Cofen busca apoio presidencial para PEC 19 e correção do piso

🕓 Última atualização em: 29/01/2026 às 21:01

O debate em torno da valorização da Enfermagem ganhou um novo capítulo com a recente reunião entre lideranças da categoria e o Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. O encontro, realizado em Brasília, abordou a urgência da correção inflacionária do piso salarial da profissão e o apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 19, que visa estabelecer uma jornada de trabalho de 30 horas semanais como referência para o cálculo remuneratório.

A perda do poder de compra do piso salarial é uma preocupação latente, com estimativas apontando uma desvalorização superior a 20% ao longo de três anos. Essa defasagem se agrava pela ausência de um índice de correção, que foi vetado anteriormente, tornando a remuneração cada vez mais distante de uma justa equivalência com a responsabilidade e a demanda da profissão.

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que estabeleceu a jornada de 44 horas como parâmetro para o cálculo do piso também gerou controvérsia. Para a maioria dos profissionais de enfermagem, a carga horária predominante é significativamente menor, situando-se em torno de 36 horas. A aplicação de um cálculo baseado em uma jornada maior descaracteriza o objetivo inicial de garantir uma remuneração digna.

Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e do Ministério do Trabalho e Emprego reforçam essa disparidade, indicando que apenas uma pequena parcela dos profissionais excede as 40 horas semanais. Essa discrepância salienta a necessidade de revisão das bases de cálculo para que reflitam a realidade da prática profissional.

Um exemplo concreto da distorção salarial foi apresentado, comparando a remuneração de técnicos de enfermagem com a de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) em algumas localidades. Em bairros como o Campo Limpo, em São Paulo, os ACS, cujos vencimentos são atrelados ao salário mínimo, recebem valores superiores aos de técnicos de enfermagem, mesmo com os benefícios adicionais. O piso nacional da enfermagem, calculado sobre 44 horas, é de R$ 4.750 para enfermeiros, R$ 3.325 para técnicos e R$ 2.375 para auxiliares e parteiras, valores que se tornam ainda menos expressivos quando comparados a outras categorias com reajustes mais favoráveis.

O papel do governo na busca por equidade salarial

O Ministro Guilherme Boulos manifestou apoio à causa da Enfermagem, reconhecendo-a como uma pauta legítima e importante para a sociedade. Ele se comprometeu a levar as demandas da categoria aos ministérios competentes, buscando articular uma posição governamental favorável à correção do piso e à aprovação da PEC 19.

A articulação política é vista como fundamental, especialmente diante da existência de poderosos lobbies patronais que podem se opor às reivindicações. A promessa de diálogo com a Ministra de Relações Institucionais e o Ministério da Fazenda sinaliza a abertura para negociações, mas a força da mobilização dos profissionais será um fator determinante.

O reconhecimento de que “a pauta dos trabalhadores, do SUS e da Enfermagem é uma pauta nossa” por parte do ministro representa um avanço no diálogo institucional, mas a efetivação das promessas dependerá de um compromisso contínuo e da superação de barreiras burocráticas e econômicas.

A mobilização como ferramenta de pressão e diálogo

Em paralelo às discussões em Brasília, a organização de um grande ato em defesa da categoria, a “Marcha pela Valorização da Enfermagem”, programada para 17 de março na capital federal, assume papel crucial. Esta mobilização visa demonstrar a força numérica e a união dos quase 3 milhões de profissionais de enfermagem em todo o país.

A iniciativa busca ampliar o diálogo com o Congresso Nacional, reforçando a necessidade da aprovação da PEC 19 e pressionando por avanços concretos. A presidente do Cofen, Manoel Neri, já ressaltou a importância de não apenas defender a PEC, mas também de investir em capacidade de negociação e mobilização para garantir sua efetiva implementação.

A participação e o engajamento dos profissionais nesta marcha são essenciais para que a luta pela valorização da Enfermagem transcenda o status de mera bandeira política, transformando-se em conquistas reais e duradouras para a categoria.

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