Como cerejeiras são protegidas em obras no Centro de Curitiba

🕓 Última atualização em: 29/07/2026 às 20:38

Uma inovação técnica desenvolvida em Curitiba salvou 48 mudas de cerejeiras-do-japão durante as obras do BRT Leste-Oeste. A intervenção, focada na preservação da vegetação em meio a complexos trabalhos de engenharia, demonstra a crescente integração entre infraestrutura urbana e políticas ambientais. A solução surgiu após eventos climáticos extremos que expuseram as raízes das árvores, ameaçando sua sobrevivência.

As fortes chuvas de junho e julho causaram erosão significativa no entorno das valas de escavação. Essa condição comprometeu a estrutura de solo que protegia o sistema radicular das mudas, uma área conhecida como “dama”, vital para a saúde das plantas desde seu plantio original.

Com as raízes desprotegidas, as cerejeiras ficaram vulneráveis à oxidação e à perda de vitalidade. A situação demandou uma resposta rápida e eficaz para evitar que as árvores morressem ou precisassem ser transplantadas.

Uma articulação entre a Unidade Técnico-Administrativa de Gerenciamento (Utag), a Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop), a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) e o Horto Municipal da Barreirinha foi fundamental. A construtora responsável pelas obras no Lote 2.3 do BRT também foi parceira na busca por uma solução.

A prioridade era manter as cerejeiras em seu local de origem, evitando o estresse associado ao transplante. Avaliações indicaram que o espaço disponível no canteiro de obras permitia a coexistência entre a construção e a vegetação, desde que houvesse uma proteção técnica adequada.

A Evolução da Proteção das Mudas

Inicialmente, foram testadas barreiras físicas de madeira como medida provisória para isolar as raízes expostas das valas. Contudo, essa abordagem precisou de aprimoramentos contínuos.

Sob a orientação da Utag, um técnico de segurança da empreiteira desenvolveu um sistema modular de contenção. Este sistema consistia em caixas protetoras de madeira, personalizadas para se ajustar às necessidades específicas de cada muda.

A solução final proporcionou um isolamento completo para as raízes e estabilidade mecânica, tornando-se um modelo de eficiência para as demais etapas da obra. O período de inverno, com as árvores em dormência biológica, também facilitou a manipulação do sistema radicular sem prejuízos ao desenvolvimento futuro das plantas.

A implementação dessa estratégia técnica não só salvou as árvores, mas também reforça o compromisso da cidade com seus planos climáticos. O Plano Municipal de Ação Climática (PlanClima) visa reduzir o calor urbano, e a Avenida Sete de Setembro é uma área considerada de predominância “cinza”, com baixa cobertura vegetal.

Preservar cada árvore existente em áreas como essa é crucial para mitigar os efeitos das ilhas de calor e melhorar a qualidade de vida urbana. A decisão de manter as cerejeiras em seu local original alinha-se diretamente com essas metas.

Legado e Protocolos para o Futuro

A experiência adquirida com a preservação das cerejeiras-do-japão servirá como um importante referencial para futuras obras em Curitiba. Espera-se que essa intervenção crie novos protocolos para a gestão de projetos que envolvam escavações próximas a áreas arborizadas.

A adoção das caixas protetoras como medida preventiva padrão, aplicada antes do início das atividades de escavação, está entre as recomendações. Essa abordagem proativa visa evitar que problemas ambientais surjam durante a execução das obras.

O coordenador-geral da Utag, Marcio Teixeira, destacou a importância do trabalho integrado. “O trabalho integrado entre todas as equipes envolvidas permitiu que encontrássemos uma solução ao caso do Lote 2.3 do BRT Leste-Oeste que pode ser utilizada em novas frentes de obras da cidade”, afirmou.

Ele ressaltou que o modelo criado equilibra o progresso da infraestrutura urbana com a conservação do patrimônio verde de Curitiba. Essa sinergia é fundamental para o desenvolvimento sustentável da cidade.

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