Banco alemão injeta milhões em obras de saneamento de Londrina

🕓 Última atualização em: 16/04/2026 às 10:27

A saneamento básico no Paraná avança com investimentos significativos voltados para a modernização e expansão de infraestruturas essenciais. Um aporte financeiro de aproximadamente R$ 300 milhões, proveniente do banco de desenvolvimento alemão KfW, está sendo direcionado para cinco projetos de saneamento no estado, com destaque para obras em Londrina, na região Norte.

Duas estações de tratamento de esgoto (ETEs) na cidade de Londrina, a ETE Norte e a ETE Sul, recebem atenção especial. Essas intervenções visam não apenas a ampliação e modernização das instalações existentes, mas também a incorporação de tecnologias inovadoras para o tratamento de resíduos.

Esses investimentos fazem parte da segunda fase do programa “Paraná Bem Tratado”. Apesar do financiamento oficial estar em processo formal, as obras já iniciaram, adiantadas com recursos próprios da Sanepar. Essa antecipação reflete uma relação de confiança construída entre a companhia e o banco alemão.

Inovação na Gestão de Lodos e Biogás

Um dos pilares dessas novas obras é a criação de uma Central de Tratamento de Lodo, anexa à ETE Sul, mas com abrangência metropolitana. Esta unidade será responsável por processar o lodo gerado em seis ETEs: quatro em Londrina, uma em Cambé e outra em Tamarana.

A tecnologia empregada permitirá a secagem térmica do lodo, reduzindo drasticamente o seu volume e potencializando seu aproveitamento energético. O processo de secagem utilizará biogás gerado na própria ETE Sul, transformando um subproduto que antes seria descartado em uma fonte de energia.

Essa abordagem representa uma mudança de paradigma na gestão de resíduos de saneamento. Em vez de enviar o lodo úmido para aterros e queimar o biogás sem aproveitamento, as novas instalações converterão esses elementos em recursos energéticos. Isso não só otimiza o descarte, mas também contribui para a redução de emissões de gases de efeito estufa.

A unidade de secagem de lodo conta com equipamentos de alta capacidade, como um tambor de aço com 18 metros de comprimento e 4,3 metros de diâmetro, capaz de processar até 5 toneladas de lodo por hora. Complementando o sistema, um gerador de gases com 40 toneladas de peso assegura a eficiência do processo.

A redução do volume de lodo é notável: o que antes ocuparia o espaço de quatro caçambas de material úmido, após a secagem, demandará apenas uma caçamba. Essa otimização logística impacta diretamente nos custos de transporte e disposição final dos resíduos.

A Sanepar busca alinhar suas operações aos conceitos de ETEs Sustentáveis, investindo no aproveitamento de subprodutos para diminuir a dependência de aterros e recursos naturais. A tecnologia empregada na Central de Tratamento de Lodo da ETE Sul é considerada rara no Brasil, sendo utilizada em poucas outras estações.

O aproveitamento do biogás para secagem de lodo, utilizando tecnologias como o modelo Bruthus, é um diferencial. Apenas outras duas estações no país utilizam essa combinação específica, uma em Minas Gerais e outra na ETE Atuba Sul, em Curitiba, também operada pela Sanepar.

Geração de Energia Elétrica e Expansão de Obras

Na ETE Norte, o foco dos investimentos vai além da otimização e confiabilidade do tratamento de esgoto. A unidade receberá investimentos para o aproveitamento do biogás na geração de energia elétrica, que será consumida na própria operação da estação.

Esta obra, orçada em R$ 62 milhões, prevê a revitalização de cinco reatores anaeróbios e um digestor existente, além da construção de um novo digestor. O objetivo é aprimorar o tratamento preliminar e aumentar a eficiência energética da unidade. A conclusão está prevista para março de 2028.

Os recursos do KfW também impulsionam outras frentes de trabalho. Em Umuarama, a ETE Pinhalzinho será beneficiada, e em Curitiba, a ETE Padilha passará por intervenções. A capital paranaense também receberá uma nova central de tratamento de lodo e a ampliação da Usina de Tratamento de Lodos e Resíduos Orgânicos (Usbio).

O biogás, gerado a partir da degradação anaeróbica da matéria orgânica em biodigestores, é composto principalmente por metano e dióxido de carbono. Sua captura e aproveitamento são estratégicos para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

A iniciativa “Paraná Bem Tratado”, idealizada pela Sanepar na década de 2010, tem a redução de GEE como um de seus pilares centrais. O programa se beneficia de pesquisa e cooperação técnica de diversas instituições, incluindo a agência de cooperação técnica alemã GIZ.

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