O cinema paranaense tem se destacado em circuitos nacionais e internacionais, consolidando-se como um polo produtor de obras relevantes. Recentemente, o longa-metragem “Nem Toda História de Amor Acaba em Morte” acumulou mais um reconhecimento significativo, sagrando-se vencedor nas categorias de Melhor Longa-Metragem e Melhor Atriz, pela interpretação de Gabriela Grigolom, no renomado One Fluid Night LGBTQIA+ Film Festival, sediado em Londres.
Este triunfo não é isolado. O filme tem trilhado um caminho de sucesso desde sua estreia em 2025, colecionando prêmios em diversos festivais. Entre as honrarias anteriores, destacam-se o prêmio de Melhor Ator para Octávio Camargo e Melhor Filme pelo Júri Popular no 29º Cine PE, além de Melhor Filme pelo Júri Popular na mostra de longas brasileiros do Rio LGBTQIA+ 2025.
A trajetória vitoriosa inclui ainda o reconhecimento como Melhor Filme na Mostra Competitiva Libras Visual do XI DIGO Festival e o prêmio de Melhor Roteiro na mostra de longas-metragens do III Cine RO. Esses feitos demonstram a qualidade técnica e narrativa da produção, bem como sua ressonância com públicos diversos.
O apoio governamental tem sido um fator crucial para o desenvolvimento do setor audiovisual. A produção em questão foi contemplada com R$ 1,125 milhão provenientes do Edital de Produção e Desenvolvimento de Obras Audiovisuais, iniciativa do Governo do Paraná, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (SEEC), em colaboração com a Agência Nacional de Cinema (Ancine).
Políticas públicas e o impacto na diversidade
Luciana Casagrande Pereira, secretária de Estado da Cultura, ressalta a importância do audiovisual como motor econômico e cultural. As políticas públicas voltadas para este setor buscam expandir as oportunidades para profissionais e municípios em todo o estado. A conquista do filme é vista como um resultado concreto dessa orientação, elevando o cinema paranaense a novos patamares.
Um dos aspectos mais inovadores do filme é a apresentação da primeira protagonista surda em um longa-metragem nacional. Gabriela Grigolom, ao dar vida a essa personagem, não apenas brilha em sua performance, mas também abre portas para a inclusão e representatividade dentro da indústria cinematográfica brasileira.
Luiz Gustavo Vilela, secretário-executivo da PR Film Commission, órgão da Secretaria de Estado da Cultura, enfatiza a relevância de pensar o cinema a partir de sua acessibilidade. “A gente fica muito feliz, porque é a culminação de políticas públicas”, declarou Vilela, celebrando a conquista como um marco.
O filme aborda temas universais como o amor em suas diversas facetas – romântico, familiar, e o amor pela arte e pela vida. A diretoria e o roteiro, assinados por Bruno Costa, buscam explorar a tolerância e o respeito às diferentes formas de relacionamento e escolha, em uma sociedade que ainda necessita aprofundar esses valores.
A trama acompanha Lola, interpretada por Grigolom, uma jovem atriz surda que enfrenta desafios na criação de sua filha e na manutenção de sua companhia de teatro. Sua jornada se cruza com a de Sol, interpretada por Chiris Gomes, dando início a um relacionamento que se torna central na narrativa.
Gil Baroni, um dos produtores do longa, destaca o papel da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como uma linguagem visual e cinematográfica. A produção permitiu um profundo aprendizado sobre a importância de trazer a comunidade surda para o centro das histórias, atendendo a um anseio por maior representatividade tanto na frente quanto atrás das câmeras no audiovisual brasileiro.
O alcance internacional e a representatividade
O One Fluid Night LGBTQIA+ Film Festival, com sua abrangência internacional, serve como uma plataforma vital para a exibição de obras que exploram a diversidade e a vivência LGBTQIA+. A presença de filmes paranaenses neste circuito valida a qualidade e a relevância das produções locais no cenário global.
O sucesso do filme, evidenciado pelas múltiplas premiações, reforça a capacidade do cinema brasileiro de dialogar com diferentes públicos e temáticas, abordando questões sociais e culturais de forma sensível e potente. A inclusão de personagens surdos e o foco na comunidade LGBTQIA+ demonstram um cinema cada vez mais plural e alinhado às discussões contemporâneas.






