Profissionais de saúde no Paraná embarcam em nova jornada de capacitação focada no Transtorno do Espectro Autista (TEA). A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) abriu as inscrições para a segunda edição do Curso de Aperfeiçoamento em Avaliação e Atendimento à Pessoa com TEA, visando ampliar e aprimorar a rede de cuidado em todo o estado.
A iniciativa é direcionada a profissionais de nível superior que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) paranaense. O foco recai, preferencialmente, naqueles que já desenvolvem atividades relacionadas à avaliação e ao atendimento de pessoas com TEA, garantindo que o conhecimento adquirido seja aplicado diretamente onde há maior demanda.
As inscrições, que se estenderão até o final de maio de 2026, são realizadas exclusivamente por meio de um formulário eletrônico. O processo seletivo adotará um caráter classificatório, ponderando a experiência profissional no SUS e a formação acadêmica prévia dos candidatos. A previsão é que a aula inaugural ocorra em 23 de junho de 2026.
Com uma carga horária total de 195 horas, o curso combina ensino a distância (175 horas) com encontros presenciais (20 horas). Estas atividades presenciais serão distribuídas estrategicamente nas quatro macrorregiões de saúde do Paraná, com sedes nos municípios de Curitiba, Foz do Iguaçu, Apucarana e Maringá, facilitando o acesso para profissionais de diversas localidades.
O objetivo primordial desta formação é instrumentalizar os profissionais do SUS para promover o diagnóstico precoce e assegurar um atendimento mais humanizado e eficaz. A capacitação se inicia na Atenção Primária à Saúde, ponto crucial para a identificação inicial de sinais e encaminhamentos adequados.
Fortalecimento da Rede e Evidências Científicas
A qualificação dos profissionais é um pilar central para o atendimento a condições complexas como o TEA. A Secretaria de Estado da Saúde demonstra um compromisso firme com a ampliação da capacidade de acolhimento e diagnóstico. O secretário estadual da Saúde, César Neves, ressalta a importância da Atenção Primária nesse processo, enfatizando que as equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS) precisam estar preparadas para receber e orientar as famílias.
Este curso integra um plano mais amplo de ações estratégicas da Sesa voltadas à educação permanente. O investimento ultrapassa R$ 3,3 milhões, dedicados exclusivamente à capacitação dos profissionais. A iniciativa visa consolidar uma rede de cuidado robusta e baseada em práticas atualizadas.
O Paraná tem mantido parcerias internacionais relevantes, como com o Florida Institute of Technology e o Scott Center for Autism Treatment. Essas colaborações têm sido fundamentais para a capacitação multiprofissional em Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Na primeira edição do curso, realizada em 2025, mais de 350 profissionais foram treinados, incluindo a participação de docentes internacionais em etapas presenciais.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurológica complexa que afeta a maneira como uma pessoa interage socialmente e se comunica. Caracteriza-se por dificuldades na interação e comunicação social, além de padrões de comportamento restritos e repetitivos. Sua origem é multifatorial, com manifestações que se tornam mais evidentes durante o desenvolvimento infantil.
O diagnóstico do TEA é eminentemente clínico, baseado na observação comportamental, no histórico de desenvolvimento do indivíduo e nas informações fornecidas por familiares ou responsáveis. Não há um exame laboratorial específico que confirme a condição, exigindo uma avaliação criteriosa por parte de profissionais qualificados.
Compreendendo os Níveis de Suporte do TEA
A complexidade do TEA também se reflete em sua classificação, que utiliza níveis de suporte para descrever a necessidade de assistência que cada indivíduo pode requerer. Essa categorização é fundamental para a personalização do plano de cuidados e para a definição das estratégias de intervenção mais adequadas a cada pessoa.
O Nível 1 de suporte indica que o indivíduo necessita de auxílio, mas mantém um grau considerável de autonomia em suas atividades diárias. Já o Nível 2 aponta para a necessidade de suporte essencial, indicando que a pessoa requer assistência mais significativa para realizar diversas tarefas. Por fim, o Nível 3 evidencia a necessidade de suporte muito essencial e constante, refletindo um grau mais acentuado de dependência.
Essa compreensão detalhada dos diferentes níveis de suporte é crucial para que os profissionais de saúde possam oferecer um atendimento verdadeiramente individualizado e eficaz. A capacitação em curso visa aprofundar esse conhecimento, capacitando os profissionais a identificar as necessidades específicas de cada pessoa com TEA, promovendo assim uma melhor qualidade de vida e inclusão.






