Guaíra lotado celebra 41 anos da Sinfônica do Paraná

🕓 Última atualização em: 01/06/2026 às 13:23

A Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) celebrou seus 41 anos com uma grandiosa apresentação no Teatro Guaíra, em Curitiba. O espetáculo, intitulado “Grande Festa da Música Brasileira”, reuniu mais de 4,3 mil pessoas em duas sessões, nos dias 28 e 31 de maio. A iniciativa destacou o legado de renomados compositores nacionais, oferecendo um panorama da riqueza cultural do país.

Sob a regência do maestro titular e diretor musical, Roberto Tibiriçá, a montagem mobilizou um efetivo impressionante de mais de 230 artistas, incluindo músicos e coralistas. Essa formação robusta foi particularmente evidenciada na execução da cantata profana “Mandu-Çarará”, de Heitor Villa-Lobos, uma obra que demanda um conjunto vocal e instrumental expansivo.

A diversidade sonora e temática marcou o repertório. A abertura contou com o prelúdio da ópera “O Garatuja”, de Alberto Nepomuceno, uma peça seminal no movimento do nacionalismo musical brasileiro. Para o encerramento, a força rítmica e as influências afro-brasileiras de “Maracatu de Chico Rei”, de Francisco Mignone, protagonizaram um momento de grande impacto, executado pela OSP em conjunto com o coro sinfônico adulto.

A performance de “Mandu-Çarará” demandou uma sinergia complexa entre a orquestra, o coro sinfônico misto Ottava Bassa, sob a batuta de Alexandre Mousquer, e os coros infantis Papo Coral e Coral Curumim, dirigidos por Cristiane Alexandre e Joyce Miriam Todeschini, respectivamente. A obra de Villa-Lobos é notória por sua abordagem experimental, incorporando elementos inusitados, como o som de pratos de cozinha, refletindo a genialidade e a ousadia do compositor.

Acessibilidade como Pilar Cultural

Um diferencial marcante das celebrações de aniversário da OSP foi o compromisso com a acessibilidade. Os concertos ofereceram recursos de Libras e audiodescrição, garantindo que um público mais amplo pudesse desfrutar plenamente da experiência artística. Este enfoque inclusivo visa democratizar o acesso à cultura, removendo barreiras para pessoas com deficiência.

A audiodescrição, em particular, traduz em narração falada os elementos visuais essenciais de uma apresentação. O profissional responsável descreve desde a entrada dos artistas no palco até detalhes de figurinos e movimentações, enriquecendo a percepção de espectadores com deficiência visual. Contudo, seu benefício estende-se a outros públicos, como idosos, autistas e pessoas com TDAH, que podem se beneficiar de informações complementares.

Raquel Carissimi, coordenadora do serviço, ressalta que a audiodescrição em concertos vai além da música, oferecendo nuances visuais que completam a imersão. Operada a partir de uma cabine acústica, a narração é projetada para não interferir na audição do restante da plateia, assegurando uma experiência coesa para todos.

A implementação destes serviços marca um avanço significativo na política cultural do Teatro Guaíra. Todos os espetáculos dos corpos artísticos vinculados — incluindo o Balé Teatro Guaíra, a Escola de Dança Teatro Guaíra e a G2 Cia. de Dança — passam a contar com sessões adaptadas. Esta medida reforça a missão de promover a inclusão e ampliar o acesso à arte e à expressão.

Marlon Brandão e Gisele Brandão, um casal com deficiência visual que prestigiou o concerto, expressaram seu entusiasmo com a iniciativa. “Ficamos surpresos com o serviço de audiodescrição”, afirmou Marlon, destacando a importância de compreender a distribuição dos instrumentos no palco e a aparência dos performers. Gisele, que também é cantora lírica, complementou: “A música a gente ouve, mas as cenas a gente precisa que sejam descritas. Isso é essencial.”

A presença de público diversificado, incluindo admiradores que se deslocaram de outras cidades, como Igor Pupo, de Joinville (SC), e jovens músicos com aspirações profissionais, como Victor Américo da Silva, atesta o alcance e o impacto das apresentações da OSP. A magnificência do Teatro Guaíra e a qualidade da performance da orquestra foram unanimemente elogiadas, inspirando novos talentos e consolidando a importância da música clássica e brasileira.

O Futuro da Melodia no Teatro Guaíra

A Orquestra Sinfônica do Paraná não descansa em seus louros e já prepara novas apresentações que prometem encantar o público. Em junho, o Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto, o Guairão, será palco de “GiselleS”, uma releitura contemporânea do clássico balé romântico “Giselle”. O espetáculo conta com a direção-geral de Luiz Fernando Bongiovanni e a regência do maestro convidado Gabriel Rhein-Schirato.

A obra original, composta por Adolphe Adam, teve sua estreia em 1841 pela Ópera Nacional de Paris. A nova montagem, interpretada pelo Balé Teatro Guaíra com a participação da OSP, promete trazer uma perspectiva moderna a esta narrativa icônica, explorando novas nuances e estéticas. As sessões estão programadas para os dias 13 e 14, e de 18 a 21 de junho, com horários variados para atender a diferentes públicos.

Com ingressos a preços populares, que variam entre R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), a iniciativa visa democratizar ainda mais o acesso à arte. As entradas podem ser adquiridas através do DiskIngressos e na bilheteria do Teatro Guaíra, incentivando a participação da comunidade em eventos culturais de alta qualidade. A expectativa é de casa cheia para apreciar essa fusão entre o clássico e o contemporâneo.

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