Animais exóticos assustam moradores e confundem público em parques de Curitiba

A presença de saguis em áreas urbanas de Curitiba, como o Parque Barigui, Tingui e Tanguá, tem gerado preocupação e debates sobre a interação humana com a fauna silvestre. Esses pequenos primatas, originários do Nordeste brasileiro e introduzidos na capital paranaense, não são animais de estimação e sua proliferação descontrolada pode acarretar significativos impactos ecológicos.

A confusão entre animais silvestres e pets é um dos principais fatores que levam a atitudes inadequadas por parte da população. Alimentar os saguis, por exemplo, embora pareça um gesto de carinho, desvirtua seu comportamento natural e pode afetar a cadeia alimentar local.

Essa temática foi abordada em uma recente oficina promovida na Escola Municipal de Sustentabilidade, com o objetivo de educar a comunidade sobre a importância de preservar a biodiversidade e de manter uma relação responsável com as espécies exóticas.

A importância da educação ambiental

A diretora de Educação Ambiental da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Leila Zem, destacou que as escolhas diárias e o consumo de cada indivíduo têm reflexos diretos na proteção da biodiversidade. A curiosidade e agilidade dos saguis podem atrair a atenção, mas a alimentação inadequada é um fator prejudicial.

Durante o evento, foram discutidas as características comportamentais dos saguis, seu papel no ecossistema e os riscos associados ao tráfico ilegal de animais. A introdução de espécies fora de sua área natural, como é o caso dos saguis em Curitiba, pode gerar conflitos com a fauna nativa, alterando o equilíbrio ambiental.

Técnicos e estagiários de Biologia apresentaram informações sobre a conservação e as atitudes responsáveis que a população deve adotar ao se deparar com animais silvestres, enfatizando a necessidade de não interferir em seu habitat.

Engajamento e futuras ações

A oficina contou com a participação de 16 pessoas, incluindo representantes de órgãos como o Instituto Água e Terra (IAT) e a Secretaria Municipal da Educação. Estudantes de Medicina Veterinária da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), engajadas em estudos sobre animais selvagens, também estiveram presentes.

Essas estudantes ressaltaram a relevância do conhecimento sobre os saguis e a necessidade de conscientização, especialmente em ambientes universitários onde a presença dessas espécies é frequente. A troca de informações obtidas na oficina servirá para fortalecer o trabalho de divulgação científica e mobilização em sua faculdade.

A Escola Municipal de Sustentabilidade continuará com a série de oficinas “De papo com biólogos”, com temas que incluem anfíbios e insetos. As inscrições são gratuitas e abertas ao público, visando ampliar o alcance da educação ambiental e promover uma convivência mais harmoniosa entre humanos e a vida selvagem.

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