Crianças até 6 anos são 67% das vítimas de agressões que ocorrem em casa aponta pesquisa curitibana

🕓 Última atualização em: 11/05/2026 às 21:09

O Hospital Pequeno Príncipe, referência nacional em pediatria, completa duas décadas de atuação com a campanha “Pra Toda Vida — A Violência Não Pode Marcar o Futuro das Crianças e Adolescentes”. A iniciativa, que já auxiliou mais de dez mil crianças e adolescentes em situação de risco, evidencia a persistência e a gravidade da violência infantil no Brasil, com especial destaque para a violência sexual e o ambiente doméstico como cenários recorrentes.

Em 2025, o hospital registrou 637 atendimentos de suspeitas de maus-tratos e abusos. Desses, a violência sexual representou 64% dos casos, afetando predominantemente crianças na primeira infância, com 67% das vítimas tendo até seis anos de idade. Um terço desses casos envolvia crianças com até três anos, evidenciando a vulnerabilidade extrema de bebês e lactentes.

A análise dos dados revela que a violência se manifesta de forma cíclica e sistêmica. 72% das agressões ocorreram dentro do lar, e 24% dos registros indicaram recorrência, configurando um padrão preocupante de agressões contínuas.

Casos extremos, como o de uma bebê de apenas seis meses vítima de abuso sexual e um recém-nascido de dez dias internado com múltiplas lesões físicas, sublinham a urgência do tema e a necessidade de intervenção precoce e eficaz.

Essas estatísticas demonstram que a violência contra crianças e adolescentes é, frequentemente, íntima, silenciosa e de difícil identificação pelas próprias vítimas, especialmente quando não possuem capacidade de verbalizar o ocorrido. A capacidade de observação de adultos e a atuação qualificada da rede de proteção são, portanto, cruciais para a detecção e o combate a essa realidade.

A campanha busca justamente munir a sociedade com ferramentas para o reconhecimento de sinais de alerta e a promoção da denúncia como passo inicial para a quebra do ciclo de agressão.

O papel da sociedade na identificação e combate à violência infantil

A conscientização e o engajamento social são pilares fundamentais para reverter o quadro da violência infantil. A iniciativa do Pequeno Príncipe foca em capacitar pais, educadores e a comunidade em geral para que se tornem agentes de proteção.

Identificar mudanças súbitas de comportamento em crianças e adolescentes pode ser um indicativo importante de que algo está errado. O medo excessivo, o isolamento social, a agressividade inexplicável ou o declínio no desempenho escolar são sinais que merecem atenção redobrada.

Mudanças nos hábitos de higiene, como a volta da incontinência fecal após a fase de desfralde, ou um conhecimento sexual precoce e inadequado para a idade, também podem ser pistas que levam à identificação de situações de risco.

A campanha, em seus 20 anos, evoluiu de uma ação pontual de conscientização para um movimento abrangente. Incorporou a produção de conteúdo técnico, a formação de profissionais de diversas áreas e a mobilização social, sempre com base em dados e evidências científicas.

A análise histórica aponta um aumento de 126% nos atendimentos ao longo das duas décadas, reforçando a magnitude do problema. Em 2026, sob o lema “Proteger a infância é um compromisso de todos”, a campanha busca reforçar a ideia de que o enfrentamento da violência é uma responsabilidade compartilhada.

Reuniões como o encontro “Diálogos sobre Proteção de Crianças e Adolescentes”, promovido pelo hospital, buscam fortalecer a atuação integrada entre saúde, assistência social, justiça e organizações civis, visando uma resposta coordenada e eficaz.

“O Pequeno Príncipe chama atenção para a importância de todos os atores sociais estarem atentos ao enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes. Quando a violência atinge crianças tão pequenas, enfrentá-la depende da ação de todos”, afirma a diretora-executiva do Hospital Pequeno Príncipe, Ety Cristina Forte Carneiro, destacando a necessidade de um esforço coletivo e contínuo.

Como denunciar e proteger

A denúncia é a ferramenta mais poderosa para intervir e proteger crianças e adolescentes em situação de violência. Mecanismos de comunicação acessíveis e seguros são essenciais para que qualquer cidadão possa relatar suspeitas.

A confidencialidade e o anonimato são garantidos nos principais canais de denúncia, incentivando a participação de quem presencia ou suspeita de alguma irregularidade. Esses meios de comunicação são a linha de frente para acionar a rede de proteção e iniciar o processo de investigação e socorro.

Os principais canais para denúncia anônima incluem o Disque 100, um número nacional que centraliza os relatos, o 181, específico para o estado do Paraná, e o 156, para a cidade de Curitiba. Utilizar esses recursos é um ato de cidadania e um passo fundamental para garantir o direito à infância segura e protegida.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *