Hemepar testa sangue para mais segurança em transplantes

🕓 Última atualização em: 29/04/2026 às 02:10

O aprimoramento contínuo dos protocolos de segurança em transplantes de órgãos e tecidos tem sido uma prioridade para o Sistema de Saúde do Paraná. A recente parceria firmada entre o Sistema Estadual de Transplantes (SET) e o Laboratório do Hemocentro Coordenador do Paraná (Hemepar) representa um avanço significativo na proteção dos pacientes transplantados, especialmente na Macrorregião Leste.

Esta colaboração inédita visa não apenas manter a excelência dos exames sorológicos já realizados, mas também introduzir tecnologias de ponta para garantir a segurança transfusional e a detecção precoce de agentes infecciosos em doadores.

A iniciativa surge em resposta à necessidade de assegurar a qualidade e a agilidade na triagem de amostras, complementando os serviços que antes dependiam de contratos terceirizados. A descontinuidade de alguns desses serviços impulsionou a busca por soluções internas mais robustas.

A expansão da capacidade laboratorial permitirá a realização de testes cruciais, como os de Hepatite B, Hepatite C, Doença de Chagas, Sífilis, HTLV, Toxoplasmose e Citomegalovírus. Estes exames são fundamentais para a prevenção de complicações pós-transplante.

Um dos destaques dessa nova fase é a incorporação do Teste de Ácido Nucleico (NAT). Essa tecnologia, considerada de vanguarda, é aplicada a amostras provenientes de doadores de múltiplos órgãos, elevando o nível de rastreamento.

A adoção de plataformas de triagem baseadas em quimioluminescência posiciona o Paraná na vanguarda das técnicas sorológicas em nível global. Essa metodologia oferece alta sensibilidade e especificidade na detecção.

Avanços Tecnológicos e Conformidade Regulatória

Para complementar a triagem sorológica, o laboratório implementou técnicas avançadas de biologia molecular. A utilização da PCR em tempo real assegura a detecção rápida e precisa de patógenos como HIV, Hepatite B, Hepatite C e Malária, minimizando o período de janela imunológica.

Estas atualizações estão alinhadas com as exigências da Portaria nº 8.041 do Ministério da Saúde, publicada em setembro de 2025, que estabelece novos parâmetros para a adequação dos serviços até março de 2026. O prazo, posteriormente estendido por mais 180 dias, reforça a importância da conformidade regulatória e da segurança em transplantes.

“A segurança dos transplantes de órgãos no Paraná é fortalecida por meio da utilização de testes de alta qualidade e elevado desempenho”, assegura César Neves, secretário de Estado da Saúde. Ele enfatiza que a nova estrutura garante um processo de triagem seguro, ágil e eficaz, com impacto direto na proteção e no cuidado ao paciente.

A Diretora do Hemepar, Vivian Patricia Raksa, ressalta que os investimentos recentes na hemorrede paranaense têm sido cruciais para a modernização laboratorial. “Os investimentos recebidos pela rede Hemepar nos últimos anos têm permitido a modernização do nosso laboratório e, assim, atender aos paranaenses com eficiência e responsabilidade”, declarou.

A abrangência dos testes se estende por todas as macrorregiões do estado. Na Macrorregião Leste, a responsabilidade recai sobre o Hemepar. A Macrorregião Oeste conta com o laboratório terceirizado Parzianello, enquanto as Macrorregiões Norte e Noroeste utilizam a estrutura do Hospital Universitário de Londrina.

O Paraná como Referência em Transplantes

A coordenadora do Serviço Estadual de Transplantes (SET), Juliana Ribeiro Giugni, destaca o papel da testagem em serviços públicos para reforçar a posição do Paraná como referência nacional. “O Paraná é referência em captação e transplantes de órgãos no País e registra o dobro de doadores por milhão de população (40,4 pmp) em relação à média brasileira (20,2 pmp)”, afirmou.

Este índice expressivo é reflexo de uma rede de captação estruturada, que envolve aproximadamente 700 profissionais e 34 equipes de transplantes integradas. A excelência operacional e a infraestrutura robusta são pilares desse sucesso.

De acordo com dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) de 2024, o Paraná liderou o país em doadores por milhão de população (pmp), com uma média de 42,3 pmp, superando a média nacional de 19,2 pmp. Os dados parciais de 2025 mantêm o estado em posições de destaque.

A liderança paranaense é também atribuída ao baixo índice de recusa familiar, que se mantém consistentemente abaixo da média nacional. Em 2025, até junho, apenas 31% das famílias recusaram a doação, contra 45% da média nacional, resultado de capacitação contínua e abordagens humanizadas.

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