Soja impulsiona balança comercial do Paraná

🕓 Última atualização em: 22/05/2026 às 04:44

O agronegócio paranaense demonstra resiliência e dinamismo, com a soja liderando o cenário de exportações no primeiro quadrimestre de 2026. O complexo soja, que abrange o grão, o farelo e o óleo, registrou um volume expressivo de mais de 5,3 milhões de toneladas embarcadas. Este desempenho representa um crescimento de 3,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior, consolidando a posição do estado como um dos principais players no mercado global.

O impacto comercial desse volume é notável, impulsionando a balança comercial paranaense para US$ 2,3 bilhões, um salto de 10,6% em relação a 2025. A demanda internacional tem em seu epicentro a China, principal compradora, responsável por absorver 59% de toda a produção exportada pelo estado. Outros mercados importantes incluem o Irã, com 6%, e o Vietnã, com 5% das exportações. No total, o Paraná conseguiu colocar seus produtos de soja em 43 países diferentes.

Em um panorama mais amplo, as exportações totais do Paraná atingiram US$ 7,54 bilhões, posicionando o estado como o sexto maior exportador do Brasil e o líder na região Sul em 2026. Essa robustez reflete a diversificação e a força produtiva do setor agrícola estadual.

Desafios e Oportunidades nas Culturas Secundárias

Contudo, nem todas as culturas apresentaram um cenário tão favorável. A segunda safra de milho exige atenção especial devido às recentes oscilações climáticas. As primeiras geadas registradas em algumas regiões do Paraná, notadamente no Sul do estado, causaram danos pontuais às lavouras. O índice de áreas consideradas em “boas condições” recuou ligeiramente, enquanto a proporção de lavouras em situação regular e “ruim” apresentou um leve aumento.

Apesar dos relatos pontuais de perdas, o analista do Deral, Edmar Gervasio, ressalta que as condições gerais da produção de milho no estado, como um todo, ainda não sofreram prejuízos significativos. A concentração do cultivo nas regiões Norte e Oeste, menos afetadas pelas geadas, contribui para manter a produção em patamares satisfatórios. O Norte do Paraná concentra cerca de 35,7% da área total de milho, seguido pelo Oeste com aproximadamente 933 mil hectares.

No setor de proteína animal, a carne bovina nacional registrou um crescimento de 15% nas exportações no primeiro quadrimestre. No entanto, o aumento da oferta de animais para os frigoríficos pressionou os preços da arroba, que apresentou uma queda de 2,72% no mês, sendo negociada a uma média de R$ 343,00 no Paraná. As condições climáticas adversas, com tempo frio afetando as pastagens, também podem impactar os custos de produção e, consequentemente, a precificação.

A atividade de produção de frango também enfrenta pressões financeiras. Em abril, o preço médio pago pelo frango vivo ao produtor ficou abaixo do custo estimado de produção. A alta recente de insumos essenciais para a nutrição animal, como o milho e o farelo de soja, eleva os custos operacionais, impactando a rentabilidade dos avicultores.

Um Olhar sobre a Diversificação e o Potencial da Fruticultura

Em contrapartida, a fruticultura paranaense tem apresentado nichos de destaque. A acerola, em particular, movimentou R$ 13,2 milhões em Valor Bruto da Produção (VBP) no estado. A região de Cianorte se consolida como um polo produtor significativo, respondendo por 48% do VBP da fruta no Paraná. Distribuída por 81 municípios e com uma colheita expressiva, a acerola tem forte apelo na agricultura familiar.

O cultivo da acerola no Paraná tem se fortalecido no mercado de orgânicos e na agregação de valor através da agroindústria, especialmente na produção de polpas. Cooperativas e empresas locais desempenham um papel crucial nesse desenvolvimento, explorando mercados internacionais, inclusive através de traders. Essa diversificação produtiva não só garante renda para pequenos produtores, mas também impulsiona a economia regional com produtos de alto valor agregado e potencial de exportação.

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