Chuva histórica no Paraná setembro registra maior volume em 25 anos

🕓 Última atualização em: 01/10/2026 às 18:40

Setembro de 2026 marcou um período de chuvas expressivas no Paraná, com diversos municípios registrando volumes pluviométricos que superaram as médias históricas para o mês. A intensidade dos eventos atmosféricos, impulsionada em parte pelo fenômeno El Niño, provocou acumulados recordes em diversas estações meteorológicas monitoradas pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

A elevação da umidade e o aumento da frequência de frentes frias intensas foram fatores cruciais para a ocorrência desses volumes pluviométricos anormais. Algumas localidades observaram as maiores precipitações para setembro desde o início de suas séries históricas de monitoramento.

Em Cambará, por exemplo, a média histórica de 89,2 mm foi significativamente ultrapassada, atingindo 332,6 mm. Situações semelhantes foram registradas em Cerro Azul (média de 110,1 mm, acumulado de 363,4 mm), Ponta Grossa (média de 124 mm, acumulado de 341,4 mm) e Telêmaco Borba (média de 133,3 mm, acumulado de 356,6 mm).

Estações com séries históricas iniciadas mais recentemente também registraram anomalias. Em Antonina, com medições desde 1998, o volume de 476,8 mm em setembro de 2026 superou em muito a média mensal de 157,4 mm. Pinhais também observou um acumulado expressivo de 274,2 mm.

Outras cidades como Apucarana, Jaguariaíva e as localizadas na região litorânea, incluindo Paranaguá e Guaraqueçaba, também registraram seus setembro mais chuvosos desde o início de suas respectivas séries históricas, evidenciando a abrangência dos eventos.

Impactos e Fenômenos Associados

As chuvas intensas estiveram frequentemente acompanhadas por fortes rajadas de vento, com registros superiores a 100 km/h em diversas áreas. A ocorrência de fenômenos como downbursts, também conhecidos como microexplosões atmosféricas, foi notada.

Em um cenário de eventos extremos, o Simepar identificou a ocorrência de dois tornados em setembro de 2026: um em Francisco Alves e outro em Goioerê. A análise preliminar dos danos ainda está em curso para a classificação precisa destes eventos na escala Fujita.

A persistência da nebulosidade e das precipitações resultou em uma menor incidência de sol e, consequentemente, em temperaturas mais amenas. Em geral, as temperaturas médias em todo o Paraná em setembro de 2026 situaram-se dentro ou abaixo da média histórica.

Em algumas regiões, como o Norte e Noroeste do estado, as temperaturas ficaram notavelmente mais baixas, com desvios entre 1,3°C e 1,8°C abaixo da média. Contrariando a tendência geral, a temperatura máxima registrada no estado foi de 39,9°C em Capanema, no final do mês.

Outras estações meteorológicas também anotaram seus recordes de temperatura para 2026 em setembro, demonstrando a variação térmica regional. Em contrapartida, a temperatura mínima registrada no estado foi de -0,1°C em General Carneiro e no Distrito de Horizonte, em Palmas, no feriado de 7 de setembro.

Alerta Geadas e Previsão para Atividades Agrícolas

Neste contexto de variações climáticas, o serviço de Alerta Geadas, uma iniciativa conjunta do Simepar e do IDR-PR, encerrou suas atividades de 2026 em setembro. Durante o período de atuação, foram emitidos quatro novos alertas específicos para a ocorrência de geadas.

Desde maio, o serviço havia emitido um total de 30 alertas detalhados, visando principalmente mitigar os potenciais danos às atividades agropecuárias em decorrência de baixas temperaturas e geadas. A gestão proativa dessas informações é crucial para a sustentabilidade do setor produtivo diante de cenários climáticos desafiadores.

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