O rigor do inverno, que se inicia formalmente em meados de junho, traz consigo uma onda de preocupações para a saúde pública, com destaque para o recrudescimento de doenças respiratórias em crianças. O cenário de temperaturas mais baixas, associado a um clima frequentemente mais seco e à consequente permanência prolongada em ambientes fechados e com ventilação limitada, cria um terreno fértil para a proliferação de vírus.
Essa combinação de fatores intensifica a circulação de patógenos responsáveis por quadros respiratórios, elevando consideravelmente o risco de complicações severas, como a pneumonia. A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) tem intensificado suas ações de conscientização, ressaltando a urgência da adoção de medidas preventivas e da vigilância atenta aos sinais de agravamento em crianças.
O secretário de Estado da Saúde, César Neves, enfatiza a necessidade de que a população busque assistência médica ao primeiro sinal de que um quadro respiratório infantil esteja se deteriorando. “O período invernal demanda uma atenção especial por parte das famílias, particularmente no que tange à saúde dos pequenos. Temos fortalecido nossa rede assistencial para responder à demanda sazonal esperada, mas é fundamental reconhecer que a prevenção se mantém como o principal pilar de defesa”, pontuou.
Neves também destacou que a vacinação em dia, a prática rigorosa de higiene das mãos e a procura precoce por avaliação médica diante de sintomas que se mostram persistentes são estratégias cruciais para evitar desfechos graves e, em última instância, salvar vidas.
Estatísticas recentes da Sesa revelam que a pneumonia atinge de forma mais acentuada bebês com até um ano de idade. Em 2025, o estado do Paraná registrou 1.611 internações nessa faixa etária em decorrência da doença. Entre crianças com idades entre 2 e 12 anos, o número de internações por pneumonia somou 1.308.
A evolução de infecções virais aparentemente benignas para quadros de pneumonia em crianças é uma realidade observada por especialistas. O pneumologista pediátrico Carlos Roberto Lebarbenchon Massignan, vinculado ao Hospital Infantil Waldemar Monastier, uma das importantes unidades hospitalares estaduais, corrobora essa percepção.
A Vigilância Constante Contra o Agravamento
Massignan explica que o clima mais frio e seco característico desta época do ano facilita a aglomeração de pessoas em locais fechados e com pouca circulação de ar. Esse ambiente propicia a rápida disseminação de vírus respiratórios. Frequentemente, o quadro inicia-se com sintomas como febre, coriza, tosse e mal-estar geral, mas pode evoluir para complicações mais sérias, como a pneumonia.
O médico alerta os pais e responsáveis para observarem atentamente determinados sinais em seus filhos. Febre persistente, apatia acentuada (prostração), irritabilidade incomum, diminuição do apetite e alterações no padrão respiratório são indicativos que demandam atenção. Em bebês, a redução na frequência das mamadas e sonolência excessiva também são manifestações que exigem prontidão.
“Uma das manifestações clínicas mais críticas é o aumento do esforço para respirar. Quando a criança exibe uma respiração acelerada, ou se observa o afundamento das costelas ou da região do pescoço durante o ato de respirar, é imperativo buscar avaliação médica imediata”, adverte o especialista.
A prevenção, para além da imunização completa, engloba a adoção de medidas simples, mas de grande impacto, na redução da propagação de infecções respiratórias. O pneumologista reitera que a higiene das mãos se consolida como uma das estratégias mais eficazes para bloquear a transmissão de vírus e bactérias.
A lavagem adequada das mãos, embora não elimine a presença do vírus no ambiente, atua decisivamente na interrupção de sua cadeia de transmissão. Quando uma pessoa tosse ou espirra nas mãos e entra em contato com superfícies ou outras pessoas, há um risco real de propagação de agentes infecciosos. Portanto, lavar as mãos com frequência, secá-las corretamente e, quando necessário, utilizar álcool em gel 70% são medidas essenciais.
Dados fornecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a correta higienização das mãos pode prevenir uma parcela considerável das doenças infecciosas tratadas em unidades de saúde.
Fortalecendo as Defesas e o Ambiente Saudável
Adicionalmente, é recomendada a manutenção de ambientes bem ventilados, a adoção de práticas de higiene respiratória, como cobrir a boca e o nariz com o antebraço ao tossir ou espirrar, evitar o contato próximo com indivíduos que apresentem sintomas de doenças e cultivar hábitos de vida saudáveis. “Uma dieta equilibrada, com boa ingestão hídrica, consumo frequente de frutas, verduras e legumes, somada à vacinação atualizada, fortalece o sistema imunológico e contribui significativamente para a prevenção das infecções respiratórias”, complementa.
A Secretaria de Estado da Saúde reforça que, em quaisquer situações de dúvida sobre o estado de saúde de uma criança, a orientação primordial é procurar uma unidade de saúde para uma avaliação profissional e qualificada.






