A busca por alternativas sustentáveis em produtos de uso cotidiano tem impulsionado inovações com potencial de reduzir o impacto ambiental e os custos de produção. Um exemplo notável emerge de estudantes do Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Francisco Villanueva, em Rolândia, no Paraná, onde um projeto de pesquisa resultou no desenvolvimento de uma tinta ecológica.
Denominada “Earth Paint – Tinta Ecológica à Base de Terra”, a iniciativa é fruto da colaboração de três alunas de salas de recursos para altas habilidades/superdotação. Elas se dedicaram a criar uma formulação que utiliza recursos naturais, minimizando a dependência de compostos químicos sintéticos comuns em tintas convencionais.
A preocupação central por trás do projeto reside nos efeitos nocivos que substâncias químicas presentes em tintas industriais podem causar tanto à saúde humana quanto ao meio ambiente. A geotinta, como foi batizada, propõe uma solução que aproveita a diversidade de solos, explorando suas diferentes características e tonalidades.
Ao combinar solos com aglutinantes e fixadores de origem natural, as estudantes visam alcançar um produto que seja não apenas economicamente viável, mas também menos agressivo ao ecossistema. A pesquisa demonstra a aplicabilidade técnica dessas formulações em diferentes contextos.
Desafios e Aprimoramentos na Formulação
A metodologia de pesquisa iniciou-se com um extenso levantamento bibliográfico, fundamental para embasar as etapas experimentais. Posteriormente, as alunas adentraram a fase laboratorial, coletando amostras de solo e iniciando o processo de formulação.
O primeiro experimento, descrito como uma receita mais simples, empregou cola branca, terra, alho e óleo de girassol. Contudo, observações posteriores revelaram desafios. Após algumas semanas, a formulação apresentou perda de homogeneidade e sinais de bolor, indicando a necessidade de ajustes nos componentes para garantir a durabilidade e estabilidade do produto.
Em uma segunda etapa, a equipe aprimorou a composição, incorporando cal virgem hidratada, cola PVA e óleo de linhaça. A adição do óleo de linhaça, segundo relato, conferiu à tinta um aspecto mais uniforme e liso, além de contribuir para a impermeabilização. A cal, por sua vez, atuou na melhoria da consistência e na fixação do pigmento.
Os testes iniciais demonstraram uma boa aderência da geotinta em superfícies de papel e madeira. As estudantes já projetam a expansão das aplicações, visando a sua utilização em alvenaria, o que amplia o potencial de mercado e utilidade do produto desenvolvido.
Reconhecimento e Potencial de Disseminação
O projeto “Earth Paint” já tem ganhado destaque em importantes eventos científicos estaduais. A participação em feiras como a Feira Londrinense de Inovação e Ciências (Flic) e a Feira de Inovação, Tecnologia e Ciências (Fitec) valida o potencial da pesquisa e o talento dos estudantes.
A orientadora do projeto, professora Karina Afini, ressalta o empenho das alunas e o bom momento da produção científica na escola. Ela destaca a capacidade da geotinta de gerar uma rica variação de cores e texturas, dependendo das amostras de terra utilizadas, o que a torna um material artístico promissor.
O Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Francisco Villanueva tem se destacado em feiras científicas, com diversos projetos apresentados. As conquistas incluem credenciais para eventos de abrangência nacional e internacional, demonstrando o potencial de formação científica da rede estadual de ensino.
Um exemplo notável é a aluna Jenifer Lot, que participou ativamente da pesquisa e formulação da geotinta, e atualmente está no Canadá através de um programa de intercâmbio. Essa inserção internacional reforça a qualidade da educação oferecida e o desenvolvimento de habilidades em seus alunos.






