A arte da dança no Paraná celebra um marco histórico de sete décadas com a apresentação do espetáculo inédito “A Menina que Sonhou o Teatro”. A obra revisita a trajetória da Escola de Dança Teatro Guaíra (EDTG), entrelaçando aprendizado, formação de artistas e a magia dos palcos em uma composição cênica que homenageia a longevidade da instituição.
A EDTG, fundada nos anos 1950, consolidou-se como um polo de formação em dança, moldando gerações de bailarinos e profissionais da área. A iniciativa de levar ao palco a própria história da escola reflete um profundo senso de pertencimento e um orgulho pela jornada percorrida.
Este novo espetáculo não se limita a ser uma mera retrospectiva. Ele se propõe a reimaginar a memória institucional através da linguagem coreográfica. A proposta é apresentar, de forma artística e sensível, os pilares que sustentam a escola há tantos anos.
A criação coreográfica é assinada por Allan Keller, que também concebeu a dramaturgia e o roteiro. A direção geral e artística está a cargo de Larissa Pansera. Juntos, eles orquestraram uma narrativa que se desdobra em episódios cênicos, guiada por uma personagem central que transita por cenários que evocam os diversos espaços de um teatro.
A encenação promete revisitar momentos cruciais da formação dentro da escola, homenagear referências importantes à instituição e apresentar a dinâmica dos bastidores, culminando em um tributo aos 70 anos de dedicação à arte da dança. Cerca de 90 alunos da EDTG estarão em cena, acompanhados por professores e pela equipe pedagógica, evidenciando a força coletiva da formação.
A Efervescência Criativa e o Legado Pedagógico
O processo de desenvolvimento de “A Menina que Sonhou o Teatro” foi profundamente enraizado na experiência acumulada pela Escola de Dança Teatro Guaíra. Essa construção se deu de forma colaborativa, com a participação ativa da direção artística, coordenação pedagógica e das equipes técnicas do Centro Cultural Teatro Guaíra.
O resultado é uma fusão notável de técnicas de balé clássico e dança contemporânea, evidenciada tanto nas coreografias quanto na estrutura geral da apresentação. A direção expressa um sentimento de orgulho e reconhecimento pelas conquistas e pela superação de todos os alunos envolvidos.
Larissa Pansera destaca a articulação de experiências pedagógicas e artísticas, que conectam diferentes gerações de artistas que passaram pela escola. “O espetáculo fala do sonho do artista em seguir dançando”, afirma, definindo o sentimento que permeia esta comemoração.
O diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, Cleverson Cavalheiro, ressalta a abrangência da formação oferecida pela EDTG. Ele aponta que a escola formou uma vasta gama de profissionais, incluindo técnicos, cenógrafos, figurinistas, iluminadores e produtores, que contribuem para o cenário cultural.
A equipe técnica do espetáculo conta com profissionais renomados, como Gilson Fukushima (trilha sonora, composição e direção musical), Luan Valloto (figurinos), Daniel Marques (cenografia), Wagner Luz (iluminação) e Rene Sato (coreógrafo convidado). A participação de Sato na criação de duas coreografias enriquece ainda mais a montagem.
Inclusão e Acessibilidade no Palco
A estreia do espetáculo está marcada para o dia 3 de julho, às 20h, no Teatro Guaíra. Uma sessão didática, voltada para aproximadamente 1500 estudantes da rede municipal de ensino, ocorrerá no mesmo dia, às 14h30. No dia seguinte, 4 de julho, o público em geral terá mais uma oportunidade de assistir à apresentação.
O compromisso com a acessibilidade é um dos pilares desta montagem. As apresentações contarão com recursos como tradução em Língua Brasileira de Sinais (Libras), audiodescrição e abafadores de ruído. Estes últimos são destinados a pessoas com hipersensibilidade auditiva, garantindo que mais pessoas possam desfrutar da experiência artística.
A iniciativa de promover sessões didáticas para estudantes reforça o papel educativo da EDTG e seu objetivo de democratizar o acesso à dança e à cultura. A presença de recursos de acessibilidade demonstra uma preocupação genuína em tornar a arte mais inclusiva e acessível a todos os segmentos da sociedade.
A produção do espetáculo “A Menina que Sonhou o Teatro” foi viabilizada pela Lei Rouanet, com patrocínio da Sanepar e realização de diversas entidades, incluindo a Associação Brasileira de Apoiadores Beneméritos do Teatro Guaíra, PalcoParaná, Centro Cultural Teatro Guaíra, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Paraná, Ministério da Cultura e Governo do Brasil. A colaboração de tantos parceiros sublinha a importância deste evento para o cenário cultural.






