UE Paraná PIB cresce com acordo Ipardes

🕓 Última atualização em: 23/01/2026 às 01:35

A consolidação de um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia representa uma oportunidade estratégica para o fortalecimento da economia paranaense. Projeções do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) indicam que cada ponto percentual de aumento anual nas exportações do estado para o bloco europeu pode injetar R$ 137,5 milhões no Produto Interno Bruto (PIB) local.

Essa expansão nas vendas externas é vista como um vetor de geração de empregos. Estima-se que um crescimento de 1% nas exportações paranaenses para a UE possa criar aproximadamente 1.100 novas vagas de trabalho. Este impacto se estende para além do setor exportador direto, reverberando em segmentos produtivos a ele correlatos.

Em 2025, o Paraná registrou vendas de US$ 2,46 bilhões para a União Europeia, evidenciando a relevância deste mercado. Este valor corresponde a 10,4% do total exportado pelo estado, superando em volume o comércio com destinos como Argentina, Estados Unidos e México. A importância do bloco europeu para as finanças estaduais é, portanto, inquestionável.

A pauta de exportação do Paraná para a UE é diversificada, com forte presença do agronegócio. O farelo de soja lidera, alcançando US$ 950 milhões em 2025. Na sequência, figuram a madeira compensada (US$ 203 milhões) e a carne de frango in natura (US$ 187 milhões), produtos que demonstram a força do setor primário paranaense.

No entanto, a contribuição do estado para o mercado europeu não se restringe aos produtos agrícolas. Máquinas de terraplanagem, insumos químicos e peças para veículos também compõem uma fatia significativa das exportações. Essa diversificação aponta para uma estrutura produtiva robusta e capaz de atender a demandas variadas do mercado internacional.

Impactos e Expansão

Jorge Callado, diretor-presidente do Ipardes, enfatiza o potencial transformador do acordo, especialmente em um cenário de crescimento. Em 2024, o comércio do Paraná com a UE já apresentou uma alta de 2,8%, totalizando US$ 2,3 bilhões. A perspectiva é de aceleração nesse ritmo, impulsionando o desenvolvimento econômico do estado.

A força produtiva paranaense beneficiada pelo acordo abrange diversas regiões. O complexo de carnes, concentrado no Oeste, a indústria de base florestal nos Campos Gerais e o setor automotivo na Região Metropolitana de Curitiba são exemplos claros de como os efeitos positivos do acordo se distribuirão territorialmente.

A adesão a um bloco de 450 milhões de consumidores não apenas amplia o alcance do mercado, mas também pode catalisar a inovação. A proximidade com países desenvolvidos tende a estimular a adoção de novas tecnologias e a adaptação de cadeias produtivas, gerando empregos mais qualificados e elevando a competitividade do Paraná.

Conceitos como competitividade e cadeia produtiva ganham nova dimensão com a perspectiva de integração a um mercado de alta exigência e complexidade.

Reconfiguração Tarifária e Oportunidades Setoriais

O acordo em si é um tratado de livre comércio projetado para simplificar transações, fortalecer relações bilaterais e reduzir a burocracia. Ele aborda desde tarifas de importação e exportação até regras para comércio de bens e serviços, compras governamentais e proteção à propriedade intelectual.

A eliminação progressiva de tarifas é um dos pilares do acordo, com benefícios esperados em diversos setores brasileiros. No agronegócio, a abertura se dará por meio de cotas específicas, garantindo um acesso gradual e estratégico.

Produtos como o café, em suas diversas formas (solúvel, torrado e moído), são um exemplo claro. Atualmente, o café solúvel enfrenta uma taxa de 9% para adentrar o mercado europeu; com o acordo, essa barreira será gradualmente removida. O setor de carnes também se beneficia, com uma cota de 180 mil toneladas de carne de frango com perspectiva de tarifação zero, favorecendo o Paraná como maior produtor e exportador nacional.

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