS e as unidades móveis do programa “Consultório na Rua” são fundamentais. Esses serviços vão diretamente ao encontro da população em situação de rua, servindo como um elo direto para o Centro Pop e outros serviços sociais complexos.

Em abril, o Centro ganhou um novo reforço com a inauguração do Base (Bem-estar, Apoio, Solidariedade e Emprego). Este espaço oferece postos de atendimento avançados da FAS, Saúde, Sistema Nacional de Emprego (Sine) e até mesmo um restaurante, ampliando as possibilidades de acesso a recursos e oportunidades.

A rede municipal de saúde, com suas unidades espalhadas pela cidade, juntamente com os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), também desempenham um papel vital. Tanto familiares quanto os próprios dependentes químicos que mantêm vínculos familiares podem procurar esses locais para orientação e encaminhamento.

Em casos de dependência severa, quando a saúde mental do indivíduo é gravemente afetada, medidas excepcionais podem ser acionadas. A internação involuntária, que ocorre quando a pessoa representa risco para si ou para terceiros, requer uma ordem médica emergencial fundamentada e é conduzida por equipes multissetoriais. A internação compulsória, por sua vez, é uma determinação judicial, geralmente solicitada por familiares ou órgãos responsáveis, e visa garantir o tratamento em situações de extrema necessidade.

A Importância da Escolha e do Suporte Contínuo

A autonomia e a voluntariedade são pilares fundamentais no processo de recuperação. Nas comunidades terapêuticas, a permanência é sempre uma escolha do acolhido. As portas estão abertas para quem desejar interromper o tratamento, e não há obrigatoriedade em participar de atividades religiosas ou realizar trabalhos dentro da unidade.

Cada indivíduo em uma CTA conta com um Plano Individual de Atendimento (PIA), com duração prevista de seis a nove meses. Durante esse período, são oferecidos acomodações compartilhadas, suporte psicossocial, atividades físicas e culturais, além de itens básicos de higiene e vestuário.

A liberdade de decisão é garantida, e o apoio se estende para além do tempo de permanência na comunidade. A reinserção social e a manutenção da abstinência são objetivos a longo prazo, que exigem suporte contínuo e acesso a recursos que permitam uma vida autônoma e produtiva.

A continuidade do acompanhamento é crucial para prevenir recaídas e garantir a sustentabilidade da recuperação. Isso pode envolver o acesso a grupos de apoio, acompanhamento psicológico ambulatorial e oportunidades de emprego e moradia.

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