A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) avança em um projeto de infraestrutura hídrica de grande escala, com o objetivo de consolidar o abastecimento para uma porção significativa do estado. O foco recai na construção do Sistema de Abastecimento Integrado do Norte do Paraná (SAINP).
Este empreendimento visa garantir o acesso à água tratada para as cidades de Arapongas, Apucarana e Rolândia, regiões que demandam soluções robustas e de longo prazo para suas necessidades hídricas.
A abordagem adotada pela Sanepar para a execução do SAINP se destaca por sua inovação no modelo de contratação. Em vez de um modelo tradicional, a companhia optou pela locação de ativos.
Este método permite que a iniciativa privada seja responsável pela elaboração do projeto executivo, pela construção e pela disponibilização de toda a infraestrutura necessária, incluindo tubulações, equipamentos e edificações.
A Sanepar, por sua vez, assumirá a operação desses ativos após a conclusão e entrega das obras. Essa divisão de responsabilidades busca otimizar prazos e recursos.
A licitação internacional para a contratação dos serviços já foi publicada. O processo está programado para ocorrer na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, com a definição do vencedor através de leilão.
A proposta vencedora será aquela que apresentar o menor Valor Mensal de Locação (VML). Este indicador é crucial para determinar a viabilidade econômica do contrato, que tem um valor estimado em cerca de R$ 2 bilhões ao longo de 20 anos.
A escolha pelo modelo de locação de ativos é fundamentada na expectativa de acelerar a implantação do sistema. A Sanepar argumenta que essa modalidade é mais ágil em comparação aos modelos de contratação convencionais.
Avanços Tecnológicos e Consulta ao Mercado
A diretoria da Sanepar tem enfatizado a importância do diálogo com o mercado na concepção deste projeto. Consultas públicas e rodadas de apresentação do projeto, realizadas em 2025, foram etapas essenciais.
O objetivo foi coletar feedback de agentes econômicos e especialistas. Essas contribuições permitiram aprimorar os detalhes do edital e torná-lo mais alinhado às práticas de mercado.
A flexibilidade inerente ao modelo de locação de ativos é outro ponto positivo destacado. A empresa contratada terá liberdade para propor e implementar soluções tecnológicas inovadoras durante a execução das obras.
Essa autonomia pode resultar em métodos construtivos mais eficientes e na incorporação de tecnologias de ponta, beneficiando a celeridade e a qualidade do empreendimento.
O escopo físico do SAINP é ambicioso. O projeto prevê a criação de duas novas captações de água, com uma capacidade combinada de produção de 1.200 litros por segundo.
Uma captação no Ribeirão Apertados fornecerá 400 litros por segundo, enquanto outra no Rio Taquaras complementará com 800 litros por segundo, totalizando a vazão planejada.
A infraestrutura incluirá ainda a construção de uma nova Estação de Tratamento de Água (ETA) e uma Estação de Tratamento de Lodo (ETL). Ambas serão dimensionadas para processar o volume integral de 1.200 litros por segundo.
Para reforçar a segurança hídrica, haverá também a expansão do reservatório Papa-Piri, em Arapongas. Essa ampliação adicionará 4 milhões de litros à capacidade de armazenamento existente.
Desafios e Implicações para o Saneamento Público
A estrutura do SAINP, com suas novas captações e a expansão da capacidade de reservação, representa um avanço significativo na garantia do abastecimento. A integração de recursos hídricos e a infraestrutura moderna visam atender a uma demanda crescente.
O modelo de locação de ativos, embora promissor em termos de agilidade e acesso a capital privado, também levanta questões importantes sobre a gestão pública e a sustentabilidade a longo prazo. É fundamental que a Sanepar mantenha um rigoroso controle sobre a qualidade dos serviços e a adequação dos custos, mesmo com a delegação da execução.
A transparência no processo licitatório e na fiscalização da execução do contrato é essencial para assegurar que o interesse público seja preservado. A definição do menor VML, embora tecnicamente vantajosa, deve ser ponderada em conjunto com a qualidade e a confiabilidade da infraestrutura a ser entregue.
A sustentabilidade hídrica em regiões de crescimento populacional como o norte do Paraná exige planejamento contínuo e investimentos estratégicos. O sucesso do SAINP pode servir como modelo para futuras iniciativas, mas é imperativo que os princípios de gestão pública eficiente e responsabilidade socioambiental sejam sempre priorizados.






