A ampliação do acesso à leitura nas instituições de ensino paranaenses se consolida como um pilar fundamental na formação educacional. O estado registra índices notáveis na disponibilidade de bibliotecas, superando a média nacional e posicionando-se como referência no país. Essa expansão abrange tanto as redes públicas quanto privadas, garantindo que uma parcela expressiva dos estudantes tenha contato com acervos literários e informacionais.
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) mais recente evidencia que a grande maioria dos estudantes paranaenses está matriculada em escolas que dispõem de bibliotecas. Este fato reflete um investimento contínuo em infraestrutura e recursos pedagógicos, visando enriquecer o aprendizado e estimular o desenvolvimento cognitivo e cultural dos alunos.
A rede estadual, em particular, tem direcionado esforços para diversificar seus acervos, promover atividades de incentivo à leitura e oferecer múltiplos canais de acesso ao conhecimento. A integração entre bibliotecas físicas e plataformas digitais tem sido uma estratégia chave para alcançar um público mais amplo.
Roni Miranda, secretário de Estado da Educação, destaca que o fortalecimento das bibliotecas escolares é uma política consistente. Segundo ele, esses espaços são essenciais para cultivar o hábito da leitura e expandir o repertório dos estudantes. Recentemente, um aporte significativo foi destinado à aquisição de novos exemplares para 550 escolas com Educação em Tempo Integral, totalizando um investimento aproximado de R$ 7,7 milhões.
A integração digital e a modernização da gestão
A obrigatoriedade da existência de bibliotecas para o funcionamento das escolas é um ponto de partida. Além da estrutura física, a rede estadual tem implementado ações para aproximar a literatura da realidade dos alunos, com projetos pedagógicos que incentivam o protagonismo juvenil e o desenvolvimento do gosto pela leitura. A ideia é conectar os conteúdos curriculares às vivências cotidianas dos estudantes.
Anderfábio Oliveira dos Santos, diretor da Diretoria de Educação (Deduc), explica que as iniciativas visam articular a leitura às experiências dos alunos, promovendo debates e análises de diferentes gêneros textuais. Os 32 Núcleos Regionais de Educação no Paraná contam com bibliotecas físicas e acesso a recursos digitais, o que amplia as possibilidades de exploração e aprendizado.
Um avanço importante na gestão desses espaços é a implementação do Programa BiblioClick, que utiliza o sistema Pergamum. O objetivo é padronizar os acervos, integrar a gestão e qualificar o uso pedagógico das bibliotecas em toda a rede até 2026, garantindo maior eficiência e alcance.
O programa Leia Paraná, por exemplo, oferece um acervo digital vasto e diversificado, acessível a estudantes e professores. Com cerca de 650 mil acessos registrados apenas neste ano, a plataforma demonstra seu alcance e o interesse dos jovens pelo conteúdo oferecido, reforçando a ideia de que a leitura pode ser trabalhada de forma orientada e autônoma.
Acervos históricos e diversidade cultural
Os acervos das bibliotecas escolares paranaenses revelam uma rica tapeçaria cultural e histórica. Exemplares raros, como edições de 1920 de “Negrinha” de Monteiro Lobato, ou obras de 1925 e 1929, como “O Crime do Silêncio” e “O Romance de Simone”, atestam a longevidade e a importância desses espaços como guardiões da memória literária.
A diversidade se estende a outros idiomas e formatos. Livros em árabe, ucraniano e japonês coexistem com obras em braille, como “Branca de Neve e Rosa Vermelha”. A presença de um dicionário de guarani em uma escola de Santa Terezinha de Itaipu evidencia o compromisso com a valorização da cultura local e indígena.
Um item curioso encontrado em Palmas é uma Bíblia de 1967 com anotações em latim, como “Nihil obstat” e “Imprimatur”, indicando a aprovação da Igreja Católica. Essa peculiaridade ilustra a profundidade e a variedade dos registros que as bibliotecas escolares podem abrigar.
A bibliotecária Cleusa Pereira Nogueira, com três décadas de experiência, testemunha as mudanças nos hábitos de leitura dos estudantes. Ela observa um interesse crescente por temas como terror e fantasia, e a adaptação das bibliotecas para atender a essas demandas. Para ela, o papel da leitura na formação integral dos alunos permanece inabalável, funcionando como um convite constante à exploração de novos saberes.






