A inclusão cultural e o acesso à arte para a população idosa emergem como pilares fundamentais para a promoção do bem-estar e da qualidade de vida na terceira idade. Iniciativas que buscam engajar este público em atividades criativas não apenas combatem o isolamento social, mas também estimulam capacidades cognitivas e sensoriais, enriquecendo o cotidiano.
Recentemente, o Museu Oscar Niemeyer (MON) em Curitiba tem se destacado por suas ações voltadas especificamente para pessoas com mais de 60 anos. O programa “Arte para Maiores”, estabelecido em 2014, oferece uma plataforma contínua de sensibilização artística, combinando encontros presenciais e virtuais, visitas guiadas e dinâmicas de integração.
A proposta se distancia da ideia de que a participação artística exige conhecimento prévio, abrindo portas para que qualquer indivíduo, independentemente de sua trajetória, possa se conectar com a arte de forma acessível e prazerosa.
A busca por pigmentos e a conexão com a natureza
Uma das atividades propostas pelo MON para este segmento, agendada para junho, é um ateliê focado na criação de tintas naturais. Essa iniciativa convida os participantes a explorarem a origem dos pigmentos em elementos como o carvão e a erva-mate, transformando matérias-primas em ferramentas de expressão artística.
A prática de criar tintas a partir de recursos encontrados na natureza não é apenas um exercício de técnica, mas também uma jornada de redescoberta. Permite aos participantes entenderem a complexidade das cores e texturas, além de vivenciarem processos artísticos de forma sensorial e tátil.
Esses ateliês especiais funcionam como aprofundamentos em linguagens artísticas específicas, promovendo um diálogo mais íntimo com as exposições temporárias e permanentes do museu. A experiência prática é incentivada, com o objetivo de que cada participante desenvolva suas próprias criações e explore as infinitas possibilidades dos pigmentos naturais.
A condução dessas atividades é realizada por educadores com experiência em mediação cultural e desenvolvimento de oficinas. Leonardo Matuchaki, historiador e educador museal, e Samantha Baldissera, artista e mentora de criatividade, são alguns dos profissionais que colaboram com o MON em iniciativas que integram criação, escuta ativa, bem-estar e a força das experiências coletivas.
A formação dos educadores é um fator crucial. Matuchaki, com mais de uma década de atuação no MON, desenvolve projetos que dialogam diretamente com o público sênior e com educadores em geral, focando em bem-estar e escuta. Baldissera, com formação em Artes Visuais e especialização em Gestão Cultural e Neurociência, traz uma perspectiva multidisciplinar para a criação de oficinas inclusivas.
O legado e o papel do Museu Oscar Niemeyer
O Museu Oscar Niemeyer, uma instituição estatal vinculada à Secretaria de Cultura, desempenha um papel vital na disseminação da cultura e das artes no Brasil. Seu acervo, que ultrapassa as 14 mil obras, abrange artes visuais, arquitetura e design, com coleções notáveis da Ásia e da África.
Com uma área construída de mais de 35 mil metros quadrados, o MON se consolida como o maior museu de arte da América Latina. Sua estrutura monumental e a diversidade de seu acervo o posicionam como um espaço privilegiado para a realização de programas educativos que buscam democratizar o acesso à cultura.
A oferta de programas como o “Arte para Maiores” reforça o compromisso do museu em servir como um agente de transformação social, utilizando a arte como ferramenta de empoderamento e inclusão para todas as faixas etárias. A iniciativa demonstra a importância de se pensar em políticas públicas culturais que contemplem as necessidades específicas do público idoso, promovendo sua participação ativa na vida cultural e comunitária.






