Congresso de Saúde Coletiva da UFPR reúne pesquisadores do país para debater avanços e desafios

🕓 Última atualização em: 14/04/2026 às 17:30

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) sediou, entre os dias 8 e 10 de abril, o V Congresso de Saúde Coletiva. O evento reuniu estudantes, pesquisadores, profissionais de saúde e membros da sociedade civil para debater o futuro do Sistema Único de Saúde (SUS) e outras questões cruciais para a saúde pública no Brasil. A programação incluiu mesas redondas, apresentações de trabalhos e discussões sobre direitos, equidade e políticas públicas.

O congresso, realizado no campus Rebouças, contou com o apoio de diversas instâncias da UFPR, incluindo o Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, o Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva (NESC) e o Instituto Federal do Paraná (IFPR). A relevância histórica do NESC/UFPR na construção do SUS foi destacada pela vice-reitora Camila Fachin, que também ressaltou o papel do Hospital de Clínicas (HC-UFPR) como principal interface da universidade com a população.

Um dos temas centrais abordados foi o financiamento do SUS, especialmente em um contexto político desafiador. A mesa “Para onde vai o nosso SUS? Um sistema de direitos em tempos de direita” expôs como as decisões políticas, muitas vezes materializadas em emendas parlamentares, podem desviar o foco do planejamento técnico do Ministério da Saúde, impactando diretamente a oferta de serviços.

A discussão sobre saúde mental e direitos ganhou destaque em outra mesa, explorando o direito à não medicalização e o acesso a políticas públicas adequadas. A complexidade da saúde psiquiátrica e suas interfaces com políticas sociais foi debatida por especialistas e ativistas, evidenciando a necessidade de abordagens mais humanizadas e inclusivas.

Desafios e Experiências na Promoção da Equidade em Saúde

A busca por um sistema de saúde mais justo e equitativo foi um fio condutor ao longo do congresso. A mesa redonda sobre “Experiências Exitosas: Direitos Humanos, Gênero, Equidade e populações vulneráveis” apresentou iniciativas concretas e exemplos de sucesso na abordagem de temas sensíveis.

Nesta mesa, foram compartilhados estudos de caso e projetos voltados para a proteção de grupos historicamente marginalizados, como mulheres em situação de violência. O lançamento da história em quadrinhos “Aurora: Amanhecer com Esperança” e a divulgação da fase dois do projeto “Eu Decido”, que visa apoiar mulheres vítimas de violência doméstica através de uma plataforma digital, demonstraram o potencial da inovação e da articulação entre diferentes saberes para a proteção social.

A discussão sobre os direitos dos povos originários e o conceito de “bem viver” em seus territórios foi outro ponto alto. A mesa “Bem viver indígena e direitos nos territórios dos povos originários” promoveu um diálogo fundamental entre lideranças indígenas, pesquisadores e representantes do Ministério da Saúde, buscando a integração de saberes tradicionais com políticas públicas. Essa abordagem reconhece a importância da autodeterminação dos povos indígenas e a relação intrínseca entre saúde e território.

Paralelamente às mesas de debate, o evento contou com mais de 150 comunicações coordenadas, 130 apresentações de pôsteres e mais de 30 rodas de conversa. Essa vasta produção acadêmica e prática evidenciou a diversidade de pesquisas e intervenções voltadas para a saúde coletiva no Brasil.

A interação entre academia e sociedade foi um dos grandes méritos do congresso. A troca de experiências e o debate entre diferentes perspectivas fortaleceram a visão de que a construção de um sistema de saúde verdadeiramente democrático e acessível depende do engajamento contínuo de todos os setores da sociedade.

Caminhos para uma Saúde Cidadã e Democrática

Ao final do evento, a mesa “Como ocupar os espaços para a construção de uma saúde cidadã?” fechou a programação com uma reflexão crucial sobre os caminhos a serem trilhados. O debate enfatizou a necessidade de fortalecer não apenas o SUS, mas também os pilares da democracia brasileira, entendendo que saúde e cidadania são indissociáveis.

A discussão ressaltou a importância da participação social ativa e da vigilância constante para garantir que o direito à saúde seja efetivamente universal e integral. A articulação entre diferentes áreas do conhecimento e a atuação em rede foram apontadas como estratégias fundamentais para avançar na garantia de uma saúde de qualidade para toda a população, sempre pautada pela ética e pela responsabilidade social.

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