A gestão hídrica na Região Metropolitana de Curitiba ganha um reforço tecnológico significativo com a iminente operação do novo Reservatório do Miringuava, em São José dos Pinhais. A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) tem empregado um arsenal de tecnologias de ponta para garantir um enchimento e uma operação eficientes deste importante manancial.
O processo de monitoramento do volume de água está sendo realizado de forma contínua, 24 horas por dia. Esta vigilância constante se apoia em modelos digitais tridimensionais (3D) elaborados antes mesmo do fechamento da comporta, em janeiro. A plena capacidade do reservatório, no entanto, permanece atrelada ao regime pluviométrico da bacia do Rio Miringuava.
Uma etapa crucial foi a criação de modelos digitais de alta resolução do futuro leito do reservatório. Para isso, drones sobrevoaram a área a 120 metros de altitude, capturando milhares de imagens. Simultaneamente, antenas GNSS (Global Navigation Satellite System), um tipo de GPS avançado, foram utilizadas para o georreferenciamento preciso dessas fotografias.
A combinação dessas imagens com softwares de geoprocessamento de alta performance permitiu a construção de modelos 3D detalhados. Diferente dos levantamentos topográficos tradicionais, que usualmente apresentam curvas de nível com intervalos de 5 metros, este novo modelo possui uma resolução espacial de 20 centímetros. Essa granularidade permite visualizar detalhes do terreno do tamanho de um palmo.
Otimização da Gestão e Tomada de Decisão
Segundo o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, o objetivo principal destas iniciativas é fornecer um embasamento técnico rigoroso para a tomada de decisões. Isso abrange desde a fase de enchimento do reservatório até sua futura operação. A intenção é maximizar a eficiência do sistema de abastecimento para a região.
Bley enfatiza que a Sanepar não está apenas erguendo uma estrutura física. A empresa está, na verdade, construindo uma base de dados científica que será essencial para gerenciar o Reservatório do Miringuava com máxima eficiência pelas próximas décadas. Essa abordagem proativa visa antecipar desafios e otimizar o uso dos recursos hídricos.
Em paralelo ao mapeamento do terreno, a Sanepar investiu na criação de uma rede de estações hidrometeorológicas de pesquisa. Desde 2020, sensores instalados em pontos estratégicos registram continuamente o nível dos rios, acumulando mais de 150 mil medições por estação. Essa rede fornece dados valiosos sobre a disponibilidade hídrica da bacia.
Para mensurar a vazão que alimenta o reservatório, equipamentos de alta tecnologia foram empregados, incluindo um pequeno barco autônomo equipado com sensores acústicos. Este dispositivo é capaz de medir a velocidade e a profundidade da água em diversas condições, desde períodos de seca severa até momentos de cheia, gerando informações cruciais para o planejamento.
O diretor de Inovação e Novos Negócios da Sanepar, Anatalicio Risden Junior, explica que esses dados são fundamentais para o desenvolvimento de planos de trabalho. Eles permitem, por exemplo, avaliar variações na produção de água da bacia em anos distintos. Em 2021, a bacia produziu cerca de 30% menos água do que em períodos subsequentes, informação que auxilia a Sanepar a prever o comportamento da barragem em cenários de escassez hídrica.
Fórmulas matemáticas, elaboradas a partir dos dados coletados pelo barco com sensores acústicos, permitem um conhecimento preciso sobre o volume de água que entra e sai da barragem. Essa inteligência, combinada com as simulações digitais do enchimento e a visualização detalhada do terreno submerso, facilitará significativamente as futuras inspeções e a gestão geral do manancial.
Sustentabilidade e Conservação da Biodiversidade
A construção do reservatório também considerou a proteção do meio ambiente e da biodiversidade local. Em uma iniciativa de compensação pela área utilizada para o espelho d’água, a Sanepar planejou a criação de um corredor de biodiversidade. Esta área, com 700 hectares, é superior em 62,6% à área efetivamente alagada para reservação (430,6 ha).
Equipes especializadas realizaram o resgate e o remanejamento de animais terrestres e aquáticos para áreas de preservação seguras. Este trabalho, considerado essencial para a conservação, continua em andamento durante todas as fases de enchimento do reservatório, garantindo a segurança das espécies.
O manejo da vegetação também foi uma prioridade, incluindo o inventário de espécies. Espécies raras ou ameaçadas foram resgatadas e realocadas, e sementes foram coletadas para um programa de produção de mudas destinado ao reflorestamento de áreas degradadas. Essas ações demonstram um compromisso com a recuperação e a preservação do ecossistema.






