A Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) tem encantado o público com uma programação dedicada ao legado de George Gershwin, um ícone da música norte-americana do século XX. Recentemente, um concerto da Série Ouro, intitulado “Festival Gershwin!”, esgotou os ingressos do Guairão, demonstrando o amplo apelo das composições que mesclam o clássico e o popular.
O maestro titular Roberto Tibiriçá conduziu a apresentação, que contou com a participação especial do renomado pianista Fabio Martino. A escolha do repertório visou celebrar a genialidade de Gershwin, explorando a capacidade de sua música de transcender gêneros e dialogar com diferentes públicos.
A obra “Porgy and Bess: A Symphonic Picture”, um arranjo orquestral de Robert Russell Bennett, abriu o programa. Originalmente uma ópera de 1935, é reconhecida como uma das primeiras grandes óperas estadunidenses, apresentando a vida de uma comunidade afro-americana em um cenário fictício.
Em seguida, o pianista Fabio Martino acompanhou a orquestra na execução da icônica “Rhapsody in Blue”. Composta em 1924, esta peça é um marco na história musical pela sua fusão de ritmos sincopados do jazz com uma linguagem melódica expressiva, tornando-se um símbolo da identidade musical dos Estados Unidos.
O concerto também apresentou o Concerto em Fá, de 1925. Esta obra de Gershwin une de forma vibrante o jazz e a música clássica, incorporando ritmos contagiantes e melodias inspiradas no blues, consolidando a versatilidade do compositor.
A influência cultural e a relevância de Gershwin na contemporaneidade
George Gershwin, nascido em Nova Iorque, emergiu de origens humildes para se tornar uma figura proeminente na música do século XX. Seu talento notável como pianista e improvisador se manifestou precocemente, resultando na composição de centenas de músicas. Ele alcançou fama na Broadway com canções populares, muitas vezes em colaboração com seu irmão Ira Gershwin.
Apesar de sua morte prematura aos 38 anos, vítima de um tumor cerebral, o impacto de Gershwin na música é inegável. Seu legado reside na habilidade de aproximar universos musicais aparentemente distintos, como a música clássica e o jazz, e em sua contribuição para a diversidade cultural e a expansão das fronteiras da música de concerto.
O público presente demonstrou satisfação com a exploração da obra de Gershwin. Para muitos, como os estudantes universitários Sabrina de Sá De Freitas Paz, Ana Luiza Silva e Eduardo Nascimento, foi a primeira oportunidade de assistir a um concerto da Orquestra Sinfônica do Paraná. A curiosidade despertada pelas informações sobre o compositor e sua ligação com o jazz motivou a participação.
Frequentadores assíduos, como Márcia Lode, também expressaram admiração, destacando a beleza das composições e a performance do pianista. Para o economista aposentado Persio Leonardo de Oliveira e Silva, a apresentação foi uma emocionante revisita a um compositor de sua admiração, ressaltando a qualidade das apresentações da OSP.
Orquestra Sinfônica do Paraná: tradição e renovação artística
Fundada em 28 de maio de 1985, a Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) construiu uma trajetória de quatro décadas de dedicação à música, consolidando-se como a principal orquestra pública do estado. Iniciada com 61 músicos sob a regência de Alceo Bocchino e Osvaldo Colarusso, a OSP conta hoje com 73 músicos e um vasto repertório, abarcando obras de renomados compositores como Heitor Villa-Lobos e Camargo Guarnieri.
Com mais de mil apresentações realizadas em todo o Paraná e fora dele, a OSP tem um histórico de colaborações com corpos artísticos do Teatro Guaíra, incluindo montagens de ballets e óperas de grande porte. Sob a batuta do maestro titular Roberto Tibiriçá, que assumiu a regência em 2022, a orquestra mantém seu compromisso com a excelência artística, enriquecendo a cena cultural.
A carreira de Roberto Tibiriçá é marcada por passagens por importantes orquestras no Brasil e no exterior, com reconhecimento por meio de prêmios como o Carlos Gomes e honrarias como a Ordem do Ipiranga. Em 2024, recebeu o título de Doutor em Música pela Universidade Federal de Minas Gerais, atestando sua notória saber na área.






