Crianças menores de 5 anos somam metade das internações por queimaduras

🕓 Última atualização em: 23/06/2026 às 02:04

Dados recentes compilados pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) revelam um cenário alarmante: crianças com menos de cinco anos representam mais da metade das internações por queimaduras e outros acidentes térmicos graves no Sistema Único de Saúde (SUS) no biênio 2024-2025. Um levantamento que abrange quase 14 mil hospitalizações aponta para uma média diária de 20 jovens admitidos em hospitais devido a essas lesões, evidenciando a urgência de medidas preventivas e de conscientização pública.

As estatísticas detalham que 53,8% do total de internações, o que equivale a 7.429 casos, ocorreram em crianças na primeira infância. Essa faixa etária é naturalmente mais suscetível a acidentes devido à sua curiosidade natural e à falta de percepção de perigo, explorando o ambiente de forma impulsiva.

A vulnerabilidade desse grupo torna fundamental a vigilância constante de pais e cuidadores, especialmente em momentos de maior risco. Períodos como as festas juninas e julinas, marcados pelo uso de fogueiras, fogos de artifício e manuseio de líquidos quentes para preparo de alimentos típicos, elevam significativamente o potencial de acidentes graves.

Além da primeira infância, outras faixas etárias também apresentam números preocupantes. Crianças entre cinco e nove anos somaram 2.820 internações (20% do total). Logo em seguida, adolescentes de 10 a 14 anos registraram 1.848 casos (13%), e os de 15 a 19 anos, 1.721 (12%).

A maioria das lesões está associada ao contato com fontes de calor e substâncias quentes, incidentes que frequentemente ocorrem no ambiente doméstico. O preparo de refeições, o manuseio de panelas e o consumo de bebidas e alimentos aquecidos são os principais gatilhos para essas ocorrências.

Outras causas relevantes incluem a exposição a fumaça, chamas e fogo. Menos frequentes, mas igualmente graves, são os acidentes resultantes de choque elétrico, temperaturas extremas e agressões. A gravidade desses eventos, em alguns casos, culmina em óbitos.

Impacto Nacional e Regional das Queimaduras Pediátricas

A análise da SBP sobre as 13.819 internações no SUS entre 2024 e 2025 demonstra uma distribuição geográfica desigual dos casos. A Região Sudeste lidera em termos absolutos, com 4.531 hospitalizações nos dois anos. Em 2024, foram 2.203 casos, e em 2025, 2.328.

O Nordeste aparece em segundo lugar, com 3.629 internações no período (1.830 em 2024 e 1.799 em 2025), seguido pelo Sul, com 3.438 (1.675 em 2024 e 1.763 em 2025). As regiões Norte e Centro-Oeste registraram, respectivamente, 1.416 e 1.058 internações nos dois anos.

Em 2024, os estados do Paraná e São Paulo apresentaram os maiores números de internações pediátricas por queimaduras, com 886 e 815 casos, respectivamente. Bahia (658), Rio de Janeiro (637) e Minas Gerais (524) também figuraram entre os que mais registraram atendimentos. Em contrapartida, Roraima (12), Sergipe (15), Amapá (24), Acre (26) e Pernambuco (46) foram os estados com menor incidência.

No ano seguinte, 2025, São Paulo assumiu a liderança nacional com 1.014 internações, enquanto o Paraná registrou 969 casos. Santa Catarina emergiu com 501 internações, seguida pela Bahia (650) e Minas Gerais (463). Os menores quantitativos continuaram a ser observados em Roraima (8), Sergipe (16), Amapá (37), Acre (38) e Pernambuco (41).

Esses dados regionais e estaduais são cruciais para o direcionamento de políticas públicas de saúde e segurança. A concentração de casos em determinadas áreas geográficas pode indicar a necessidade de intensificar campanhas educativas, fiscalização de normas de segurança em ambientes de risco e ampliação de serviços de atendimento especializado em queimaduras.

Prevenção: Um Pilar Essencial na Redução de Acidentes

A alta incidência de queimaduras em crianças, especialmente nas mais novas, reforça a importância de estratégias de prevenção. A educação em saúde, direcionada tanto para pais e responsáveis quanto para as próprias crianças em idade escolar, é um caminho fundamental para mitigar esses acidentes.

Medidas simples, como manter produtos inflamáveis e objetos quentes fora do alcance das crianças, supervisionar o uso de fogões e fornos, e garantir que instalações elétricas estejam em bom estado, podem fazer uma diferença significativa. A conscientização sobre os perigos associados a fogueiras e fogos de artifício, especialmente durante festividades, também deve ser ampliada.

A discussão sobre a criação e a aplicação de leis mais rigorosas em relação à venda e ao uso de fogos de artifício, por exemplo, pode ser pautada pela análise desses dados. Da mesma forma, a promoção de ambientes mais seguros em escolas e creches, onde muitas dessas lesões podem ocorrer, deve ser incentivada.

O subdimensionamento dos números, considerando que muitos casos leves não chegam à rede hospitalar, aponta para a necessidade de um registro mais abrangente e de ações que alcancem a comunidade em geral. A saúde pública brasileira precisa encarar as queimaduras como um problema de saúde coletiva que exige atenção contínua e investimentos em prevenção.

A SBP ressalta que a conscientização é a ferramenta mais poderosa contra esses acidentes. Ao informar e engajar a sociedade, é possível construir um futuro com menos vítimas e mais segurança para nossas crianças e adolescentes.

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